Mocambique Online: Do Rovuma ao Maputo somos todos uma única nação diversificada em culturas e hábitos que fazem a nossa vivência !! Este espaço serve para unirmo-nos na diversidade e para juntos construirmos um moçambique cada vez mais rico !! Espaço de amizade e de debate sobre Moçambique, sua cultura, seu desenvolvimento, seus constrangimentos e tudo o que esta ligado aos moçambicanos !!
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A Embaixada dos Estados Unidos da América (EUA) lançou, sexta-feira última, dia 27 de Fevereiro, o relatório anual do seu Departamento de Estado sobre Direitos Humanos em Moçambique. No dia seguinte, sábado, adquiri uma cópia do diário Notícias, na esperança de que veria algo sobre a publicação dos irmãos da terra do “Tio Sam”, em forma de notícia, reportagem ou artigo de análise, mas nada; coisa normal esta, atendendo e considerando que os jornais não são elásticos, ao que se acresce o facto de cada jornal ter os seus critérios de noticiabilidade.
Guiado por esse espírito de inelasticidade dos jornais, esperava, quando percorria as páginas do mais antigo diário moçambicano desta segunda-feira, 2 de Março, ver algo sobre aquele relatório, ao qual ainda não tive acesso, tendo em conta o carácter ‘universal’ da noticiabilidade de certos factos. E não estava enganado! Lá vi uma notícia sobre o documento, mas em moldes diferentes daqueles em que os manuais de jornalismo recomendam.
Para ser mais directo: vi, na página três do Jornal Notícias de hoje, a reacção da ministra da Justiça, Benvinda Levy, e não matéria a explicar, em sinopse ou não, o que diz o relatório dos EUA sobre Direitos Humanos em Moçambique. “Justiça e Direitos Humanos com avanços e retrocessos”, titula o Notícias, para, em subtítulo, escrever: “considera Benvinda Levy, reagindo ao relatório do Departamento de Estado norte-americano”.
Que inovação jornalística é esta, caros compatriotas, que, em desabono da mentira, nem é assim tão nova nas páginas do mesmo título, particularmente quando o assunto são críticas ao desempenho do dia? Que será dos que somente lêem o Notícias? Terão razão os que dizem que o Notícias é um jornal governamental? Que será de nós no dia em que o domingo se antecipar ao sábado?
Ainda na manhã desta segunda-feira, enquanto caminhava ao meu local de trabalho, ouvi, no “Café da Manhã”, da Rádio Moçambique (RM), o mano Emílio Manhique a “entrevistar” a ministra da Justiça. Logo a começar a conversa, Manhique foi buscar um trecho aparentemente incómodo, para depois pedir a reacção da “convidada”. Fê-lo como se já soubesse qual é a opinião da ministra sobre o documento, indo directamente às questões específicas. Recebeu algum guião, comrade Manhique?
Quando um governo se desdobra em reacções e/ou desmentidos, usando e abusando do seu poder sobre alguns espaços mediáticos, costuma a ser um forte indício de que pode haver muito de verídico no que se procura “aclarar”…
Ou estaremos em presença de uma nova especialidade jornalística?
A 09.01.09 o Semanário Savana publicava nas suas páginas 30, destinada a publicidade, uma carta aberta com o título "Escritores escrevem ao Padre Couto". Título que, à primeira, convidou-me a reflectir para um pedido econemico por parte dos "Escritores". Enganei-me, eram 28 pontos em que os "escritores" tentavam arrancar e destruir a reforma curricular em voga na UEM, a nossa Universidade mor. Três dos 28 pontos tornaram-se nos meus pensamentos corrupio de viagens à nossa realidade actual no Ensino Superior. Deste modo, começo por dizer que os detractores do novo Plano Curricular ao escreverem abertamente ao Padre-Reitor, além de conseguirem tornar polémico o início desse ano lectivo na UEM, dão espaços de se debater, fora da UEM, duas questões: Manter um modelo de Universidade que têm falhado em grande parte da sua missão, onde a maioria dos seus formandos distinguem-se pela mediocridade, ao serem meros transmissores do que encontraram nos livros e nas muitas cadeiras que não tem relevância para o papel que desempenham na sociedade; ou Enveredar por um modelo praticado pelos países da região e assim garantir, em termos gerais, uma maior mobilidade (a possibilidade de mudança de rumo e/ou de país por exemplo), uma maior empregabilidade e uma maior confiança dos empregadores nos diplomas, quer em Moçambique quer na SADC. Os "escritores" detractores, assim como os defensores da 1ª questão, procuram fazer acreditar que continuar a propiciar aos estudantes um sem fim de cadeiras que os ajudava "num exercício amplo de conhecimento e de cultura geral", a UEM estará a cumprir grande parte dos seus deveres que não foram vistos ao longo desse tempo. Como pode?!! Basta uma pequena busca aos anais do saber para verificar que rabiscando o que de importante veio da Universidade nestas últimas décadas, na cultura, nas artes, na tecnologia, na inovação, na administração pública, no desporto, no olhar crítico sobre a sociedade, na intervenção e no acompanhamento permanente da vida económica e social, a lista não sairá de um paragrafo de 2 linhas! Mais, se procurarmos saber o que de melhor se fez na economia, na agricultura (a base de desenvolvimento constitucionalmente consagrado), na saúde pública, na investigação, na ligação às empresas, na formação ou no acompanhamento das realidades públicas, constataremos que, além de quase tudo ter sido feito fora da Universidade, muito pouco apresentou na investigação autónoma. Foi deficiente na ligação às empresas. Assim-assim na formação, com profissionais incultos e mal preparados. Mais ou menos no Ensino, de qualidade medíocre. Muito mal no acompanhamento das realidades públicas, economia, sociedade, demografia, políticas públicas, habitação, saúde pública, sistemas de transportes, administração pública... Mas muito bem a albergar dezenas de milhares de candidatos e de assim colaborar no formidável crescimento da população a frequentar o Ensino Superior. Afinal onde andou o tão defendido curriculum com um leque riquíssimo de cultura geral?! É esse modelo que prioriza a quantidade que queremos? Meus caros Escritores! Defender o novo plano curricular e a posição do Padre Couto é dizer que a Universidade só é melhor quando acompanha as mudanças da sociedade em que ela vive! Quando apresenta ideias abraçadas à primeira pelas empresas, pelo Governo. Quando é capaz de apresentar um elevadíssimo grau de responsabilidade, compatível com uma enorme autonomia dos seus formandos. Quando é um local da maior criatividade possível e de incontido espírito inovador.
Os pontos 25 (... os docentes estão de acordo quanto às vantagens do modelo. Mas ele não começa com a UEM sozinha na corrida. Deve envolver o ensino secundário e pré-universitário.) e 26 (Ajude a transformar a (inaceitável) 12ª +1 ou a 7ª +3 em algo mais benéfico para o professor em Moçambique, eliminando definitivamente a banalização da tão nobre profissão.) mostram que o crescimento dos docentes foi feito em detrimento continuado da qualidade e do rigor, pelo facto, o grau de desperdício que se verifica no Ensino Superior é enorme. Ai, estou de acordo! Contudo, parece-me que os Escritores procuram extravasar os limites da Universidade e reduzir as suas competências. Pois, o que a Universidade têm a ver com formação de professores de 12ª +1 ou 7ª +3 se estes estão sob alçada dum Ministério de Educação? Mais, como é que uma Universidade que têm legitimidade de inovar perante os seus conhecimentos científicos, deve ir a reboque dum ensino secundário para implementar um Modelo que beneficie seus formandos?
Numa altura em que a economia mundial está de ..."tangas" e necessita renascer das cinzas com novos conceitos e novos protagonistas/ paradigmas. A especulação e a incompetência académica deve dar lugar a balões de oxigénio que deixem de lado ideias nostálgicas de promoção de continuidade da mediocridade. Todas as iniciativas que tragam mais valia competitiva aos quadros da Nação devem ser acarinhadas e aplaudidas. Não devemos nos contentar com a marginalização dos nossos quadros quando concorrem com os da região só porque estes, apesar de terem menor carga horária lectiva, têm mestrado de 3+1.
Para findar esta discussão, resta dizer que, acreditando que é mentira que a água, batendo, batendo a rocha, a consiga, de facto, furar, só se for em séculos, nunca em anos – que o digam os 10 anos em que o Curriculum da UEM ficou para ser revisto - , a revolução da Eucaristia Couto, em si, é salutar. Pelo que, se me perguntam se sou a favor, digo que sim. Se perguntam o porquê, direi porque quero, no mesmo tempo útil, ser compatível, competitivo e atractivo como os estudantes da região austral de África. Só assim não estaremos em alheamento absoluto perante o mercado de trabalho austral ou internacional que exige Mestrado de 3+1 contra os de 5+2 praticados por nós.
miko cassamo
PS: Os detractores da mudança curricular tentam fazer passar que o Curriculum está sendo feito sem se consultar a ninguém e a pressas, o que não é bom evidentemente! Contudo, vendo que um dos integrantes da Reforma da UEM é o Professor Doutor Firmino Mucavele, homem que deixou marcas na NEPAD e que contra certas correntes se bateu a favor da integração desta peróla do índico no mercado regional da SADC... Nada tenho a dizer quanto a integridade do documento. Só me resta aconselhar os caríssimos escritores a voltarem no tempo, início dos anos 90, e escutarem as baladas marcantes dos Scorpion na sua Wind of Change ou, se preferirem, ouvirem respira fundo - tempo di cambia de Justino Delgado!
Antes de mais nada queria dizer que discordo da ideia de se rotular este processo de "redução da Duração dos Cursos".
Como docente da UEM e professor Universitário, chocam-me algumas coisas em relação a este processo de reforma curricular, principalmente devido a dois aspectos: o autoritarismo com que o assunto está a ser tratado; e a inconsistência do processo em si. Explico-me.
Sobre o autoritarismo já está claro nas frases que são trocadas entre as partes envolvidas. Mas chocou-me particularmente uma coisa: quando ouvi a RM dizer que o Prof. Firmino Mucavele foi a público esclarecer sobre o processo para se contrapor à desinformação (não sei se estas palavras são da sua autoria, apenas reproduzo a locução da RM) que está a haver em torno do assunto. Chamar de desinformação a discussão de um assunto, que por si é sensível e polémico (mesmo na Europa que começou há mais de dez anos e ainda hoje se debate o mesmo com fervor e sem "vencedores" ou "donos da verdade"), e a exposição de pontos de vista diferentes de um problema, é no mínimo mau gosto; para não dizer falta de argumentos. Afinal, qual é o problema de se discutir de forma mais ampla e aberta este assunto? Na Europa ainda hoje se discute Bolonha e se aponta sequelas. Ainda há duas semanas estive com um colega europeu que está prestes a fazer o doutoramento e disse que preferia fazer do antigo curriculum, porque tem dúvidas sobre os novos currícula. Será apenas conservadorismo, aviso de mau tempo, ou receios (in)fundados? Afinal, porquê temos que ser mais papistas que o Papa? Porquê simplesmente não estarmos abertos a outros pontos de vista. Neste momento o mundo está a questionar o dogma da eficiência do mercado desregulado e livre, que há poucos meses era quase intocável. Quem nos garante que não estaremos outra vez na canoa errada?
Tenho particularmente acompanhado o assunto e acho que ambos os lados têm pontos válidos a apresentar e não adianta se insistir que a reforma deve caminhar assim mesmo, numa só direcção, porque há problemas óbvios que devem ser resolvidos, se queremos de facto ter um ensino de qualidade.
Na verdade isso é sintoma de algo mais grave: a falta de discussão das políticas de ensino no País nos últimos tempos, que pelos vistos tem tido resultados desastrosos, gastos desnecessários de recursos e outros problemas. É só vermos quanto gastamos com correcção automática dos exames e com os exames externos (que acho que devem continuar a existir), com um retorno baixíssimo. Há recursos que claramente estão a ser claramente mal gastos na educação.
E isso nos leva à tal inconsistência a que me referi. Há menos de 3 anos introduzimos as licenciaturas de 4 anos; algumas delas nem têm 2 anos de funcionamento. Alguém me pode explicar, se a Declaração de Bolonha é de 1999 (o processo já havia sido informalmente iniciado em 1998), porquê gastamos recursos a reduzir as licenciaturas de 5 para 4 anos ao invés de entrarmos logo no Processo de Bolonha? Ou será que ainda não sabíamos da sua existência? Como é que este processo se liga ao ensino básico e médio que está claramente a perder qualidade?
Há muito a discutir nesta reforma curricular e não adianta recorrer à rotulação dos que apresentam pontos divergentes, porque as decisões que estamos a tomar hoje afectarão consideravelmente as perspectivas de desenvolvimento do nosso país. Recusar o debate, é falta de patriotismo. Por isso, vamos ao debate, sem receios nem intimidações e sem nos apresentarmos como detentores da verdade.
Mas devo fazer uma concessão e dar uma particular razão aos que são contra esse debate, se os que reagem preferem se esconder sobre o rótulo "um grupo de docentes da UEM" (se são identificáveis, as minhas sinceras desculpas), ao invés de exporem os assuntos com frontalidade, talvez devamos mesmo deixar que os que estão à frente da reforma nos impinjam a sua visão do mundo e penhorem o nosso futuro e dos nossos filhos. Afinal, com essa postura merecemos isso.
A leitura do editorial do jornal “Domingo” de 8 de Fevereiro de 2009, que se debruçava sobre a reforma curricular na Universidade Eduardo Mondlane, causou em nós uma certa tristeza pela forma incorrecta como o jornal “Domingo” destratava os seus colegas, apelidando-os de levianos e pretendendo ser o jornal que havia verdadeiramente investigado o assunto. Na verdade, o jornal “Domingo”, não sabemos se proposidamente ou devido à falsidade das fontes a que teve acesso, acabou sendo o jornal que desinformou. Ao ler a página 3 e o “Sobe e Desce” (pág. 4) da edição de 15 de Fevereiro deste jornal, voltamos a ser assaltados por um novo sentimento de tristeza. Perguntámo-nos porquê um jornal tão prestigiado como o “Domingo” decidiu embarcar nesta campanha de desinformação? O jornal “Domingo” está a transmitir a mensagem errada de que finalmente o Reitor da UEM e o director do gabinete de reforma conseguiram fazer vingar o processo de Reforma do Ensino Superior. Estas e outras informações veiculadas não correspondem à verdade. As reformas vêm sendo feitas na UEM faz muito tempo. A Licenciatura, o Mestrado e o Doutoramento foram aprovados na UEM desde 1999. Passam agora a usar a capa de primeiro, segundo e terceiro ciclos, mas não são uma invenção do gabinete de reforma da UEM. A proposta de alteração da Lei do Ensino Superior é o culminar de um trabalho longo que vem sendo feito desde 1999-2000, inicialmente pelo então Ministério do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia. Foi desde essa altura que começaram a ser preparados o Quadro Nacional de Qualificações, o Sistema Nacional de Acreditação e Qualidade e o Sistema Nacional de Acumulação e Transferência de Créditos. Porque estes instrumentos levaram tanto tempo a ser preparados e implementados? Devido à forma envolvente e abrangente como o processo foi conduzido. O actual Reitor da UEM sabe disso, pois ele próprio tomou parte neste processo quando ainda era Reitor da Universidade Católica. Se num processo a nível nacional se conseguiu mobilizar e envolver uma Nação, qual é a dificuldade que o Reitor e o director do gabinete de reforma da UEM têm de envolver os docentes da Faculdade de Medicina da UEM na preparação do currículo que vai formar os médicos? Qual é a dificuldade que eles têm de envolver a comunidade universitária na tomada de decisões tão importantes como estas que estão tentando impor à força? Foi assim na Faculdade de Medicina e pretende que seja assim em toda a UEM. Afinal qual é o verdadeiro motivo desta turbulência na maior instituição de ensino superior? Não é a introdução dos ciclos e dos créditos, mas é a imposição da introdução de licenciaturas de três anos, mesmo sem ter em conta aquilo que constava da proposta que foi finalmente e felizmente aprovada pelo Conselho de Ministros. É a introdução de um currículo na Faculdade de Medicina que prevê a formação de um bacharel cujo perfil e competências não estão definidos contrariamente ao que nos tenta fazer acreditar o professor Firmino Mucavele quando afirma que o processo começa com a definição do perfil e das competências. É a exclusão dos docentes experientes da Faculdade de Medicina e sua substituição por um grupo de recém-formados da Universidade Católica sem nenhuma experiência de docência no ensino superior. É a exclusão das três únicas ordens deste processo. É a prepotência e a arrogância que se manifesta, como no exemplo da entrevista do dia 3 de Fevereiro de 2009 quando o Reitor da UEM afirma “a reforma vai avante, doa a quem doer”. É a campanha de desinformação que está a ser usada para alcançar o que se pretende. É a violação de normas e práticas que já fazem parte da cultura da academia. As ordens são organizações criadas por lei. Compete a essas organizações autorizar, quando cumpridos os requisitos, o exercício da profissão na sua área de acção (Medicina, Engenharia, Advocacia, etc). apesar da autonomia que a universidade tem na definição dos seus curricula, ela deve promover uma formação que facilite a integração do seu graduado e nunca deveria entrar em rota de colisão com as ordens das respectivas áreas. As ordens não estão tirando a autonomia da UEM. No lugar de criticar as ordens, o jornal “Domingo” deveria tentar perceber porquê as três ordens e únicas ordens existentes no país se manifestam contra a forma como o processo está sendo conduzido. Por que o jornal “Domingo” elogia os erres e effes do Prof. Doutor Firmino Mucavele (professor auxiliar) e banaliza a opinião do Professor Doutor Carmo Vaz, o primeiro e único professor catedrádico da área de engenharia, categoria à qual ascendeu não por méritos óbvios mas por méritos reconhecidos e documentados num processo que seguiu as regras aprovadas pela instituição? Por que é que o Professor Firmino não explica que o documento de 1997 a que ele faz alusão no seu discurso é um documento de princípios, que não impõe a introdução de um primeiro ciclo de 3 anos? Os países signatários do acordo de Bolonha, para além do documento de princípios discutiram conjuntamente e fizeram aprovar outros instrumentos que nortearam a implementação do acordo. Depois de aprovados estes instrumentos eles foram usados como instrumentos orientadores da actividade que se seguiu. Mesmo assim ainda hoje se discutem aspectos ligados às transformações em curso. Não fizeram como a UEM está fazendo, que contribui com o Ministério da Educação e Cultura para a preparação e aprovação do Quadro Nacional de Qualificações e do Sistema Nacional de Acumulação e Transferência de Créditos (SNATCA) e força internamente a introdução de Licenciaturas de 3 anos e o uso do sistema europeu de créditos no lugar do SNATCA, numa clara violação do que estes documentos estipulam. Será que o Reitor da UEM e o director do gabinete de reforma são os únicos com visão na instituição? Se mesmo na área da Agronomia existem especialidades nas quais o Professor Firmino não se pode considerar um especialista, que autoridade é que ele tem para ensinar os especialistas de diferentes áreas científicas onde a UEM intervém? Afinal o que aprovou o Conselho de Ministros? O Conselho de Ministros aprovou Licenciaturas com uma duração de 3 a 4 anos e não de 3 anos como se continua desinformando a sociedade. Os 3 anos eram o desejo do Reitor da UEM e do Director do seu gabinete de reforma. Tanto quanto sabemos, a proposta do Conselho de Ministros diz que os cursos de Medicina devem ter 5 anos de parte curricular e mais 1 ano de estágio. Por se tratar de uma proposta de alteração da lei, este documento vai ser submetido à Assembleia da República e não deve ser implementado antes da aprovação por este órgão. É isto que deve ser dito à sociedade e não se deve continuar a mentir ou omitir aquilo que foi aprovado, pois isso constitui desonestidade da parte de quem age dessa forma. Ao longo deste bate boca, causou uma certa estranheza a posição do jornal “Domingo”, que mais parecia a de um porta-voz. A introdução forçada dos 3 anos não vai resolver o problema dos 20 processos que os nossos procuradores devem examinar por dia. A introdução de um Bacharelato em Medicina sem perfil e competências definidas não vai preparar nenhum médico para resolver os nossos problemas básicos de saúde. Se entram 100 e muitos ficam no primeiro ciclo, a autorga de um diploma a quem termina este ciclo deve corresponder a uma etapa de formação com um perfil e competências bem definidas, que habilite os graduados a um certo tipo de intervenção na área da saúde.
*Exposição da autoria de um grupo de docentes da UEM Extraido do Jornal savana.
Aqui estou hoje, humilde perante a tarefa à nossa frente, grato pela confiança que depositaram em mim, consciente dos sacrifícios que os nossos antepassados enfrentaram. Agradeço ao Presidente Bush pelo seu serviço à nossa nação, assim como a generosidade e a cooperação que demonstrou durante esta transição. Quarenta e quatro americanos fizeram até agora o juramento presidencial. Os discursos foram feitos durante vagas de crescente prosperidade e águas calmas de paz. No entanto, muitas vezes a tomada de posse ocorre no meio de nuvens espessas e furiosas tempestades. Nesses momentos, a América perseverou não só devido ao talento ou à visão dos que ocupavam altos cargos mas porque Nós o Povo permanecemos fiéis aos ideais dos nossos antepassados e aos nossos documentos fundadores. Assim tem sido. E assim deve ser com esta geração de americanos. Que estamos no meio de uma crise, já todos sabem. A nossa nação está em guerra, contra uma vasta rede de violência e ódio. A nossa economia está muito enfraquecida, consequência da ganância e irresponsabilidade de alguns, mas também nossa culpa colectiva por não tomarmos decisões difíceis e prepararmos a nação para uma nova era. Perderam-se casas; empregos foram extintos, negócios encerraram. O nosso sistema de saúde é muito oneroso; para muita gente as nossas escolas falharam; e cada dia traz-nos mais provas de que o modo como usamos a energia reforça os nossos adversários e ameaça o nosso planeta. Estes são indicadores de crise, resultado de dados e de estatística. Menos mensurável mas não menos profunda é a perda de confiança na nossa terra - um medo incómodo de que o declínio da América é inevitável, e que a próxima geração deve baixar as expectativas. Hoje eu digo-vos que os desafios que enfrentamos são reais. São sérios e são muitos. Não serão resolvidos facilmente nem num curto espaço de tempo. Mas fica a saber, América - eles serão resolvidos. Neste dia, unimo-nos porque escolhemos a esperança e não o medo, a unidade de objectivo e não o conflito e a discórdia Neste dia, viemos para proclamar o fim dos ressentimentos mesquinhos e falsas promessas, as recriminações e dogmas gastos, que há tanto tempo estrangulam a nossa política. Continuamos a ser uma nação jovem, mas nas palavras da Escritura, chegou a hora de pôr as infantilidades de lado. Chegou a hora de reafirmar o nosso espírito de resistência, de escolher o melhor da nossa história; de carregar em frente essa oferta preciosa, essa nobre ideia, passada de geração em geração; a promessa de Deus de que todos somos iguais, todos somos livres, e todos merecemos uma oportunidade de tentar obter a felicidade completa. Ao reafirmar a grandeza da nossa nação, compreendemos que a grandeza nunca é um dado adquirido. Deve ser conquistada. A nossa viagem nunca foi feita de atalhos ou de aceitar o mínimo. Não tem sido o caminho dos que hesitam – dos que preferem o divertimento ao trabalho, ou que procuram apenas os prazeres da riqueza e da fama. Pelo contrário, tem sido o dos que correm riscos, os que agem, os que fazem as coisas – alguns reconhecidos mas, mais frequentemente, mulheres e homens desconhecidos no seu labor, que nos conduziram por um longo e acidentado caminho rumo à prosperidade e à liberdade. Por nós, pegaram nos seus parcos bens e atravessaram oceanos em busca de uma nova vida. Por nós, eles labutaram em condições de exploração e instalaram-se no Oeste; suportaram o golpe do chicote e lavraram a terra dura. Por nós, eles combateram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg; Normandia e Khe Sahn. Tantas vezes estes homens e mulheres lutaram e se sacrificaram e trabalharam até as suas mãos ficarem ásperas para que pudéssemos viver uma vida melhor. Eles viram a América como maior do que a soma das nossas ambições individuais; maior do que todas as diferenças de nascimento ou riqueza ou facção. Esta é a viagem que hoje continuamos. Permanecemos a nação mais poderosa e próspera na Terra. Os nossos trabalhadores não são menos produtivos do que eram quando a crise começou. As nossas mentes não são menos inventivas, os nossos produtos e serviços não são menos necessários do que eram na semana passada ou no mês passado ou no ano passado. A nossa capacidade não foi diminuída. Mas o nosso tempo de intransigência, de proteger interesses tacanhos e de adiar decisões desagradáveis – esse tempo seguramente que passou. A partir de hoje, devemos levantar-nos, sacudir a poeira e começar a tarefa de refazer a América. Para onde quer que olhamos, há trabalho paraa fazer. O estado da economia pede acção, corajosa e rápida, e nós vamos agir – não só para criar novos empregos mas para lançar novas bases de crescimento. Vamos construir estradas e pontes, redes eléctricas e linhas digitais que alimentam o nosso comércio e nos ligam uns aos outros. Vamos recolocar a ciência no seu devido lugar e dominar as maravilhas da tecnologia para elevar a qualidade do serviço de saúde e diminuir o seu custo. Vamos domar o sol e os ventos e a terra para abastecer os nossos carros e pôr a funcionar as nossas fábricas. E vamos transformar as nossas escolas e universidades para satisfazer as exigências de uma nova era. Podemos fazer tudo isto. E tudo isto iremos fazer. Há alguns que, agora, questionam a escala das nossas ambições – que sugerem que o nosso sistema não pode tolerar muitos planos grandiosos. As suas memórias são curtas. Esqueceram-se do que este país já fez; o que homens e mulheres livres podem fazer quando à imaginação se junta um objectivo comum, e à necessidade a coragem. O que os cínicos não compreendem é que o chão se mexeu debaixo dos seus pés – que os imutáveis argumentos políticos que há tanto tempo nos consomem já não se aplicam. A pergunta que hoje fazemos não é se o nosso governo é demasiado grande ou demasiado pequeno, mas se funciona – se ajuda famílias a encontrar empregos com salários decentes, cuidados de saúde que possam pagar, pensões de reformas que sejam dignas. Onde a resposta for sim, tencionamos seguir em frente. Onde a resposta for não, programas chegarão ao fim. E aqueles de nós que gerem os dólares do povo serão responsabilizados – para gastarem com sensatez, reformarem maus hábitos e conduzirem os nossos negócios à luz do dia – porque só então poderemos restaurar a confiança vital entre o povo e o seu governo. Não se coloca sequer perante nós a questão se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. O seu poder de gerar riqueza e de expandir a democracia não tem paralelo, mas esta crise lembrou-nos que sem um olhar vigilante o mercado pode ficar fora de controlo – e que uma nação não pode prosperar quando só favorece os prósperos. O sucesso da nossa economia sempre dependeu não só da dimensão do nosso Produto Interno Bruto, mas do alcance da nossa prosperidade; da nossa capacidade em oferecer oportunidades a todos – não por caridade, mas porque é o caminho mais seguro para o nosso bem comum. Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a escolha entre a nossa segurança e os nossos ideais. Os nossos Pais Fundadores, face a perigos que mal conseguimos imaginar, redigiram uma carta para assegurar o estado de direito e os direitos humanos, uma carta que se expandiu com o sangue de gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos abdicar deles por oportunismo. E por isso, aos outros povos e governos que nos estão a ver hoje, das grandes capitais à pequena aldeia onde o meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de todas as nações e de todos os homens, mulheres e crianças que procuram um futuro de paz e dignidade, e que estamos prontos para liderar mais uma vez. Recordem que as primeiras gerações enfrentaram o fascismo e o comunismo não só com mísseis e tanques mas com alianças sólidas e convicções fortes. Compreenderam que só o nosso poder não nos protege nem nos permite agir como mais nos agradar. Pelo contrário, sabiam que o nosso poder aumenta com o seu uso prudente; a nossa segurança emana da justeza da nossa causa, da força do nosso exemplo, das qualidades moderadas de humildade e contenção. Nós somos os guardiões deste legado. Guiados por estes princípios uma vez mais, podemos enfrentar essas novas ameaças que exigem ainda maior esforço – ainda maior cooperação e compreensão entre nações. Vamos começar responsavelmente a deixar o Iraque para o seu povo, e a forjar uma paz arduamente conquistada no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos inimigos, vamos trabalhar incansavelmente para diminuir a ameaça nuclear, e afastar o espectro do aquecimento do planeta. Não vamos pedir desculpa pelo nosso modo de vida, nem vamos hesitar na sua defesa, e àqueles que querem realizar os seus objectivos pelo terror e assassínio de inocentes, dizemos agora que o nosso espírito é mais forte e não pode ser quebrado; não podem sobreviver-nos, e nós vamos derrotar-vos. Porque nós sabemos que a nossa herança de diversidade é uma força, não uma fraqueza. Nós somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus – e não crentes. Somos moldados por todas as línguas e culturas, vindas de todos os cantos desta Terra; e porque provámos o líquido amargo da guerra civil e da segregação, e emergimos desse capítulo sombrio mais fortes e mais unidos, não podemos deixar de acreditar que velhos ódios um dia passarão; que as linhas da tribo em breve se dissolverão; que à medida que o mundo se torna mais pequeno, a nossa humanidade comum deve revelar-se; e que a América deve desempenhar o seu papel em promover uma nova era de paz. Ao mundo muçulmano, procuramos um novo caminho em frente, baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo. Aos líderes por todo o mundo que procuram semear o conflito, ou culpar o Ocidente pelos males da sua sociedade – saibam que o vosso povo vos julgará pelo que construírem, não pelo que destruírem. Aos que se agarram ao poder pela corrupção e engano e silenciamento dos dissidentes, saibam que estão no lado errado da história; mas que nós estenderemos a mão se estiverem dispostos a abrir o vosso punho fechado. Aos povos das nações mais pobres, prometemos cooperar convosco para que os vossos campos floresçam e as vossas águas corram limpas; para dar alimento aos corpos famintos e aos espíritos sedentos de saber. E às nações, como a nossa, que gozam de relativa riqueza, dizemos que não podemos mais mostrar indiferença perante o sofrimento fora das nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem prestar atenção aos seus efeitos. Porque o mundo mudou, e devemos mudar com ele. Ao olharmos para o caminho à nossa frente, lembremos com humilde gratidão os bravos americanos que, neste preciso momento, patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm alguma coisa para nos dizer hoje, tal como os heróis caídos em Arlington fazem ouvir a sua voz. Honramo-los não apenas porque são guardiões da nossa liberdade, mas porque incorporam o espírito de serviço; uma vontade de dar significado a algo maior do que eles próprios. E neste momento – um momento que definirá uma geração – é este espírito que deve habitar em todos nós. Porque, por mais que o governo possa e deva fazer, a nação assenta na fé e na determinação do povo americano. É a generosidade de acomodar o desconhecido quando os diques rebentam, o altruísmo dos trabalhadores que preferem reduzir os seus horários a ver um amigo perder o emprego que nos revelam quem somos nas nossas horas mais sombrias. É a coragem do bombeiro ao entrar por uma escada cheia de fumo, mas também a disponibilidade dos pais para criar um filho, que acabará por selar o nosso destino. Os nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com que os enfrentamos podem ser novos. Mas os valores de que depende o nosso sucesso – trabalho árduo e honestidade, coragem e fair play, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo – estas coisas são antigas. Estas coisas são verdadeiras. Têm sido a força silenciosa do progresso ao longo da nossa história. O que é pedido, então, é o regresso a essas verdades. O que nos é exigido agora é uma nova era de responsabilidade – um reconhecimento, da parte de cada americano, de que temos obrigações para connosco, com a nossa nação, e com o mundo, deveres que aceitamos com satisfação e não com má vontade, firmes no conhecimento de que nada satisfaz mais o espírito, nem define o nosso carácter, do que entregarmo-nos todos a uma tarefa difícil. Este é o preço e a promessa da cidadania. Esta é a fonte da nossa confiança – o conhecimento de que Deus nos chama para moldar um destino incerto. Este é o significado da nossa liberdade e do nosso credo – é por isso que homens e mulheres e crianças de todas as raças e todas as religiões se podem juntar em celebração neste magnífico mall, e que um homem cujo pai há menos de 60 anos não podia ser atendido num restaurante local pode agora estar perante vós a fazer o mais sagrado juramento. Por isso, marquemos este dia com a lembrança do quem somos e quão longe fomos. No ano do nascimento da América, no mais frio dos meses, um pequeno grupo de patriotas juntou-se à beira de ténues fogueiras nas margens de um rio gelado. A capital tinha sido abandonada. O inimigo avançava. A neve estava manchada de sangue. No momento em que o resultado da nossa revolução era incerto, o pai da nossa nação ordenou que estas palavras fossem lidas ao povo: “Que o mundo que há-de vir saiba que... num Inverno rigoroso, quando nada excepto a esperança e a virtude podiam sobreviver... a cidade e o país, alarmados com um perigo comum, vieram para [o] enfrentar.” América. Face aos nossos perigos comuns, neste Inverno das nossas dificuldades, lembremo-nos dessas palavras intemporais. Com esperança e virtude, enfrentemos uma vez mais as correntes geladas e suportemos as tempestades que vierem. Que seja dito aos filhos dos nossos filhos que quando fomos testados recusámos que esta viagem terminasse, que não recuámos nem vacilámos; e com os olhos fixos no horizonte e a graça de Deus sobre nós, levámos adiante a grande dádiva da liberdade e entregámo-la em segurança às futuras gerações.
1.A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) tornou público que os seus cursos passam a ser feitos em 3 anos, o que difere dos 5 que sempre foi o período de duração da licenciatura. Nalguns cursos, os 3 anos eram reservados ao bacharelato, os restantes 2 à licenciatura e depois mais 2 para o mestrado e 4 para o doutoramento. Esta recente inovação dos 3 anos tem levantado alguma polémica e, pos isso, deve ser debatida, para além de que se trata de uma questão de interesse nacional. Polémica nacional.
2.Na verdade, tratando-se de uma decisão tomada a nível da maior e mais antiga instituição de ensino superior no país, as suas repercursões atingirão o país inteiro, em proporções diferentes (para mais) do que aconteceria se o mesmo tivesse sido decidido pelas privadas. A universidade pública, até devido ao seu tamanho, é a que abastece a maior fatia do mercado nacional. Maior fornecedor de quadros.
3.Logo, as opções que se tomam relativamente à sua vida devem merecer um período de reflexão muito mais aprofundado que as restantes (que também devem ponderar devidamente antes de tomar decisões, como é óbvio). Parece que não foi o caso, uma vez que, pelo que se pode perceber, a decisão acabou caindo repentinamente e como que uma surpresa junto do meio académico e intelectual. Reflexão não profunda.
4.Ao tomar conhecimento da medida, através dos órgãos de comunicação social, e tendo procurado saber quais os procedimentos prévios tomados, ouviu-se dizer, por via das más línguas, que o Magnífico Reitor não tem muito o gosto de ouvir o Conselho Académico e, neste caso, particular trouxe a decisão e apresentou como acto consumado contra o qual pouco ou nada se poderia fazer. Gestão não participativa.
5.Quando se toma uma decisão do nível desta, deve-se ter a certeza de que temos, pelo menos, a maioria da sociedade, ou dos intelectuais, ou dos pensadores, ou dos docentes universitários, ou seja do que for que interesse ouvir, do nosso lado. Se temos meia dúzia de colaboradores directos, ou amigos ou duas ou três pessoas, com interesse potencial em alcançar algum objectivo, próximos de nós, e o resto do mundo contra nós, temos a obrigação de recuar. Humildade.
6.O Padre Couto, filho de Nachingweia e irmào de muitos que derramaram o seu sangue pela libertação desta pátria, sabe, melhor do que muitos de nós, que não nos podemos transformar em inimigos ou adversários do nosso próprio povo. Não podemos combater aqueles a quem devemos servir. Com pressa de servir o povo, o Padre pensou em termos muito numéricos e quantitativos e nada qualitativos. Arrisca-se a prejudicar, com uma produção em massa de mediocridade, o seu próprio povo. Sabe que o enlatado faz mal à saúde, Padre. Antigo combatente.
7.Ao posicionar-se contra mais de 80% dos docentes da UEM e quase 100% dos intelectuais deste país, o Padre Couto parece estar sozinho numa questão onde deveria estar ao lado de todos. Daí o nosso apelo ao recuo, e por enquanto, à reflexão mais profunda. Adiamento.
8.A diminuição, Caro Padre, dos tempos dos cursos de licenciatura, em Moçambique, não é um debate novo. Não foi o Padre que trouxe esse debate, nem que o introduziu nos meandros do ensino superior no país. Sempre se disse que tinhamos uma formação superior pesada, antiquada, longa e muitas vezes distorcida dos objectivos que se pretende alcançar no fim do dia. Onde nunca se atingia o tal saber-fazer. Debate antigo.
9.Comparava-se a situação com a dos outros países, onde ao 2º ou 3º ano o indivíduo já é, normalmente, bacharel. Ao fim do tempo em que nós fazemos a licenciatura, os outros já são masters. Contava-se, até, com alguma graça, o facto de alguns de nós, ao chegarmos ás universidades de outros países levando apenas o título de licenciado e pretendendo fazer o mestrado, nos dizerem para entrar directamente no doutoramento – porque, com a carga que possuimos, na licenciatura, para eles já somos mestrados. Formação encurtada.
10.No entanto, meu Magnífico, no nosso país, a diminuição do tempo, por si só, não resolve os problemas. Solução leviana.
11.Os nossos semestres académicos duram pouquíssimo mais de 3 meses. Só se estuda com profundidade nos meses de Fevereiro, Março e Abril. Maio e Junho são meses orientados para os exames. Ou seja, o Padre Couto, ao reduzir o período de formação para 3 anos, está a reduzir a formação superior em Moçambique a pouco mais de 9 meses. Tempo útil curtíssimo.
12.A comparação a outros países que parece ser um dos grandes argumentos para se avançar com a medida é muito errada. Os países que se diz terem esse tipo de formação – África do Sul, Estados Unidos – têm as mesmas condições de ensino que as nossas? Colocando a questão ao contrário: O nosso país tem condições de ensino semelhantes as dos Estados Unidos? Claro que não. Então, não copiemos os modelos de países tão diferentes do nosso. Não transportemos modelos de ensino de países onde há mestrados e doutorados sem emprego, para um país onde não há professores dos níveis mais elementares. Nunca vi um licenciado a dar aulas na escola primária no nosso país. Nesses países – de onde estamos a copiar, e mal, o sistema – há doutorados a darem aulas na 1ªclasse. Há manuais gratuitos, acesso à internet, laboratórios, livros, bibliotecas, excursões, viagens e visitas de estudo – tudo isso na escola primária. Não há alunos a estudar sentados no chão, em baixo de árvores. Comparação ridícula.
13.Com muita pressa, e quando perguntamos a colegas sobre as razões de tão precipitada medida na UEM, diz-se: É assim em todo mundo! Mas esquecemo-nos que, no tal todo mundo, não há professores de 12ª mais 1, 7ª mais 3, um processo de formação de professores que deforma mais os professores do que os alunos. A pressa é inimiga da perfeição.
14.Caro Padre, não podemos dizer que há falta de polícias e, acto contínuo, recrutamos 10.000 cidadãos, ensinamos a disparar uma pistola e uma AKM e colocamo-los no mercado, após uma semana de formação. Nem sequer dizer que há falta de enfermeiros e ensinar alguns milhares de homens e mulheres a dar uma injeção e colocar nos centros de saúde. Do motorista ao mecânico vai uma distância impossível de transpor só com o decurso do tempo. Nem com 50 anos de experiência um motorista pode ser um mecânico. A menos que o carro avarie todos os dias e aí teriamos um mecânico sem conhecimento científico, mas tão somente um curioso. O tempo de serviço dá experiência, e isso é muito bom, mas não dá conhecimento científico que se possa transmitir. E sobretudo não dá avanço na ciência. Deformação.
15.Os nossos formandos, após os famigerados 3 anos, até podem saber o básico e essencial na sua área. Mas nunca terão o conhecimento suficiente para trazerem avanço na ciência, darem luzes e pistas a outros colegas para trazerem mais valia e descobertas. Serão apenas meros reprodutores do básico que aprenderam. E quando teremos os cientistas moçambicanos? E quando estaremos ao nível de competir no mundo? Não queremos ser repetidores de afirmações, sem nenhuma criatividade, sem nenhuma obsessão pela pesquisa e pelo progresso científico e académico. Se hoje temos bons técnicos e bons quadros – e disso o Padre se pode orgulhar, pois faz parte do processo – deve-se aos 5 anos de licenciatura. Os 3 nunca experimentamos e nem sequer temos a certeza que trarão o sucesso que se pensa. Reprodutores mecanizados.
16.Todos os dias queixamo-nos de que os doutores de hoje possuem muitos problemas de formação. Escrevem com dificuldade, leem com dificuldade e mal interpretam os fenómenos que lhes são apresentados. Dificuldades actuais.
17.A base de formação da educação está cada vez mais frágil, em termos qualitativos, apesar dos numerosos progressos que fizemos a nível quantitativo com a construção de escolas, abertura do ensino ao sector privado e capacitação de um maior número de professores. Já temos escolas e professores, há ainda um trabalho gigantesco para elevar a qualidade. Qualidade fraca.
18.As revoluções sempre trazem algumas vozes contra. É normal. As grandes e profundas alterações trazem consigo muitas vozes reticentes, discordantes e críticas, muitas vezes baseadas numa análise simplista – até houve cientistas que foram mortos, nos tempos mais remotos, por terem apresentado teses científicas revolucionárias relacionadas com a terra, o sol ou a lua. Não pense o Padre que este artigo insere-se nas vozes do contra, daqueles que se acomodam num sistema e encaram as mudanças como processos de difícil adaptação. Não. Resistência ás mudanças.
19.Mas é óbvio que perante um processo de mudança, as vozes que se erguem contra podem situar-se em 1 de 3 planos: terem razão, não terem razão ou terem razão parcialmente, o que significa que a revolução deve ser feita mais tarde. Crítica permanente.
20.Sempre que se discutiu essa questão do formato dos nossos cursos superiores pocicionei-me do lado revolucionário. A favor das mudanças. Hoje, perante a ideia da diminuição do tempo da licenciatura continuo do mesmo lado. Do lado do Padre Couto. Simplesmente, perante o cenário actual da tal fraca qualidade, do facto de ainda nos encontrarmos num processo de complementar o 8 de Março (através do aumento qualitativo) é mais do que evidente que ainda não é o momento apropriado para avançar com a revolução. Concordo, mas não tão já, Padre. Momento não ideal.
21.Ainda não nos encontramos no momento certo para a mudança. Não que isso se vá prolongar indefinidamente, ou que se possa pensar que nunca haverá um momento ideal – ou que o óptimo nunca chega – nada disso. O nosso país encontra-se, ainda, num processo de crescimento, de afirmação e desenvolvimento científico e cultural. Claro que, não tarda muito, teremos um ensino de qualidade que nos permita fazer cursos superiores de 3 anos num processo que terá muitas das matérias já tratadas pelos alunos na 11ª e 12ª classe. Os que vão para Direito podem ter Introdução ao Estudo do Direito, Direito Constitucional, Administrativo ou do Trabalho nesses anos. São matérias que qualquer cidadão deve conhecer e, mesmos antes do ensino superior, é salutar que com elas tome um primeiro contacto. Na universidade aprende-se as matérias mais específicas e especializadas. Ensino direcionado.
22.O Padre sabe que a guerra pela libertação da nação não se fez com actos precipitados e irresponsáveis. Não se sabia que ali há um grupo de tropas coloniais e avançava-se de forma cega e imprudente só porque queriamos a libertação da nação. Fazia-se, antes, o reconhecimento do local, do número de inimigos, qual o armamento que traziam e quais as nossas capacidades e só depois de tudo ponderado é que se avançava. Só a maturidade e o conhecimento dos verdadeiros objectivos da luta aliados a muita calma, paciência e ponderação trouxeram a vitória.Responsabilidade.
23.As cadeiras que vão ser eliminadas vão para onde? Desaparecem pura e simplesmente? Alguém analisou os planos curriculares, com a profundidade necessária – e não tchapo tchapo, curso a curso, para saber quais as cadeiras que devem desaparecer? Algumas dessas cadeiras devem ir para o ensino secundário ou pré-universitário. O Padre contactou o Ministério da Educação para saber se vão contemplar tais disciplinas nessa classes? Se foram contratados professores? Ou foi feito um exercício Tipo Cozinheiro: Tira esta, esta, esta e aquela. Ficam só as principais. Não pode ser. A partir da 11ª, os alunos que vão para medicina, enfermagem, farmácia e outros curso afins deverão ter algumas cadeiras obrigatórias – que são as chamadas genéricas e que são dadas em todos cursos. Quer dizer, são as que passariam da universidade para o pré-universitário. Que se saiba, o Padre não se deu ao trabalho de tal exercício. São cadeiras que podem parecer desnecessárias, masno fundo ajudavam os estudantes num exercício amplo de conhecimento geral e de cultura geral. Saber não ocupa lugar.
24.Conheci uma estudante sul-africana que nunca estudou nos bancos da universidade onde se encontra a fazer a sua formação superior. Quando chega a época dos exames, normalmente em Junho e em Dezembro, faz a matrícula nas cadeiras que quer e faz o exame respectivo. Não tem limite em termos de número. Faz o exame do número que quiser. Logo que for aprovada nas cadeiras todas do Curso, independentemente do tempo em que esteve a ser examinada, terá o seu diploma. A base são os créditos que permitem que o aluno seja considerado bacharel, licenciado ou mestrado. A universidade não se preocupa em ter os alunos sentados nas suas cadeiras todo o ano. Interessa-se pelos resultados e por isso é uma instituição aberta que utiliza o dinheiro das matrículas para pagar os docentes que corrigem as provas. Os alunos que terminem os créditos estarão preparados para entrar e competir no mercado de trabalho. Podiamos, por enquanto, introduzir esse sistema na UEM. Formação auto-didacta baseada em créditos.
25.Já se fala em greves silenciosas e em sabotagens não declaradas na UEM. Os docentes não vão sabotar porque estão a pensar neles, nem sequer porque não acreditam no modelo. Acreditam e gostariam que um dia ele fosse adoptado, seria bom para todos nós – os filhos dos docentes irão beneficiar-se com isso. Por isso, eles estão de acordo quanto ás vantagens do modelo. Mas ele não começa com a UEM sozinha na corrida. Deve envolver o ensino secundário e pré-universitário, os outros institutos profissionais e as instituições onde os tais profissionais deverão fazer um estágio prático, antes de avançarem para o mercado do trabalho. Trabalho conjunto.
26.Tenha calma, Padre.Estamos consigo, mas não se precipite. Teremos na UEM uma base de formação em 3 anos – o que até será muito bom. Mas não é ás pressas. Se tem boa vontade, trabalhe para melhorar a ensino desde a escola primária. Estabeleça convénios para que a UEM participe na formação ou capacitação dos professores que lecionam da 1ª a 4ª classe. Faça cursos específicos para melhoramento do nível dos professores, de forma permanente – para que saibamos que, na UEM, todo o ano há acções de ensino para professores não universitários. Inicie o processo de transferência dessas cadeiras para o pré-universitário. Ajude a transformar a (inaceitável) formação 12ª mais 1 ou a 7ª mais 3 em algo mais benéfico para o professorado em Moçambique, eliminando definitivamente a banalização de tão nobre profissão.Formação de base com qualidade.
27.Daí, o meu apelo para a observância da qualidade. Após décadas de independência, não se preocupe em correr para ter número, mas sim para ter qualidade, sob pena de resvalarmos para um abismo, onde as instituições de formação superior colocarão no mercado milhares de quadros sem qualidade e que, ao invés de contribuirem para o conhecimento trazendo novas e interessantes abordagens, tornar-se-ão cidadãos com um diploma nas mãos e nada na cabeça. Sem poderem ajudar-se a si próprios e ao país em que vivem. Qualidade, qualidade e qualidade.
28.Sabe, Padre, perguntei, há cerca de 6 meses, a alunos meus do secundário se conheciam Eduardo Mondlane, responderam:Já ouvimos falar, mas não estamos a ver quem é. A nossa academia tem que ser suportada por profissionais de qualidade, que sabem de onde vieram, onde estão e para onde vão. Correr não é chegar.
Jorge de Oliveira
Secretário-Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos
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