domingo, julho 06, 2008

Jovens têm que conquistar o seu espaço - Jorge Rebelo

Segue-se o extracto da entrevista concedida pelo semanário SAVANA à Jorge Rebelo, sobre a Juventude:

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AS FALAS DA VELHA RAPOSA


Jorge Rebelo
Entrevista conduzida por Ericínio Salema e Paola Rolletta

Os jovens têm alguma chance na actual liderança da Frelimo?

- Não diria se têm ou não. A meu ver, não há outra alternativa, senão os jovens assumirem o seu papel. O problema é que os jovens ficam à espera de ordens. Eles têm que conquistar o seu espaço, como fizeram os “jovens do 25 de Setembro”.

Está a dizer que a juventude moçambicana é preguiçosa?

- Não. Ela ainda não assumiu essa necessidade. Os jovens têm que envolver-se, têm que reclamar o direito que têm de participar da governação do país. Agora temos, por exemplo, a luta contra a pobreza, na qual os jovens têm que se envolver como fizeram os do “25 de Setembro”, visando a libertação do país. Em relação à corrupção, ela é de facto uma das grandes queixas dos jovens actualmente. Falo da corrupção generalizada, que é vista como impune. Então, os jovens, já que o sistema é assim, eles é que têm que se envolver, denunciando, reagindo, pautando-se por comportamentos de honestidade.

A que jovens se está a referir? Aos da Frelimo ou a todos os jovens moçambicanos, numa altura em que um general da Frelimo veio a público dizer que os jovens podem vender o país?

- Li isso e tentei interpretar. A interpretação que eu dou é esta: há jovens cuja única preocupação é darem satisfação aos seus interesses. E nós vemos que muitos jovens estudam, tiram cursos e a sua única preocupação é arranjar um emprego, que os remunere muito acima da média. Nesse processo, muitas vezes eles não olham a meios, daí envolverem-se em esquemas.

Não acha que os jovens fazem isso por causa dos exemplos que (não) têm?

- Essa é a questão. O exemplo é fundamental. Samora, por exemplo, dizia: “um dirigente pode fazer mil discursos sobre o mal que significa roubar bens do Estado, mas se ele roubar, ninguém lhe vai dar crédito”. O exemplo arrasta; as palavras talvez influenciem. Portanto, não há dúvidas de que os jovens têm, hoje, maus exemplos. Vêem muitos dirigentes, não todos, a enriquecerem sem olharem a meios. Então, isso passa a ser visto como uma coisa normal, aceitável. Sobre como mudar o exemplo, o nosso exemplo, teríamos que nos mudar a nós próprios, o que é mais difícil.

SAVANA – 04.07.2008

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Jovens ainda não estão prepardos - Antonio Hama Thai

Segue-se o excerto da entevista que o semanário Magazine Independente concedeu ao General António Hama Thai, onde faz referência à Juventude.
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JOVENS AINDA NÃO ESTÃO PREPARADOS


Antonio Hama Thai
Entrevista conduzida por Lourenço Jossias

Magazine Independente(MI):Em termos filosóficos não acha que já chegou o tempo de os antigos combatentes deixarem os jovens dirigirem os destinos do País ?

António Hama Thai (AHT): O problema não é tanto deixar porque nós, dese a luta de libertação nacional, nunca paramos de formar. Se está lembrado do centro 8 de Março. O Processo tem que ser dinâmico. Por exemplo, o Jossias (Editor do MI) é jornalista há 26 anos e não estou a ver se uma pessoa que sai hoje da Escola de Jornalismo pode conseguir fazer o que o Jossias faz hoje. Esse é que é o problema. Não é que o Jossias está a negar que possa ficar no seu lugar. É preciso estarmos sossegados de que os jovens já assumiram o legado patriótico.

Esta coisa de gestão não se dá, conquista-se e essa forma de conquistar é através de mérito, cmpetência e experiência. Se verificar no processo de eleições internas no Partido temos uma quota fixa para jovens, é por isso que encontramos jovens na Assembleia da República e no Comité Central do Partido. Quer dizer, na nossa estrutura interna há já um caminho aberto para os jovens, o que nós queremos é que os jovens assumam o legado. Se levo um jovem que está a sair da escola agora e o nomeamos director da escola do Partido Frelimo, como é que vai dirigir a escola, se calhar nunca leu os estatutos da Frelimo, nem conhece o Programa do Partido e dizem que é preciso entregar o País aos jovens. Que tal se eles venderem o País? É preciso ter cuidado com isto, porque é preciso ter a certeza de que ele já estácomprometido com a nossa causa. Porque veja o que acontece no País, sobretudo aqui em Maputo. Alguns jovens ocupam-se muito com situações que os desviam . Quando visitei a cadeia central da Machava senti-me escandalizado, porque 80 por cento da população reclusa era constituída por jovens, que não tinham 30 anos, e durante entrevistas, alguns diziam que foram parar ali porque esfaquearam por causa do telemóvel, outros diziam que mataram por causa de um carro... quer dizer, os jovens não estão a ter a visão de que é preciso trabalhar, não importa se é pesca de magumba, se produzir batata ou tomate. O fundamental é que têm que ter em mente que é preciso trabalhar para este País, não há forma de resolver os problemas, qualquer que seja, sem esforço e essa é a grande dificuldade.

Se der uma volta há-se ver que os jovens só pensam em fazer competição para acabar grades de cerveja, garrafas de whisky. Agora é a este jovem que querem que a gente entregue o País? Jovem que só estão preocupados com garrafa de whisky?

Queremos que os jovens assumam que a pátria custou caro, que construir uma pátria exige sacrifício, exige dedicação, coragem, espírito de entrega de entreajuda, unidade nacional, esses factores devem ser assumidos pela juventude.

Portanto, nós não estamos a negar dar oportunidade aos jovens. Nós fazemos tudo para enquadrá-los, para ele assumirem o valor da pátria, que custou caro a reaver a terra; por ela morreram companheiros, não estou a falar de um ou dois, de que a gente fale, de vez em quando. São muitos.

Quando me lembro dos bobardeamentos que eram feitos nas zonas libertadas, morreu muita gente para conseguirmos esta independência. Então, estes graus de Partiotismo não podem ser dispersados e volto a sublinhar: os jovens são necessários e indispensáveis ao processo, mas devem desdenhar, devem repugnar-lhes todos estes actos de alcoolismo, de droga, de crime. Não podem alinhar com este tipo de situações, porque não vão conseguir ficar com o País nestas condições. Eu gosto de ver Jovens com responsabilidade, pelo menos, moral, prque se não tem essa responsabilidade moral, nós vamos morrer, porque somos personagens e as personagens passam, mas o Estado não passa.

O Presidente Samora dizia que o Povo nunca morre, o que morre são as pessoas e isso é verdade, desde 1498 que os Portugueses chegaram a Moçambique até agora estamos aqui. Podemos não ser exactamente os mesmos que eles encontraram em 1498, mas estamos aqui. Então o poblema dos jovens não é a Frelimo, nós estamos abertos e queremos os jovens, mas é necessáio que ele façam esforço para contribuir para o País que temos. É preciso fazer sacrifícios, renunciar a certas coisas, não se pode fazer sacrifício no ar condicionado, como os jovens querem, não se pode fazer sacrifício com AKM, à procura de uma viatura para assaltar.

Fonte: MAGAZINE INDEPENDENTE 25/06/2008

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segunda-feira, maio 12, 2008

Biocombustíveis: texto interessante

Manos
li aqui no forum mozonline alguns debates interessantes sobre "os bio-combustíveis", não pude dar o meu palpite, estou em viagem e continuo com acesso restrito a internet. mas li uma apresentação do governador nigeriano do Rivers State, mas conhecida como a região do Niger delta, famosa pelos contornos da pobreza e da sua riqueza (o petróleo). o artigo do governador Chibuike Rotimi Amaechi, não toca precisamente a questão dos bio-combustíveis, mas mostra alguns pré-requisitos para uma discussão sobre:
1) que razões levam os nossos governantes e nossos países a “acomodarem-se” no papel de "fellow travellers" em relação a varias questoes de desenvolvimento.
Mas é preciso não perder de vista , durante a leitura do artigo, que Chibuike Amaechi é um político que fazendo uso das posições "imperfeitas" de alguns conceitos que alimentam o dicionário da indústria do desenvolvimento e neo-liberal tenta contrapor introduzindo realidades econômicas sem recorrer a exageros emocionais de que tanto estamos habituados. Em jeito de conclusão (indignação para o governador) o artigo mostra que as relações econômicas desiguais e impostas no mundo São um grande incentivo para a relutancia dos africanos em aceitar a democracia, os africanos votam para governos que não tem controlo nenhum sobre o futuro dos seus paises ( seria o mesmo que as reservas do nosso banco central fôssemos depositar no banco central da Somália).
2) seria inteligente se os nossos governantes discutissem mais sobre o acesso ao mercado global e o fim do protecionismo europeu e americano por forma a garantir a longo prazo o sucesso da agro indústria africana, e porque não da indústria do "bio-combustível".
o açúcar , o trigo, e o feijão mocambicano não podem "entrar" no mercado europeu (as taxas São proibitivas e os subsidios protecionistas), mas sim o etanol, mas quem garante que o etanol vai ser a nossa porta de entrada para o mercado europeu? que garantias a europa e a América dão para a compra do bio-combustível africano?. mas aqui este artigo do governador nigeriano não pretende dar respostas a isso, mostra a importância das perguntas. “Se” com esta questão dos bio-combustíveis não estamos perante o "business as usual" onde os outros já dicidiram la no norte e nos aqui no sul só resta-nos fazer o second argument. A europa já resolveu grande parte da sua questão energética há muito tempo ( a Rússia com o putin foi a solução para isso). mocambique precisa entrar na corrida para a produção de bio-combustíveis mas deve ter cuidado com a ilusão "for growth" para a redução da pobreza. porque a china e Índia devido ao seu poder econômico e político já produzem também o "first argument", para continuarem com o crescimento que estao a ter precisam da africa, na forma mais bruta como fizeram os europeus desde o seculo 15, o caminho ja nao é para as indias, é para africa.
3) no nosso caso parece que já estamos a ser vitimas do "capital especulativo", os que já tem licenças para comecarem a produzir os famosos "bio-combustíveis" escolheram as terras mais "ricas" a preço de banana, não tem know-how e muito menos capital, então o que interessa parece ser vender a licença para terceiros (aqueles com capital e know how) e fazer um galharda de dinheiro).
o mesmo aconteceu com as privatizacoes nos famosos anos da reestruturação econômica, onde as empresas foram "assaltadas" por especuladores sem conhecimento e capital para a revitaliza-las.
4) a experiência da Índia e outros países da Ásia,mostra que a revolução verde faz uso excessivo de pesticidas e sementes geneticamente modificadas, e hoje fala-se do cansaço da terra devido ao seu uso intensivo e "industrial", de graves problemas de saúde afecta os trabalhadores agrícolas e a contaminação dos rios, a longo prazo vamos assistir uma catástrofe ambiental aliada a fome.
E a nossa revolução verde com este andar vai estar de mãos dadas com a produção dos bio-combustíveis? e ninguém hoje consegue dizer como será feito este casamento sem por em causa o meio ambiente e a segurança alimentar, e nem como queremos proteger o uso indiscriminado deste recurso precioso que é a terra (e não venham com esta estória de que mocambique tem terra bastante, porque com a floresta foi o mesmo discurso em mocambique, costa de marfim, Nicarágua, e hoje estamos a perguntar como foi possível?).
5) as manifestações contra o custo de vida nas capitais africanas e não só, mostram a fragilidade que os mercados africanos tem perante o capital especulativo, mostra também que se o preço do petroleo sobe, o preço de produtos básicos e de pesticidas também vai subir, o que devia ser normal,
mas é preciso saber que o "capital" funciona na base de lucro imediato enquanto que a terra precisa de tempo. alguns analistas da praça escreveram que a crise americana ( a fraqueza do "dólar") não vai tocar o nosso mercado, eu acho que falharam na analise, não sou economista, mas a experiência como o "capital especulativo" funciona bem em maputo (o exemplo mais interessante tem sido preço do arrendamento de casas) e a característica da nossa classe empresarial, mostra como enganaram-se.
6) não estou a ser negativista como dizem os outros. quem "virou" negativista foi o mundo: as cidades africanas cresceram, mais gente com idade produtiva emigra para as cidades e vive no meio urbano que nao oferece emprego a todos. o campo ficou para os mais “velhos” que não tem energia e conhecimento para "lidar" com a zanga da natureza: cheias, secas, erosão, a exploração desenfreada da madeira, e os famosos conflitos de terra entre o pequeno camponês e a agro-indústria/bio-combustíveis (aqui perto na manhica,magude, matutuine e xinavane um bom laboratório para ver isso). as mudanças climáticas mostram que o continente africano e a zona sul de Ásia vão perder 20% de produção agrícola devido a mudanças climáticas nos próximo tempos.
7) agora é preciso saber que a fome sempre existiu desde a civilização humana, hoje com o avanço tecnológico e a riqueza “deste adorado mundo moderno” torna-se inaceitável ver a fome como uma coisa "natural e moderna", o mundo nunca conseguiu produzir comida para toda gente e com este ritmo de crescimento populacional torna-se mais difícil falar do fim da fome tão já. Mocambique já fez muito, há 15 anos atrás mocambicanos andavam vestidos de trapos e morrendo de fome, mesmo a 250 km de maputo. seria bom, se eu conseguisse convencer alguns mocambicanos de que o nosso pais precisa é de acabar com a fome em mocambique e não acabar com a fome do mundo, porque para isso teríamos que vender todo o mocambique.
8) alguns dizem que devido as manifestações provocadas pelos chapas (o aumento constante do preço do combustível), estamos perante uma crise energética numa dimensão mocambicana, pode ser verdade. o governo já tinha começado bem com a questão de cahora bassa, o gás de pande e a refinaria em nacala, agora com esta de bio-combustíveis como fazendo parte da estratégia para a criação da reserva energética parece-me muito problemática, pelo menos para leigos como eu.

la famba bicha
Jorge Matine

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quarta-feira, maio 07, 2008

BIOCOMBUSTIVEIS E CRISE ALIMENTAR MUNDIAL EM DEBATE 105.5FM SABADO 13:00H

Este sábado pelas 13:00h na Rádio Índico 105.5 FM em debate no Programa MOÇAMBICANDO: - Biocombustíveis e Crise Alimentar Mundial - Repercursões em Moçambique.

Participe !!

UMA PARCERIA: RADIO ÍNDICO 105.5FM & MOÇAMBIQUE ONLINE

mocambicando@gmail.com
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quarta-feira, abril 30, 2008

QUO VADIS MOÇAMBIQUE ?A IGNORÂNCIA É A CAUSA DE TODOS OS MALES, INCLUINDO DA INVEJA!

Parte 1

Jornal Autarca e ZOL
Dialogando (1/2)
João Craveirinha

QUO VADIS MOÇAMBIQUE?
A IGNORÂNCIA É A CAUSA DE TODOS OS MALES, INCLUINDO DA INVEJA!

"A memória do passado é o que sobrevive quando esquecemos o que aprendemos no presente. O futuro será sempre uma incógnita por mais que o planifiquemos". João Craveirinha

A IGNORÂNCIA É A CAUSA DE TODOS OS MALES fruto de todas as incapacidades de raciocínio pois atrofia a capacidade individual de pensar e de activar as partes cognitivas do cérebro - quer as do lóbulo do hemisfério esquerdo (emoção) quer do direito (razão) – inércia, impedindo assim, qualquer forma de desenvolvimento intelectual por mais que se frequentem universidades com bolsas de estudo de critérios paternalistas pós-coloniais em que se poderá obter uma licenciatura por opções directivas de uma política euro-centrista. Género do que se criticava da antiga Universidade soviética Patrice Lumumba. Os da terra chumbam os do chamado terceiro mundo se regressarem ao país de origem, passam sempre, mesmo sem créditos de mérito confirmados. Isso numa forma de não exigir a necessária qualidade qualificativa do discente. Esse quadro visaria manter os africanos num desnível cultural – profissional para uma dependência da importação dos ditos cooperantes vindos do ultramar euro-americano.

Em (Neuro) Linguística e em Cultural Studies e Sociologia cultural, et cetera, aprende-se e se apreende que a LÍNGUA é o factor de comunicação e de linguagem número um e exclusiva da raça humana que nos possibilita desenvolver uma aprendizagem evolutiva mais rápida e aperfeiçoada que qualquer outro animal. Ora a base de toda a inteligência é a memória recorrente do que já passou, se arquivou. A Língua provém de um G.U., – gramática universal hereditária, desde a pré-história, que nos permite acessar ao conhecimento através dessa memória. (Para mais, ver B. Skinner, Noam Chomsky, MIT, 1958 e Saussure 1916, et cetera).

O factor número um que a Europa manteve a ignorância do africano é ter apagado essa MEMÓRIA colectiva – isto é o seu passado – a sua HISTÓRIA pré-colonial antes das invasões árabes - muçulmanas e a dos europeus cristãos. A União Africana está preocupada com a ignorância dos jovens africanos perante a sua história pois isso os mantém num permanente AFRO-PESSIMISMO. A África do Sul e a Nigéria estão na linha da frente de campanhas de reverter esse fenómeno agravado pela globalização. Essas campanhas visam minimizar os aspectos que desvirtuam o carácter de uma política para um Desenvolvimento auto-sustentado, tornando-se necessário consciencializar politicamente o africano, sobretudo os jovens quadros, a se orgulharem do seu passado. Mas para isso é necessário saberem de onde vieram para poderem saber para onde vão. Sem passado não há presente e muito menos futuro.

A União Europeia tem uma componente ideológica de coesão assente na cultura de um cristianismo (herança medieval) e de uma História da antiguidade clássica grega e romana firmada séculos antes de Cristo, reassumida numa era chamada de Renascentista entre os séculos XIV a XVI projectada num Iluminismo da consolidação da escravatura e do capitalismo mercantilista ao colonialismo puro e duro até quase ao final do século XX. No século XVII (1600) a partir do pensamento religioso de um calvinismo do lucro, a América tornar-se-ia realidade à custa do genocídio dos nativos americanos e com a mão-de-obra forçada do negro africano arrancado brutalmente de África pelos europeus, com maior quota do tráfico protagonizada por portugueses e espanhóis. (Toda a Europa, sem excepção, participou nesse processo histórico).

As dissimetrias étnicas dos E.U.A e conflitos sociais actuais, são consequência desse passado trágico, euro-africano. Observe-se com o máximo de isenção e sabedoria o que se passa nas eleições primárias norte-americanas entre Hillary Clinton versus Barack Obama (Demos) e John McCain (Rep.). Todos os fantasmas do passado estão em destaque nos debates implícitos e des-plícitos de ismos mal assumidos, sobretudo pela dinastia Clinton e McCain, encurralando Obama que tenta evitar cair nesse campo minado.

Parte 2

Jornal Autarca e ZOL
Dialogando (2/2)
João Craveirinha

QUO VADIS MOÇAMBIQUE?
SOMOS SEMPRE REFLEXOS
DO NOSSO PASSADO,
PORQUE NUNCA NASCEMOS HOJE!

"A memória do passado é o que sobrevive quando esquecemos o que aprendemos no presente. O futuro será sempre uma incógnita por mais que o planifiquemos". João Craveirinha

O QUE SOMOS HOJE É REFLEXO DO QUE FOMOS EDUCADOS ONTEM E O QUE PROJECTARMOS PARA AMANHÃ. E tudo tem a ver como lidamos com a memória colectiva; leia-se História. Mas aí está o problema se não sabemos a nossa história como o poderemos fazer? Se negamos quem somos como seguir em frente? Não haverá ideias para além da cegueira do dinheiro pelo dinheiro. Ora isso é tudo menos projectar ideias para um desenvolvimento social e económico saudável.

Muitos projectos de desenvolvimento para África (neste caso Moçambique) têm enfermado de um pressuposto de não beneficiar devidamente as suas populações, mas de desenvolver elites egoístas e corruptas, boçais (ainda que vestindo roupas de marca e automóveis de luxo), sendo absorvedoras do que há de mais ultrapassado nos aspectos culturais do marketing do consumismo e ostentação do luxo na miséria e na maneira de pensar a vida – a way of life – frase do antropólogo social neozelandês, Raymond Firth (1901-2002). Retomada pela "Escola de Frankfurt" – 1923/1950, numa definição do que é Cultura dentro de um ponto de vista de "teoria crítica da sociedade". (Ver T. Adorno, W. Benjamim e M. Horkheimer)

É um pouco como antes escrevera o grande poeta português, Guerra Junqueiro, há cerca de 112 anos (1896). Mas neste caso, leiam como se fosse hoje, e, em Moçambique o fomento de: "(...) Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavra, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros (fingidos) e sevandijas (parasitas – xiconhocas), capazes de toda a veniaga (vigarices) e toda a infâmia (boatos), da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política (moçambicana) sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis… (na cadeia da Machava, pois)… "Se o Nazareno, entre ladrões, fosse hoje crucificado em… (Moçambique), ao terceiro dia, em vez do Justo, ressuscitariam os bandidos. Ao terceiro dia? Que digo eu! Em 24 horas andavam na rua, sãos como peros, (…)."
(com a devia vénia pela paráfrase a Guerra Junqueiro)

O cientista francês, Antoine-Laurent Lavoisier (1743-1794) afirmou: "Na natureza nada se cria tudo se transforma". Como na vida e na história dos Países. Todas as épocas são transformações de épocas passadas. É preciso estar atento e ver com olhos de pensar e deixar de ser invejoso quando outro africano tem alguma preocupação na área de desenvolver com educação um debate: (ou alguém invejoso que faz como o camaleão e se infiltra para fazer confusão assumindo uma identidade de negro baNto sem o ser). Bem, na questão do complexo colonial do negro, eis o que escreveu em 1935, Nnamdi Azikiwe, 1904 / 1996 (filósofo nigeriano e 1º Presidente da Nigéria): -
"The black man enemy is the black man. The black woman is the black woman enemy". (…"ele que se encontra no último degrau da escada social se indigna quando outro africano (negro) quer sair da pobreza e se esforça nos estudos e na vontade de se superar…aí outro negro seu vizinho, que sofre de afro-pessimismo, desmoraliza-o, faz de tudo, para o impedir de subir na vida"…é mais ou menos este o sentido retirado do livro Renascent Africa, by Nnamdi Azikiwe). Em muitos locais isto é evidente. Até aqui entre os leitores. Só o conhecimento da nossa memória colectiva nos poderá fazer sair deste círculo vicioso. É essa uma das razões do maior atraso dos africanos que foram colonizados pelos portugueses numa afro-Lusofonia entorpecente. Esse afro-pessimismo complexado, do próprio negro, numa falta de auto-estima lúcida e consciente com bases, impede-o de enfrentar qualquer discurso desmoralizador racista do branco, acabando de concordar com o que o deita abaixo a si e a todos seus iguais. É o tal dito molequismo. Daí a inveja a seu próprio patrício negro ou negra, é a mesma passada. Atenção não da dança. Eeheheh (risos). Melhor mesmo rir para não chorar neste século XXI, do avanço tecnológico mas de retrocesso das ideias numa globalização com declínio de soberanias nacionais, que poderíamos resumir em três aspectos fundamentais, de uma Aldeia Global preconizada pelo canadense Marshall McLuhan: 1. Económico (global business). 2. Transportes e comunicações, 3. Cultural: base de todas as ideologias dominantes assentes na manipulação da História.

Economia mundial (Weltwirtschaft), economia global sobrepondo-se a uma Economia política massificada a nível nacional – popular, no sentido administrativo de gestão (Volkswirtschaft).
Comunicação (Transportes e "auto-estradas da informação" – satélites; encurtando distâncias).
Indústrias da Cultura (propagação de novas ideologias do "main stream" assentes em máquinas de consumismo desenfreado e vertiginoso do promoção do marketing numa atitude crítica passiva do consumidor apoiada na Rádio, Cinema, Televisão e a Internet (I-pod) criando ainda comunidades das novas tecnologias).
A única forma de superarmos o subdesenvolvimento material e do espírito é desenvolver a capacidade do acto de PENSAR o País, com bases científicas e fundamentadas. O resto não importa. Enquanto a caravana passa os cães ladram e as quizumbas dão gargalhadas de estupidez. JC

Anexo – Conceitos científicos
n Global village- Glossary - practices of looking, página 356
n Globalization - idem página 356

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quarta-feira, abril 23, 2008

Salario Minimo e Mercado de Trabalho em Debate sábado 105.5 FM

No Próximo sábado, dia 26 de Abril pelas 13:15h na Rádio Índico 105.5 FM em Debate "A Negociação do Salário Mínimo em Moçambique"

Participe, envie os seus comentarios sobre o tema para mocambicando@gmail.com

Radio Índico 105.5FM


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sexta-feira, abril 11, 2008

MUGABE É APENAS UM DOS BONS ALUNOS DA POLÍTICA OCIDENTAL

MUGABE É APENAS UM DOS BONS ALUNOS DA POLÍTICA OCIDENTAL


Por Gustavo Mavie


Se o desfecho que o governo de Robert Mugabe vier a dar ao enigma das eleições realizadas no seu país a 29 de Março último for, definitivamente, o de renegá-las mesmo que se venha provar que as perdeu, como tudo indica ser essa a sua intenção, não há duvida que será apenas mais um político que se irá impor contra a vontade da maioria, expressa na boca das urnas, com a diferença de que, desta vez, quem estará por detrás dessa rejeição, não desfruta da bênção e muito menos do apoio e da protecção das poderosas nações ocidentais.
Com efeito, e para o benefício dos que não sabem ou têm memória curta, já antes deste caso, houve outros povos que viram as suas vontades anuladas, como foi o caso da vitória da Frente Islâmica, na Argélia, que tinha sido a preferência do povo daquele pais numa das eleições realizadas na década passada naquele país, mas que o governo argelino dessa altura preferiu ir à guerra com aquele partido islamista, que defende o fundamentalismo. Há que recordar que para tomar essa decisão de anular e considerar nula e sem efeito essa vontade da maioria dos argelinos, o mesmo governo argelino teve a bênção e o apoio camuflado das mesmas nações ocidentais, que viram nisso como correcto, dado que para eles, todos os fundamentalistas são uma espécie de células ou agências activas dos terroristas de bin Laden.
Do rol de eleições anuladas ou melhor, asfixiadas, e cujos vencedores se viram hostilizados e combatidos por todo o tipo de armas pelas nações ocidentais, afigura-se, em ponto grande, a vitória do Hamas na Palestina como o caso mais gritante, e que a menos que a memória nos falhe, não há paralelismo na historia da humanidade.
Como nós todos nos recordamos, após a vitória do Hamas, os mesmos países ocidentais que tanto se arvoram de campeões da democracia, seus defensores e promotores acérrimos, como se pode ver agora no Iraque - onde os EUA e o punhado de seus aliados têm estado a matar impiedosamente todos os que se opõem à sua democracia - aplicaram sanções àquela formação política palestiniana para inviabilizar a sua governação. E inviabilizaram mesmo porque como dizia Mandela durante a primeira Cimeira Social realizada no ano de 1995 em Estocolmo, está mais do que provado que não se pode ser bom governante, ou ter-se uma democracia em bom estado de saúde, quando se tem um povo sem nada para comer e hospitais sem medicamentos. Como sabemos, os EUA aplicaram ao Hamas sanções selectivas, especialmente de raiz financeira mas que nem com isso deixaram de afectar o povo palestino, tal como o fazem agora à ZANU-FP e aos seus líderes, porque para eles, aquela formação política palestiniana é um bando de extremistas e terroristas que ameaça a civilização ocidental, não obstante tenha sido democraticamente eleita pelo seu povo. Com essas sanções, os EUA e os seus aliados quiseram dizer com elas que não estavam de acordo com a sua opção em termos do partido que deve dirigir os seus destinos.
Quer dizer, para eles, é legítimo e justificado a todas as luzes negar as opções políticas dos povos, proclamadas através da votação nas urnas, mas já negam esse direito aos outros, como está acontecendo agora com Mugabe.
Bem vista a coisa, deviam entender que tal como eles, os outros governos os seus próprios inimigos, que portanto não os pode reconhecer de forma alguma o direito de desfrutar do poder, ou de os substituir na liderança do seu país. Ora, se os EUA e todos os seus aliados não aceitaram que a Frente Islâmica ou, já agora, o Hamas, governasse, como era a vontade da maioria dos argelinos e palestinianos, porque é que Mugabe não pode negar dar o poder ao MDC e a Morgan Tchvangirai, em função da animosidade que nutre deles ou do que ele acha que são, que é que são uma criação dos inimigos do Zimbabwe, tanto mais que nunca escondeu. E não valerá de nada tentar questionar o método que um certo governo usa para definir os seus inimigos, porque, como Mandela disse uma vez, os inimigos de uns, podem ser amigos de outros e vice-versa, daí que ele tenha se recusado aceitar os apelos de certos países ocidentais que queriam que ele se abdicasse da sua amizade com certos líderes que neste caso o Ocidente não os quer ver mesmo que estejam pintados a ouro, como o Coronel Khadafy e Fidel Castro, como era a vontade de certos países ocidentais. É que esta coisa de se ser amigo ou inimigo deste ou daquele é complicado. Por exemplo, durante as lutas pelas independências aqui na África Austral, o Ocidente alinhou com os regimes colonialistas e racistas, indo ao ponto de os fornecer as armas com que combatiam os movimentos de libertação, porque os via como agentes do terrorismo e da expansão do comunismo internacional.
Ora, vai daí que, do mesmo modo que para o Ocidente foi um erro que argelinos e palestinianos tenham votado pela Frente Islâmica ou Hamas, também Mugabe pode estar a considerar que os seus compatriotas se enganaram e votaram no MDC. Tanto mais que nem sempre a maioria tem razão. É só ver como é que o povo da Guiné-Bissau elegeu um Kumba Yalá. Ou será que tais países ocidentais não dão validade à célebre frase da então Primeira-Ministra britânica, Margareth Thatcher, de que nem sempre o que tem o apoio da maioria é correcto? É preciso ver que uma das provas de que ela tinha e tem razão, é que mesmo Hitler que foi eleito democraticamente, ele desencadeou a pior guerra mundial de que já se registou na face da Terra. E porque é que tem que ser Mugabe a respeitar religiosamente a vontade da maioria do seu povo, se os EUA e todo o Ocidente não respeitaram a vontade dos palestinos.
Se os EUA não aprovaram a vontade dos palestinianos, porque entendem que o Hamas é uma organização terrorista, caso Mugabe venha a negar de vez entregar o poder ao MDC, ou partilhá-lo com este movimento, deviam aceitar essa sua opção, porque para ele também o MDC e o seu líder não são uma oposição legítima, mas sim, uma criação e prolongamento do imperialismo, como bem o vinca ele numa entrevista que deu ao NewAfrican, e que foi publicado na sua edição de Maio do ano passado.
Para ele, é esse imperialismo que tem imposto ao seu país sanções económicas veladas, que acabaram provocando o descontentamento da população, com a intenção de levá-la a votar na oposição como parece ser o caso agora. De resto, ele pode ter razão, já que todo o mundo sabe que regra geral, o propósito das sanções é provocar o descontentamento no seio das populações, para que durante as eleições vote contra o governo do dia, para que possa derrubar, sem que se recorra à força das armas.
Dito doutro modo, as sanções são a arma preferida do Ocidente para derrubar um regime que eles não gostam e que se sujeita a eleições periódicas, como é o caso do Mugabe. Onde não há eleições, este tipo armas não costuma ser bem sucedida, dai que se recorra à força das armas, como foi o caso do Iraque onde as sanções não surtiram o desfecho que se esperava, que era derrubar Saddam Hussein para se ter o petróleo que ele não deixava ser explorado ao preço da banana. Como se viu que as sanções não resultavam, forjou-se um facto e acusou-se lhe de ter armas de destruição massiva, e se lhe derrubou com a força das armas. Para não correrem o risco dele voltar um dia ao poder, executaram-no, mesmo depois de se provar que não tinha armas nenhumas e muito menos ligações com a Al Qaeda.


NEGAR O DIREITO E OPÇÕES DOS POVOS É UMA VELHA PRÁTICA DO OCIDENTE


Na verdade, o terem negado reconhecer a opção pelo Hamas da maioria dos palestinianos ou da Frente Islâmica pelos argelinos foi uma continuação da sua velha prática do Ocidente de se opor a tudo o que não serve os seus interesses. Já antes, as nações ocidentais mostraram-se contra a luta que os então povos colonizados travavam contra os países que os colonizavam, como foi o caso de nós moçambicanos.
Por exemplo, quando o povo sul-africano lutava contra o apartheid, e o seu líder carismático Nelson Mandela minguava na cadeia, os países ocidentais forneciam armas àquele regime, alegando que o faziam porque estava lutando contra a expansão do comunismo internacional.
Aliás, o mesmo Mandela viria, após sair da cadeia, elogiar Cuba num discurso que pronunciou quando da visita de Fidel à Africa do Sul, castigando na altura todos os que insistiam que ele renegasse a amizade que mantinha com o líder cubano e o seu país da seguinte maneira: muitas pessoas, muitos países, incluindo muitos poderosos, têm nos instado a condenar a supressão dos direitos humanos em Cuba. A todos temos recordado que têm uma memória curta. Isto porque quando batalhávamos contra o apartheid, contra na opressão racista, os mesmos países apoiavam o regime do apartheid – um regime que apenas representava 14 por cento da população, enquanto a maioria do povo do país não tinha nenhum direito. Eles apoiaram o regime do apartheid. E nós acabamos combatendo com sucesso o regime com o apoio de Cuba e outras forças progressistas, disse Mandela em tom sereno e naquela sua voz vibrante, antes de vincar que agora eles querem que sejamos apenas seus amigos, indo ao ponto de se darem ao luxo de nos instar a renunciarmos aqueles povos que nos ajudaram a fazer da nossa vitória possível.
Tal como o dizia nesse discurso Mandela, é curioso notar que os mesmos países ocidentais que hoje fazem barulho para que Mugabe aceite a derrota tangencial neste caso que parece ter sofrido, não param também de lançar criticas aos restantes países da região, acusando-os de nada fazer para forçar o líder zimbabweano a ceder o poder.
O que eles querem, é que os líderes da região renunciem a amizade que têm com o Mugabe que com eles marcharam nas mesmas fileiras no tal tempo em que os povos da região era tratados como bestas para carga, e por isso mesmo lutavam pelas suas independências ou pela erradicação dos regimes racistas. Não aceitam que os outros tenham os seus amigos e aliados, tal como eles os têm e nunca os abandonam em momento algum, como sabem defendê-los a todo o custo, como o têm feito em relação a Israel, não obstante esteja a ocupar há mais de 60 anos as terras palestinas, e esteja a matar todos os que são contra essa ocupação, tal como os EUA têm estado a matar todos os iraquianos que são contra a ocupação do seu país.
Como bem o diz Mugabe, os ocidentais pecam por negar aos outros povos, o que eles mesmo fazem, como quando eles teimam em manter os arsenais nucleares, mas já não aceitem que outros países as tenham também.
Como já disse num dos artigos, esta atitude do Ocidente de negar aos outros o que eles fazem e praticam com a maior das naturalidades, leva-me a compará-los àqueles mulherengos que não toleram que as suas esposas tenham também amantes. Eles podem se opor à vitória do Hamas, como à eleição de um Allende que acabaram apoiando a sua morte trágica pelo regime de Pinochet em 1973, para não implantar o comunismo no Chile, mas já Mugabe não pode se opor a ascenção ao poder de um partido que, para ele, ´´não é mais do que uma criação de Tony Blair e do seu aliado George Bush´´, para que seja alternativa aos seu governo, de modo a que promova no Zimbabwe os interesses da Grã-Bretanha e dos EUA.

PARA MUGABE O SEU PAÍS ESTÁ EM PÉ DE GUERRA CONTRA O OCIDENTE

O que poderá levar Mugabe a fincar os pés, e a optar por não ceder o poder que ainda detém, é que ele entende que o seu país está sendo alvo de duas guerras que visam derrubá-lo a si e ao se governo – que é a guerra económica, que se traduz em sanções do tipo bloqueio como se tem imposto a Cuba, e que, como se sabe, provoca a carência de quase tudo, e a guerra psicológica, que visa moldar um pensamento anti-Mugabe na mente dos zimbabweanos, para que pensem em função da perspectiva que o Ocidente quer que pensem.
Lendo o que Mugabe tem dito, tudo indica que ele acredita que o momento em que o país vive não permite que todos os zimbabweanos pensem e analisem tudo o que se está passando de modo lógico e correcto, daí que ele poderá preferir anular o resultado eleitoral, uma vez que parece estar convencido que se está em presença da tal maioria que não está correcta.
Aliás, pouco antes das eleições de 29 Março último, Mugabe já havia deixado claro que nunca iria entregar o poder à oposição, porque, para ele, esta mesma oposição foi criada de fora para agir como Pôncios Pilatos.
Ora, se para Mugabe tudo se resume numa guerra económica e psicológica, o mundo deve estar preparado a vê-lo lutar até ao fim, porque como se diz, os homens se tornam mais obstinadas e teimosas à medida que a sua idade avança. E Mugabe conta agora com a respeitada idade de 84 anos, o que certamente lhe permitiu ver tanta coisa boa e, acima de tudo, ruim, porque, infelizmente, é o que mais abunda no mundo, incluindo o insólito ocorrido nos EUA, em que Bush teve menos voto popular, mas que se apoderou do poder na sua primeira eleição, quando a maioria dos americanos havia optado por Al Gore. São estas e outras coisas que deverão levar o velho Mugabe a dizer no seu apurado inglês frases como esta: if Mr Bush did assume the presidency withouth having been voted for by the majority of his people, why should I not do the same as well, o que, em português, significa que ´´se o senhor Bush assumiu a presidência sem ter sido votado pela maioria do seu povo, porque é que eu não posso fazer o mesmo!Esta é a questão que se deve tomar em consideração pelos que acham que Mugabe deve entregar o poder ou reconhecer a derrota. Não é coisa fácil para ninguém, incluindo para os que se arvoram de pais da democracia. Que o diga Kibak e Bush que tiveram de dar o pontapé ao voto popular… Para mim, Mugabe é apenas um bom aluno do Ocidente. Para tal, basta ver como ele assimilou a língua inglesa.
gustavomavie@gmail.com
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quinta-feira, abril 10, 2008

Ambiente Juridico-Legal em Moçambique em Debate 105.5FM

Ambiente juridico-legal em Moçambique, que constrangimentos e desafios?

Este é o tema em debate no Próximo Sábado, dia 12 de Abril de 2008, pelas 13:15h na Rádio Índico 105.5 FM. Contamos com os seus comentários em relação ao tema.

Sintonize 105.5 FM
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quarta-feira, abril 09, 2008

Economistas dos CPLP: Integração Regional em Debate

Os Economistas dos Países de Lingua Portuguesa estão reunidos desde hoje em Maputo para em torno da integração regional, debater temas de interesse para a classe dos economistas destes países sobre os desafios desta nova ordem internacional.
Pese embora a integração regional para Moçambique leve-nos mais a uma integração na comunidade da Commonwealth por força geográfica e das relações que Moçambique tem com os Paízes fronteiriços, o factor lusofonia pode levar-nos àquilo que disse a Economista Miquelina Menezes, Presidente da AMECON na cerimonia de abertura do encontro, que a reunião representa uma troca de experiência destes países sobre os seus processos de integração económica regional.
Na ocasião tive a oportunidade de acompanhar atentamente o Ministro da Indústria e Comercio, António Fernando, que fez uma apresentação sobre a integração regional e o seu impacto em Moçambique, tendo apontado vários aspectos dos quais pude reter o papel dos corredores de Desenvolvimento de Maputo, Beira e Nampula para a economia nacional e a sua ligação com a economia da região e também a construção da Estrada Maputo-Witbank que reduziu as distancia e assim os custos de transacções entre Moçambique e a Vizinha África do Sul.
Apesar destas vantagens dos corredores de desenvolvimento que já existem, sou de opinião que o grande desafio para o futuro é a existência de um corredor de desenvolvimento Nacional em Moçambique, um corredor de desenvolvimento Norte-Sul ou vice versa. Os actuais corredores garatem uma forte ligação da economia Nacional com os Países vizinhos, garantem a entrada e saída de milhares de insumos dos países do interior usando os portos, caminhos de ferro e estradas nacionais, mas é importante que Moçambique tenha uma Linha que permita um fluxo desses insumos dentro do País, do norte ao sul, um CPRREDOR DE DESENVOLVIMENTO DE MOÇAMBIQUE, também para fazer face à integração regional.
Em relação à estrada Maputo-Witbank, só me preocupa o facto de termos uma portagem a menos de 10 km da Capital do País, facto que encarece o custo de viajar entre Maputo e Matola, duas cidades praticamente ligadas entre si. Apesar de a construção desta estrada ter reduzido a distancia entre Maputo e Ressano Garcia em cerca de 30Kms e de ter melhorado as condições da estrada, também encareceu os indivíduos que têm que atravessar diariamente a portagem para se deslocarem aos seus postos de trabalho.
Portanto, a integração regional tem vantagens macro-económicas, mas também têm custos e é ai onde se encontra a questão central, a análise, por parte de economistas e académicos da relação custo-benefício quando se fala de integração económica regional, e temos o caso de Angola, que por enquanto ainda não aderiu à zona de comércio livre na SADC, como um caso de estudo para ser analisado no futuro. Será que Angola fez uma boa opção? Será que Moçambique no seu actual estágio, estará em condições de ser um país concorrencial ao nível da região?
Não é por acaso que o Presidente da República Armando Guebuza saudou a escolha do tema na sua intervenção, e disse que o debate levado à cabo em Moçambique, durante o ano 2007, sobre a abertura do comércio livre trouxe ao de cima várias questões económicas e Sociais e ainda há outros desafios pela frente tais como a união aduaneira e a união monetária. o Presidente reconheceu a complexidade que este assunto envolve.

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terça-feira, abril 08, 2008

Sobre o caso Ziqo!!!

Re: Res: [mocambiqueonline] Sobre o caso Ziqo!!!

mano virgilio

o mais grave para mim foi ver que as declaracoes deziqo a policia de investigacao criminal forampublicados num diario da praca, apartir daquelemomento eu entendi que este caso do ziqo nao passa deum circo para divertir os incautos. mas porque pelaboca morre o peixe, tentei escrever no meu blog sobreos dealers da adrenalina: aqueles que nao interessaque sejamos homens da razao, de uma reflexao critica,mas cidadaos drogados na emocao, nao a bela emocao,mas aquela que nao precisa de juizo para desconfiar,distinguir uma emocao bela da ma . no fim de tudo,temos o caso do ziqo a invadir a nossa vida privada,num apelo a emocoes de uma maneira sensacionalista.isso esta errado? para mim sim. porque ninguem esta nominimo interessado em investigar e saber afinal do quese trata. se o video e feito num local publico ouprivado; se os envolvidos sao maiores de idade ou nao;se e crime o acto presenciado no video, ninguemexplica porque; se estamos perante um atentado aopudor, onde esta o quadro juridico que justifica isso,ainda nao ha o esforco dos orgaos de informacao acontactarem os juristas para melhor se informarem; ocriminoso e o ziqo ou a pessoa que roubou o celular?;porque e que o roubo de celular nao leva as pessoas aparticiparem a policia; eu fui daqueles que ja compreicelular em segunda mao num bazar na europa e tambem emmocambique com numeros ou imagem ainda gravadas namemoria do telefone, a lei no pais europeu onde estouproibiu-me de usar as imagens contidas no telefone, oque a nossa lei diz sobre a protecao da privacidade eonde para a nossa boa educacao e cultura juridica; ocorpo das bailarinas semi-nuas na tv e as imagenssangrentas de policias baleados e corpos carbonizadospelo lichamento, onde estao os limites da moral e daintegridade publica e como se manifestam; onde e quecomeca e termina uma fofoca, e o que faz os nossosmusicos pensarem que fazer fofoca significa passarmensagem ou produzir letra de uma musica, porque aultima vez que estive em maputo vi um bate-bocas demusicos sobre a sua privada em canais de radio, e naspistas de danca; que a tua publicidade de patrao naoassenta na originalidade do seu produto ou da ideiamas na distruicao da criatividade do seu adversario;nao nos interessa a razao de uma maboazuda mas o som ea danca que atrofia os sentidos de homens sexuados emoralistas; etc;uma lista de coisas que procuro entender. e cada vezmais vejo o perigo que corremos, quando em vez deexigirmos os correcto dancamos o falso. muitos denos, construimos vedacoes e grades nas nossas casaspor causa de gente que nao reconhece o direito aprivacidade e a propriedade privada, nas relacoessociais, economicas e ate sexuais das pessoas. equando instituicoes publicas e ou orgaos que deviamagir de uma forma exemplar e didactica, caiem tambemno sensacionalismo, entao estamos mal. e porque naofalta o bom discurso, ja estamos a ouvir que os jovemperdarao a moral e valores da mocambicanidade,etc...tambem problematica esta forma devolver aosjovens a tarefa de moralizar a sociedade. agora manoseu so tenho medo, que devido ao curriculo de algunsponta-de-lanca da geracao do-que-esta-dar, muitosjovens que produzem coisas fantasticas na pintura, noteatro, na musica, na escultura, na danca, literatura,poderam ser pressionados pela esta onda de produziradrenalina a qualquer custo. e posso imaginar que oresultado vai ser matar a criatividade para produzir ofalso e o sensacionalismo que tanto neste momentoadmiramos.prontos, precisamos de ziqos, mas nao para invadirem ebanalizarem a nossa vida privada, mas paraenriquecerem o mundo deEntertainment-arts-knowledge-lifestyle de mocambique.mas o ziqo neste momento esta numa situacao feia,entao so podemos dizer que: com o fim da guerra, todossao generais.la famba bicha

jorgematine

--- mbonha@yahoo.com.br escreveu:>

Carissimos,>> Ziqo nao esta arrempendido do que fez como ele fez> questao de dizer na entrevista que concedeu a STV. O> Video foi feito aproposito. Ele frisou que o video> era para consumo proprio, razao pela qual nao esta> arrependido. Ora, Isso quer dizer que a nossa> estrela tem fantasias, tipo fazer bacanais, o que> nao e mau. O que esta mal nisto tudo é as nossas> estrelas nao saberem ser nem estar numa sociedade> que quando quer penaliza as pessoas.> Se nos estivessemos numa sociedade um pouco mais> desenvolvida, com Paparazis, se calhar se> preocupavam mais com a gestao da sua imagem quando> pensarem em fazer certas coisas.> O Ziqo esta na situacao que esta por ser Ziqo. Se> fosse um Mbonha, a repercursao seria outra. e Nao> estavamos aki hoje a falar tanto assim. Ja tivemos o> caso da moca universitaria que inaugurou a aparicao> pornografica na Net, e depois dela vieram muitos e o> alarido nao foi a este nivel.>> PARA TODAS AS FIGURAS PUBLICAS GOSTAVA DE DEIXAR O> APELO PARA QUE DE ALGUMA FORMA SE SOLIDARIZASSEM COM> O CANTOR QUE E O QUE EU ESPERO DE ALGUNS FANS MAIS> SENSATOS.>> SER FIGURA PUBLICA E MUITO DIFICIL, APRENDEMOS COM> OS ERROS.


Virgilio Andre <vandrem@sortmoz.com>>

será que o Ziqo disse a verdade sobre o timing em> que foi gravado e difundido o filme? segundo ele> disse que lhe foi roubado o Cell no ano passado, ano> em que foi gravado o filme mas, fontes há que> confirmam que o mesmo foi gravado este ano e> difundido 3 dias depois o que torna a situação> fresca ehehhe!!! o Ziqo apareceu em Público pedindo> perdão aos seus fãs e publico em geral será que> merece o perdão? terá convenvido nas suas> explicações?>> Comment!>>
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terça-feira, abril 01, 2008

A andorinha do Mugabe (de Jorge Matine)

1- Escrevi aqui e aqui sobre o Mugabe. Continuo pensando na andorinha do Mugabe, e naqueles que interpretaram a minha opinião como uma diabilização ao Mugabe. Hoje somos obrigados a assistir o que todos queriam ver: a forma precipitada para “inventar” uma formula de pensar numa África integrada sem a fragmentar. Assim como aqueles que adoram a andorinha e sem amar a chuva. A meteorologia dos sentidos, penso eu.
2- A meteorologia dos sentidos parece conduzir-nos para um abismo. Transformou algumas intenções de exercício crítico numa escolha entre a diabolização do Mugabe e o recurso ao nacionalismo. As duas escolhas representam aquilo que menos sabemos fazer neste continente: criar aquilo que Karl W. Deutsch chamou de security community. Este conceito foi aquele que inspirou o acordo de Incomati, o acordo de não agressão assinado entre Samora Machel e o regime do apartheid. Trocar a baioneta pelo diálogo político, e não a troca de baionetas de uma guerrilha em maçãs de um farmeiro bóer.
3- A história repete-se. Não no Zimbabwe, mas no dia-a-dia dos africanos, porque este continente produziu muito líder que representava o diabo revestido num discurso nacionalista, desde o Bokassa ate ao Idi Amin. O que intriga neste momento é perceber como Mugabe pretende salvar o Zimbabwe, e para isso não precisamos de diabo ou de um nacionalismo que assenta em apelos emocionais, mas de um líder inteligente, pragmático, que possa promover o diálogo entre os elementos radicais de uma oposição farta do regime de mugabe e os elementos mais racionais dentro da zanu-pf.
4 - Para um continente que esta habituado a revoluções ao estilo golpe de estado, não terá chegado a altura de assistirmos a uma nova perestroika no Zimbabwe? Porque só com uma perestroika pode-se garantir que o exercito no Zimbabwe (onde estão os mais radicais elementos da zanu-pf) não tome o poder. Na experiencia da repercursão que a perestroika de Mikhail Gorbachev teve nos paises vizinhos e do bloco sovietico, podemos vir a assistir tambem num futuro proximo o impacto da perestroika zimbabweana em alguns paises vizinhos região.
4 - Agora caros bloguistas imaginem que neste momento a vossa situação social e económica seja esta: tens 84 anos, casada/o com um(a) mulher/Homem 30 ou 40 anos mais jovem do que tu, tens dois filhos menores, governas um pais em crise económica, os teus amigos vem bater a porta para exigir favores, a única pessoa que tem a maior possibilidade de tomar o teu poder não reconhece os teus compromissos com amigos e tua família, os teus vizinhos estão a espera que a morte te visite para distribuírem a tua herança entre eles, e o mundo pensa que estas velho demais enquanto a tua família quer te poderoso e vigoroso por muito mais tempo, mas a tua inteligência diz que não podes planear as coisas a longo prazo porque não poderás ter vida para ver o resultado.Usando a meteorologia de sentidos, como poderas resolver este maka da tua vida?

la famba bicha
jorgematine
www.chapa100.blogspot.com

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sábado, março 29, 2008

Liberdade de Imprensa em Debate 105.5 FM

A Radio Índico vai debater no Próximo sábado, 5 de Abril de 2008, no programa MOÇAMBICANDO, pelas 13:00h, a Liberdade de Imprensa: Sensacionalismo e censura.

1. A Liberdade de imprensa é uma realidade em Moçambique?
2. Existe sensacionalismo em Moçambique ?
3. Existe censura em Moçambique ?
4. Quando é que a informaçao passa a sensacionalismo ?
5. Existe algum orgao de informaçao ou webpage ou ainda blog onde nao exista censura ?


Envie a sua opiniao para mocambicando@gmail.com ou para 82 7124140

Participe !!!

Sintonize 105.5 FM




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terça-feira, março 25, 2008

O que a juventude de Moçambique não deve imitar dos portugueses

Joao Craveirinha escreveu:

Introdução

A má-educação, falta de respeito pelos mais velhos, existente em Portugal , quer em casa quer na escola, resulta nesta situação lamentável numa Escola portuguesa com certeza que poderão ver no vídeo inserido na peça textual.
E os nossos jovens "neo-colonizados" pela RTPÁfrica se tornarão de ainda mais imitadores de jovens portugueses mal-criados (bem bastavam os que cá temos).
Note-se que incrivelmente é em Moçambique onde a RTPÁfrica tem maior audiência pelo sinal aberto prejudicando a televisão pública TVM. São cerca de meio milhão por dia que visionam a RTPÁfrica em manifesta invasão do espaço directo em Moçambique "violando o espaço da soberania cultural". (Bem é mais uma de muitas).
É uma situação que nem em Portugal acontece onde a RTPÁfrica não tem sinal aberto em directo, somente por Cabo u parabólica como em Angola que não aceita essa violação. Será se calhar por isso que a TPA tem evoluído mais rápido que a TVM.
A "culpa" não é de Portugal mas sim das autoridades ou Governo de Moçambique que a esse neo-colonialismo permitem. A lavagem cerebral já começou há muito tempo e nem nos tempos da "assimilação colonial do indígena" seria possível.
Isto foi um aparte porque nada do que se consome é "inocente". E cada vez mais em Televisão naquilo que seria definido por Horkheimer em 1947 como Dialéctica do Iluminismo - cultura de massas (hoje Indústria da Cultura) e parafraseando Kant diríamos que esta massificação serviria para "consolidar uma menoridade mental" estimulada pelos "mass media" com programação de chacha indutora de mediocridade. Terminado esta breve introdução ao tema principal citaria Karl Popper que alertou-nos que a Televisão: (pode ser) Um Perigo para a Democracia. Amen! JC

P.S. Resta-nos a consolação que raros mas ainda há exemplos de professoras portuguesas, abnegadas no exercício das suas funções. A moral da estória poderia ser esta: se estes miúdos (do vídeo) na sua maioria, não respeitam os pais em casa que lhes estragam satisfazendo todos os seus caprichos, a quem irão respeitar? O que dizer mais? Bem, mal, em Moçambique os filhos "roubam" os Mercedes (de serviço oficial) aos pais e estatifam-nos. Bem nem sempre são Mercedes mas...

Vídeo: professora está deprimida
2008/03/22 11:54- LM
Tem estado recolhida em casa e não quer falar. Sente-se «enojada»
Multimédia: vídeo

http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=930790&div_id=291#
Deprimida, fechada em casa e sem querer falar do assunto e até «enojada» de ver o vídeo. É assim que se sente Adozinda Cruz - a professora de Francês, do Carolina Michaelis, agarrada e empurrada por uma aluna de 15 anos a quem tentava tirar o telemóvel na sala de aula. «Está deprimida e quer resguardar-se» do mediatismo a que foi sujeita após a colocação do vídeo na internet, disse fonte próxima da docente ao DN.
O Correio da manhã acrescenta que a professora tem estado em casa recolhida e sem querer falar sobre o assunto, já tendo recebido a solidariedade de outros docentes. Face à repetição constante das imagens na abertura dos telejornais, a professora terá dito a colegas que «não está habituada a andar na ribalta e que está enojada de ver o vídeo».
Colega de Adozinda Cruz na instituição de ensino, Fernando Charrua explicou ao DN que «não deve ser fácil para uma pessoa com aquelas características ver o vídeo a abrir todos os telejornais». A docente de língua francesa, que está no topo da carreira, «é uma pessoa muito recatada, que fez um belíssimo trabalho e trabalhou que se fartou» na Associação Portuguesa do Parlamento Europeu dos Jovens [APPEJ] «e agora é vilipendiada».

O que diz o Estatuto do Aluno
O novo Estatuto do Aluno proíbe os alunos de levar telemóveis para as escolas e, sobretudo, usá-los de forma perturbadora nas aulas. Como tal, Patrícia, de 15 anos, deveria ser castigada. Por tudo o mais que aconteceu durante a luta com a professora pela posse do telemóvel, nomeadamente berros, empurrões, e total insubordinação e falta de respeito pela professora, a aluna poderá ser suspensa até dez dias ou transferida de escola.
Só que, segundo o JN, a Escola Secundária Carolina Michaelis ainda não adaptou o seu regulamento interno ao novo Estatuto do Aluno. Ainda segundo o mesmo jornal, a escola terá questionado a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) sobre as regras que deverá seguir.
AO JN, Fernando Charrua, professor de Inglês no Carolina, defendeu que «devia ser aplicada a pena máxima [transferência de escola] à aluna. Não tenho dúvida. A aluna pode ter-se descontrolado, mas teve um comportamento completamente desajustado e humilhou gratuitamente a professora, que vai acabar a sua carreira com esta mágoa».


Estatuto do Aluno tira ou dá mais autoridade ao professor?
O PSD quer que o Governo altere o Estatuto do Aluno, que acusa de ter retirado autoridade aos professores e de permitir que os alunos façam o que quiserem na sala de aula sem chumbar o ano.
O deputado Pedro Duarte, vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD, disse à SIC Notícias, que os alunos não chumbam o ano por faltas e que podem ser indisciplinados sem chumbar o ano e pediu mudanças ao Estatuto do Aluno.
Esta reacção surge um dia depois de o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, ter dito, em entrevista à TSF, que o novo Estatuto do Aluno permite combater os casos de violência nas escolas, tendo lamentado o caso da aluna que agrediu a professora na escola Secundária Carolina Michaelis por causa de um telemóvel.
Valter Lemos frisou que o Governo, ao aprovar o novo Estatuto do Aluno, deu às escolas um instrumento para reforçar a autoridade dos professores, bem como a proibição do uso de telemóveis nos estabelecimentos de ensino.
«É necessário continuar a reforçar a autoridade dos professores nas escolas e das escolas sobre essas situações» de agressão, «para que possam agir de forma atempada e útil na resolução» de casos como o que ocorreu no Porto, sublinhou à TSF.


Custódio Duma escreveu:

Nao seria o contrario sem a TVM tivesse o espaço maioritário.

Principal programacao da TVM sao novelas brasileiras e musica pandza e dzukuta (um apelo a pornografia, o que outro cantador acabou divulgando atraves de um video amador em pleno acto).

As vezes fico na duvida sem a TVM é publica ou privada porque ate os programas do jogo, via sms proliferam sem regra. Junta-se o chat da noite que proporciona encontros.

Mais do que um problema de imitar os portugueses, parece que nós temos tambem muito por vender.

E concordo com o mestre quando responsabiliza o governo mocambicano.

Sorry


w















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segunda-feira, março 24, 2008

DISCURSO DO PRESIDENTE ARMANDO GUEBUZA NAS CERIMÓNIAS DO 40º ANIVERSÁRIO DO DESAPARECIMENTO FÍSICO DE TOMÁS NDUDA

Ilustre família Nduda;
Senhor Governador da Província de Cabo Delgado;
Senhores Membros do Conselho de Ministros;
Senhores Vice–Ministros;
Senhor Administrador do Distrito de Muidumbe;
Ilustres Convidados;

Caros Compatriotas.
De muitos cantos do nosso belo Moçambique convergimos para Muidumbe com o objectivo de dar continuidade ao movimento nacional de celebração da vida e obra dos nossos heróis tombados na Luta de Libertação Nacional, há 40 anos. Este movimento foi lançado no dia 10 de Outubro de 2006, com a homenagem ao primeiro Chefe do Departamento de Segurança e Defesa, Filipe Samuel Magaia assassinado por balas inimigas no interior do Niassa.
Ao longo deste ano, e nos próximos, haverá mais nacionalistas cuja vida e obra deve ser celebrada e exaltada, do Rovuma ao Maputo e do Indico ao Zumbo, por todos e por cada um de nós. Participemos e diversifiquemos as formas de recordar estes combatentes da nossa libertação.

Hoje viemos homenagear Tomás Ndunda, nacionalista abnegado e combatente destemido, que as terras de N’Chigama, Posto Administrativo de Nampanha, neste Distrito, viram nascer. Neste local se juntam hoje muitos combatentes que com Nduda marcharam em muitas frentes de batalha. Os testemunhos que acabámos de ouvir dos seus companheiros de luta constituíram-se num emocionante desfiar das suas virtudes de valoroso lutador nesta Pátria de Heróis.
Viemos a Muidumbe:
  • para ver as terras que Tomás Ndunda palmilhou;
  • as árvores que trepou e nelas se abrigou do calor escaldante; e
  • para conviver com a sua família, amigos e companheiros da longa mas exaltante caminhada rumo à nossa libertação.

Sobretudo, viemos, como sempre declaramos, reiterar que pegámos na arma do nosso companheiro Tomás Nduda e prosseguimos com a luta até à vitória final. Viemos reafirmar que, como ele, continuamos a realizar, pedra a pedra, o sonho de um Moçambique mais unido, em Paz e enraizando a democracia que, com ele lançámos os seus alicerces. Continuamos igualmente empenhados na construção da prosperidade do nosso Povo e a assegurar que este seu Moçambique, o nosso Moçambique, ocupe o seu devido lugar na Comunidade de Nações.

Minhas Senhoras e Meus Senhores
A evocação da memória dos nossos heróis perpetua a relação que com eles devemos sempre estabelecer e manter. Sobretudo, este é um acto de reconhecimento e exaltação do seu papel na construção da nossa Pátria Amada. Eles, como os nossos antepassados, os nossos mitos e lendas, as nossas datas e locais históricos, são esteios da nossa própria personalidade, como um Povo, e engrandecem a nossa moçambicanidade, rica na sua diversidade e dinâmicas. Em todo este património assenta o nosso sentido de auto-estima e de orgulho por sermos donos e responsáveis pelos destinos da nossa Pátria Amada e de sermos continuadores destes nossos heróis e guardiões do património que por eles nos foi legado. É também neste contexto político, histórico, social e cultural que se alicerçam as nossas convicções de que, como vencemos a dominação estrangeira, também venceremos a fome, a miséria e a carência de bens essenciais à vida. Numa palavra, a vitória sobre a pobreza está ao nosso alcance. Que, como ontem, cada um de nós continue a fazer a sua parte nesta nova luta.

Minhas Senhoras e Meus Senhores
A trajectória de Tomás Nduda que hoje celebramos e exaltamos, faz-nos reviver momentos empolgantes da nossa libertação da dominação estrangeira e da bravura e determinação dos moçambicanos, em todo o nosso solo pátrio, de realizar os seus sonhos. A sua incorporação no exército colonial em nada corroeu a sua vontade de fazer a sua parte para a nossa libertação do jugo colonial. Pelo contrário, esse convívio com elementos do exército português, em Moçambique e em Macau, nele adensou a sua consciência e determinação em continuar a desmistificar a falsa crença de que a raça, a tribo ou a crença religiosa eram critérios para a diferenciação de homens e mulheres em Moçambique e no mundo. A sua incorporação também lhe deu ricas lições de táctica militar e de manipulação de artefectos da guerra que lhe vieram a ser úteis mais tarde.


O trabalho forçado a que eram sujeitos os seus compatriotas, o massacre de Mueda e os ventos da mudança que sopravam na Africa Austral, incluindo a Independência do Tanganyika, impeliram Nduda a dar o próximo passo. Ele integra, assim, a rede clandestina do nosso movimento de libertação e assume as tarefas que lhe são confiadas, com denodo e sentido de missão e pátria. Ele consegue encontrar formas criativas para iludir a vigilância colonial e realizar um trabalho de mobilização e de recrutamento de mais compatriotas para o movimento de libertação. Esta experiência vai também ser-lhe útil nas próximas tarefas que recebe.

Ele viria a ser treinado como guerrilheiro nas zonas libertadas em Moçambique, facto que testemunha a presença permanente e crescente dos combatentes no interior, logo depois do desencadeamento da Luta de Libertação Nacional. Para que estes treinos político-militares fossem realizados havia necessidade:

  • de se criarem rotinas;
  • garantir-se a produção; e
  • a assistência social e logística; isto é,

era necessário criar, sofisticar e exercer a administração política social e económica destes espaços geográficos, livres da dominação estrangeira. A transformação de instituições de ensino em quartéis, como aconteceu em Nambuda, era sinal de que o fogo libertador estava a ter um efeito directo sobre a máquina colonial, no seu todo, e a criar desespero no seio da instituição militar, em particular.


Os destacamentos por onde Tomás Nduda passou, como o de Inhambane, demonstram como, desde o início, colocámos ênfase na Unidade Nacional, a arma mais sofisticada que levaria à derrota de um numeroso e bem equipado exército colonial, apoiado por uma polícia política sanguinária, a PIDE, e por um sistema de administração racista e fascista. Baptizar as bases com esses nomes retirados da toponímia nacional tinha, como um dos objectivos, cultivar e cimentar a consciência, nos combatentes da nossa Luta de Libertação e na população em geral, de que Moçambique se estendia do Rovuma ao Maputo. Tinha também como outro objectivo demonstrar que a guerra prolongada em que se encontravam engajados era a continuação de outras guerras de resistência que tinham tido lugar em diferentes pontos geográficos do seu Moçambique que davam nome a estas bases e destacamentos.

Hoje também notamos, com muito agrado, como, no quadro da consolidação da Unidade e consciência nacionais, localidades, artérias urbanas e infra-estruturas, como escolas, ostentam nomes de heróis, de locais e de datas históricas nacionais. Por exemplo, uma das ruas da nossa cidade capital ostenta o nome de Tomás Nduda este nacionalista cujo quadragésimo aniversário da sua morte hoje celebramos. Outras iniciativas de moçambicanização da nossa toponímia estão em curso, facto que louvamos e encorajamos, exortando para a sua célere conclusão.

Tomás Nduda também se destacou pela sua bravura, tenacidade e capacidade de mobilizar o nosso Povo para a luta. Homem sem pavor, não hesitava em enfrentar o inimigo no seu próprio reduto, onde este pensava que se sentia mais seguro: os seus próprios quartéis. Foram várias as missões de mobilização do povo, de reconhecimento de alvos e de combate em que esteve envolvido. Em todas estas missões ele revelou-se um nacionalista abnegado e combatente destemido, sempre comprometido com a causa do Povo Moçambicano. Ele encontra a morte, justamente no cumprimento de mais uma destas missões, em Nambuda.

Quarenta anos depois da sua morte em combate, aqui estamos, Camarada Tomás Ndunda, para dizer que o sacrifício que consentiste, na sua forma mais alta que é a da oferta da própria vida, não foi em vão. O Moçambique porque lutaste já é livre e independente. O futuro risonho com que sonhaste para o teu Povo está em construção, com a paz e com a Unidade Nacional como nossas fontes de inspiração permanente.
A jornada é ainda longa como podemos testemunhar mesmo aqui em Muidumbe. Muitas são ainda as necessidades básicas a satisfazer, mas estamos comprometidos, como tu também estiveste, em transformar os recursos de que somos dotados, incluindo os intelectuais, para continuar a construir este nosso belo Moçambique. A luta contra a pobreza será, como foi a luta de libertação nacional, uma luta prolongada, mas como ontem, hoje também reafirmamos a certeza de que desta nova luta também sairemos vitoriosos. Este é o monumento que estamos a construir em tua homenagem e em homenagem a todos aqueles que deram as suas vidas por esta Pérola do Indico.

Reiteramos a nossa exortação para todos participarmos neste movimento de exaltação da vida e obra dos nossos heróis. Este é, acima de tudo, um movimento de consolidação da nossa auto-estima e expressão do orgulho pela nossa História e feitos.

Viva a memória inesquecível de Tomás Nduda;
Viva a Unidade Nacional;
Moçambique hoye!
Muito obrigado pela vossa atenção.

Muidumbe, 23 de Março de 2008
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quarta-feira, março 19, 2008

Custo de Vida em Debate na Radio Índico

A Rádio Índico promove no próximo sábado pelas 13:00h, com a participação de bloguistas Moçambicanos, um debate sobe o custo de vida, que, a cada dia, tende a subir no Pais.

Não perca sábado 22.03.2008 pelas 13:00h na rádio índico 105.5 FM - Sintonize a Rádio Índico


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terça-feira, março 18, 2008

FRELIMO & RENAMO Bloguistas

Dalton santos said:

Hoje a minha jornada, diária, pelos bloggs moçambicanos, não foi longe, encurtei-a ao depara-me com o texto abaixo, que apenas limitei-me a procurar entender se de facto existe alguém neste mundo com coragem, pois não basta a mera vontade, para tamanha barbaridade. Enfim por repudiar tal pensamento, tão míope, insurjo-me …
Where are the Frelimo bloggers?
It is striking that the Mozambican blogosphere is dominated by creative, bright, alert and sharp Renamo sympathisers. Are the Frelimistas hiding, are they shy or don't they feel at ease demonstrating where they belong?It's about time you come out from your closets, camaradas!Fonte: Bosses blog (http://bossesblog. blogspot. com/2008/ 03/where- are-frelimo- bloggers. html#links)
http://comunidademo cambicana. blogspot. com/
Não sou camarada!!! Mas escrevo - www.mozvoz.blogspot .com - meus pots, sobre a situação, económica, politica e social de Moçambique, sem cor partidária, muito menos como fruto do pensamento de um grupo agregado de alienados ao pensamento de um e que convertem outros tantos em cegos alienados ou seja puros alienados e sem capacidade de reflexão para alem das barreiras forçadas por uma ideologia sem sustentáculos sociais e políticos, credíveis, impostas por indivíduos com défice de pensamento – sou apartidário, mas escrevo! www.mozvoz.blogspot .com
Não me fio em cartões para pensar, sejam eles de que cores forem, não me fio em cartões para viver, vivo como fruto da minha imaginação e criatividade. Não vejo a politica como profissão – não sou corruptível e não me deixo consumir por ideologias corruptas.
Digo em viva voz, aos Bloguistas da renamo, que estão, redondamente enganados e com uma visão bastante míope, da blogsfera moçambicana, se de facto, pactuam da opinião, do bloguista simpatizante de ideologias.
Sou partidário do positivo para o povo, sou apartidário de uma oposição construtiva, o que tem faltado na nossa vasta pátria.

Noa Inácio said:
Dalton, desculpe-me por nao ter participado no debate a tempo, comungo plenamente das suas ideias e deixa-me acrescentar se alguem pensa realmente que a blogsfera e do dominio de alguma forca partidaria, me deixa sobretudo com a sencao de que essa pessoa nao tem lido os artigos que se escreve, dos textos que se divulgam, do debate que se faz e mais grave menospreza as nossas competencias. .

Sinceramente, se alguem disse isso incorreu no grave erro, de querer usar os menos indicado, pois e na blogsfera onde se encontram os verdadeiros debates de ideias, e penso que ao continuarmos a discussao, so damos mais motivos de fala aos que proferem esses improperios.

Mas a eles digo e repito, cuidado.

Book Sambo wrote:

Caro Noa,
Eu tambem senti-me muito agastado quando ouvi esses comentarios. E' caso para dizer: "so faltava essa".
Ha pessoas que nao conseguem debater ideias sem misturar com a politica. Um debate isento de politiquisses, esta cada vez dificil no nosso pais.
Afirmar que a blogsfera e' um espaco para onde a RENAMO se refugiou e actualmente toma conta dele, e' o mesmo que repudiar a cultura do debate. Para quem pensa que os bloguistas mocambicanos sao da RENAMO, tenho muito a lamentar. Isso significa por outro lado que no nosso pais e' proibido ter uma ideia diferente da propalada pela FRELIMO. Significa tambem que quem nao concorda com a FRELIMO e' automaticamente da RENAMO.
Para mim, esse pensamento e' tipico de alguem com pouca capacidade de argumentacao. E acho perca de tempo discutir esse tipo de assuntos.
Caros compatriotas, parece que os politicos nao gostam de pessoas que pensam. Mas se quisermos crescer intelectualmente nao devemos ter medo de pensar diferente.
Abracos aos amigos da "Liberdade de Expressao".


Bayano Valy said:
caros,

tenho tido pouco tempo para escrever nestes últimos dias. espero que a situação irá melhorar daqui há duas semanas quando voltar ao país.

bem, o que me leva a escrever este pedacito é tão somente para acrescentar a minha humilde sobre o título em epígrafe. acho eu que o que não foram os da Renamo que escreveram a postagem no blog do boss. foi o próprio boss. e me parece que já lhe chegaram achegas vindas de alguns bloguistas moçambicanos.

o boss apenas se limitou a fazer uma pergunta um tanto a quanto generalista talvez fruto das suas observações. uma coisa é que os bloguistas que se identificam como sendo da renamo são conhecidos e identificam como tal. e deve ter sido essa a razã que o levou a fazer a postagem.

penso que o que devia ser debatido é o pressuposto de que a bloguesfera moçambicana é dominada por simpatizantes da renamo, e que os tais bloguistas são inteligentes, creativos, alertas, entre outros, e não que os simpatizantes da renamo estejam redondamente enganados - o ponto colocado pelo blogue não foi esse.

um abraço

bayano valy
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terça-feira, março 11, 2008

Reunião na ONU. Dirigentes Africanos pensando em Desenvolvimento

Sem comentários
De: Cassimo

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quinta-feira, março 06, 2008

Excerto do discurso de Samora Machel

Excerto do discurso de Samora Machel, aquando da tomada de posse do Governo de Transição em 1974

"Queremos chamar atenção ainda sobre um aspecto fundamental: a necessidade de os dirigentes viverem de acordo com a política da Frelimo, a exigência de no seu comportamento representarem os sacrifícios consentidos pelas massas. O poder, as facilidades que rodeiam os governantes podem corromper o homem mais firme.
Por isso queremos que vivam modestamente com o povo, não façam da tarefa recebida um privilégio e um meio de acumular bens ou distribuir favores.
A corrupção material, moral e ideológica, o suborno, a busca do conforto, as cunhas, o nepotismo, isto é, os favores na base de amizade, e em particular dar preferência nos empregos aos seus familiares, amigos ou a gente da sua região fazem parte do sistema de vida que estamos a destruir. "
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Comentários:

De: Noa Inacio inacio lubanhane@yahoo.com.br


Cordiais Saudacoes a todos

Tenho estado nos ultimos dias a ouvir cada vez mais SAMORA. Sendo citado na Internet, nas músicas, nos debates televisivos, SAMORA VIVE, como diz a obra e parece viver mais a cada dia que passa.

Bem nào quero aquí falar de SAMORA pois ja o fiz num texto escrito que pode ser encontrado no blog noainacio.blogspot.com com o título O QUE A GERACAO POS-SAMORA SABE SOBRE SAMORA para o qual convido-te a ler.

Se nao é para falar de SAMORA concretamente, aproveito para dizer que tenho sentido para minha satisfacao que SAMORA tem sido um refugio um canto de paz, quer para académicos incoformados, políticos honestos, empresários nacionalistas, enfim por uma mescla de pessoas que realmente se preocupam com a progressào de Mocambique. E o que me deixa mais satisfeito e ver que grande parte das pessoas que sitam SAMORA nào viveram o período SAMORIANO, mas através da história acham que pode-se resgatar parte do período, no que concerne a principios, e estrategias de accao de modo a dinamizar o crescimento do país.

Como Nhachote, disse uma vez, porque nao abordarmos o lado negativo de SAMORA, penso que nós que o citamos, que o exaltamos nào pensamos que ele tenha sido um paranormal, estamos conscientes de que ele era humanos, mas pensamos que o mais importante é olhar para o periodo SAMORIANO, ir buscar o correcto, o bom e deixar o que nao interessa, porque SAMORA esse o saudoso era um e unico, never more, mas como se disse e repito, muito dos principios, objectivos, estrategias, linhas de accao, visào, mostram-se actuais, e cada vez mais actuais. VOLTEMOS AO PASSADO E BUSQUEMOS O QUE TEM LA ATRAZ QUE NOS INTERESSA. NAO PROCUREMOS SAMORA, PROCUREMOS AS COISAS POSITIVAS DO PERIODO SAMORIANO.

TENDO DITO MUITO OBRIGADO
Noa

albino vallia escreveu>>


Meus Manos,> > O pensamento de samora em todos os aspectos é actual, quer na educação, política, trabalho e aquilo que muitos hoje negam, as aldeias comunais.> > Ora vejamos, as grandes cidades cidades nescem do agloerado de pessoas, para uma boa gestão dos servoços sociais e infraestruturas económicas, o acesso da educação, da saúde, água potável entre outros benefícios que as "aldeias comunais" poderiam trazer para a população.> > Na educação, dizia ele, que era necessário "fazer da escola a base para o povo tomar o poder", isso equivale a dizer que é preciso ter homens instruidos para que possamos dominar a ciência e a técnica e nos tornarmos autónomos nos nossos a fazeres.> > No trabalho segundo Samora, "a pontualidade é regra de disciplina, porque a sirene não marca a hora de chegada à fabrica, mas sim a hora do começo do trabalho" e hoje assistimos grandes problemas de horários, vezes sem conta chegaas a uma instituição as 07:30 ninguem lá está e as vezes até as 08:00 portas ainda fechadas.> > Por isso, continuo a dizer que o pensamento de samora é válidos em todos os tempos.

> > jorge matine escreveu:>

mano nhachote

> > penso que samora deve ser estudado, nao so pelas suas convicoes politicas, mas como um estadista, incluindo o seu aparato ideologico e pensamento de estado. acho que os problemas que hoje temos em mocambique, nao podem ser reduzidos ao desaparecimento de samora. o que levou samora a definir esses problemas de corrupcao material, moral e ideologica aqui relatados como aqueles que contribuem para a perpetuacao da desigualidade mocambique? ou como prioridades da governacao da frelimo? que mecanismos a frelimo criou para que os seus dirigentes nao fossem corrompidos? e samora faz esta declaracao em 1974 e porque ate hoje esta declaracao parece actual?
> > sao algumas perguntinhas mano que levanto quando leio esta declaracao de samora.
> > um abraco
> > la famba bciha
> jorgematine> http://www.chapa100.blogspot.com/


luis nhachote escreveu:

A propósito... é mesmo para lembrar a quem se esqueceu e dar a conhecer a quem não ouviu samora dizer isto.> > > > > >

Excerto do discurso de Samora Machel, aquando da tomada de posse do Governo de Transição em 1974


"Queremos chamar atenção ainda sobre um aspecto fundamental: a necessidade de os dirigentes viverem de acordo com a política da Frelimo, a exigência de no seu comportamento representarem os sacrifícios consentidos pelas massas. O poder, as facilidades que rodeiam os governantes podem corromper o homem mais firme.

> Por isso queremos que vivam modestamente com o povo, não façam da tarefa recebida um privilégio e um meio de acumular bens ou distribuir favores.

> A corrupção material, moral e ideológica, o suborno, a busca do conforto, as cunhas, o nepotismo, isto é, os favores na base de amizade, e em particular dar preferência nos empregos aos seus familiares, amigos ou a gente da sua região fazem parte do sistema de vida que estamos a destruir. "
> Repassem!


Zualo escreveu:

DIZ-SE POR AI NOS VELHOS DITADOS QUE O IMPOSSIVEL É NASCERMOS DE NOVO MAS, COLEGAS UM DIRIGENTE LIMPO "COMO SAMORA MACHEL COM ESPIRITO UNIDO ÁS SUAS AC,COES, COMPROMETIDO COM OS ANSEIOS DO POVO E RARO NOS DIAS DE HOJE EM AFRICA ONDE O PODER AS VEZES É HEREDITARIO PARA SE COBRIR ASPECTOS NAO ABONATORIOS PARA A GOVERNACAO.
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segunda-feira, março 03, 2008

Moçambique Online e Rádio Índico 105.5 FM

Todos os sábados a partir das 13:00h na Rádio Índico 105.5 FM vai ao ar um programa radiofónico virado para os participantes na blogosfera e nos fóruns de internet.
Pretende-se através do programa trazer alguns dos assuntos tratados na internet para a rádio, de modo a que um maior número de pessoas saibam mai9s sobre o papel da internet e da blogosfera em particular, na sociedade Moçambicana.
Basílio Muhate, Book Sambo e Jorge Oliveira estarão no ar todos os sábados em 105.5 FM com vários convidados, bloguistas Moçambicanos e não só.

UMA INICIATIVA DA RÁDIO ÍNDICO E MOÇAMBIQUEONLINE
105.5 FM

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quinta-feira, fevereiro 28, 2008

HOJE QUANDO ACORDEI

HOJE QUANDO ACORDEI
PARA dOMI chirongo, COM MUITO CARINHO!

hoje quando acordei
encontrei uma coruja no meu quintal
de ilhos brilhantes lhe saudei
indiferente olhou para mim e um voo arrumou


hoje quando acordei
encontrei no meu coração
um sentimento
que não é apenas meu
um sentimento do meu divino povo

hoje quando acordei
de viva voz gritei
ninguém me respondeu
mas a voz continuou a ecoar
tão longe até secar as lágrimas de tenga
até secar as águas das cheias do zambéze
até secar as magoas dos meus irmãos

hoje quando acordei
pensei em ti
vi que tens um coração grande
que acolhe todas as misérias do meu povo
hoje quando acordei
pensei em ti
hoje quando acordei!

élio martins mudender

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