quinta-feira, janeiro 22, 2009

Discurso de Tomada de Posse de Barack Obama (em português)

Meus caros cidadãos:

Aqui estou hoje, humilde perante a tarefa à nossa frente, grato pela confiança que depositaram em mim, consciente dos sacrifícios que os nossos antepassados enfrentaram. Agradeço ao Presidente Bush pelo seu serviço à nossa nação, assim como a generosidade e a cooperação que demonstrou durante esta transição.

Quarenta e quatro americanos fizeram até agora o juramento presidencial. Os discursos foram feitos durante vagas de crescente prosperidade e águas calmas de paz. No entanto, muitas vezes a tomada de posse ocorre no meio de nuvens espessas e furiosas tempestades. Nesses momentos, a América perseverou não só devido ao talento ou à visão dos que ocupavam altos cargos mas porque Nós o Povo permanecemos fiéis aos ideais dos nossos antepassados e aos nossos documentos fundadores.

Assim tem sido. E assim deve ser com esta geração de americanos.

Que estamos no meio de uma crise, já todos sabem. A nossa nação está em guerra, contra uma vasta rede de violência e ódio. A nossa economia está muito enfraquecida, consequência da ganância e irresponsabilidade de alguns, mas também nossa culpa colectiva por não tomarmos decisões difíceis e prepararmos a nação para uma nova era. Perderam-se casas; empregos foram extintos, negócios encerraram. O nosso sistema de saúde é muito oneroso; para muita gente as nossas escolas falharam; e cada dia traz-nos mais provas de que o modo como usamos a energia reforça os nossos adversários e ameaça o nosso planeta.

Estes são indicadores de crise, resultado de dados e de estatística. Menos mensurável mas não menos profunda é a perda de confiança na nossa terra - um medo incómodo de que o declínio da América é inevitável, e que a próxima geração deve baixar as expectativas.

Hoje eu digo-vos que os desafios que enfrentamos são reais. São sérios e são muitos. Não serão resolvidos facilmente nem num curto espaço de tempo. Mas fica a saber, América - eles serão resolvidos.

Neste dia, unimo-nos porque escolhemos a esperança e não o medo, a unidade de objectivo e não o conflito e a discórdia

Neste dia, viemos para proclamar o fim dos ressentimentos mesquinhos e falsas promessas, as recriminações e dogmas gastos, que há tanto tempo estrangulam a nossa política.

Continuamos a ser uma nação jovem, mas nas palavras da Escritura, chegou a hora de pôr as infantilidades de lado. Chegou a hora de reafirmar o nosso espírito de resistência, de escolher o melhor da nossa história; de carregar em frente essa oferta preciosa, essa nobre ideia, passada de geração em geração; a promessa de Deus de que todos somos iguais, todos somos livres, e todos merecemos uma oportunidade de tentar obter a felicidade completa.

Ao reafirmar a grandeza da nossa nação, compreendemos que a grandeza nunca é um dado adquirido. Deve ser conquistada. A nossa viagem nunca foi feita de atalhos ou de aceitar o mínimo. Não tem sido o caminho dos que hesitam – dos que preferem o divertimento ao trabalho, ou que procuram apenas os prazeres da riqueza e da fama. Pelo contrário, tem sido o dos que correm riscos, os que agem, os que fazem as coisas – alguns reconhecidos mas, mais frequentemente, mulheres e homens desconhecidos no seu labor, que nos conduziram por um longo e acidentado caminho rumo à prosperidade e à liberdade.

Por nós, pegaram nos seus parcos bens e atravessaram oceanos em busca de uma nova vida.

Por nós, eles labutaram em condições de exploração e instalaram-se no Oeste; suportaram o golpe do chicote e lavraram a terra dura. Por nós, eles combateram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg; Normandia e Khe Sahn.

Tantas vezes estes homens e mulheres lutaram e se sacrificaram e trabalharam até as suas mãos ficarem ásperas para que pudéssemos viver uma vida melhor. Eles viram a América como maior do que a soma das nossas ambições individuais; maior do que todas as diferenças de nascimento ou riqueza ou facção.

Esta é a viagem que hoje continuamos. Permanecemos a nação mais poderosa e próspera na Terra. Os nossos trabalhadores não são menos produtivos do que eram quando a crise começou. As nossas mentes não são menos inventivas, os nossos produtos e serviços não são menos necessários do que eram na semana passada ou no mês passado ou no ano passado. A nossa capacidade não foi diminuída. Mas o nosso tempo de intransigência, de proteger interesses tacanhos e de adiar decisões desagradáveis – esse tempo seguramente que passou.

A partir de hoje, devemos levantar-nos, sacudir a poeira e começar a tarefa de refazer a América.

Para onde quer que olhamos, há trabalho paraa fazer. O estado da economia pede acção, corajosa e rápida, e nós vamos agir – não só para criar novos empregos mas para lançar novas bases de crescimento. Vamos construir estradas e pontes, redes eléctricas e linhas digitais que alimentam o nosso comércio e nos ligam uns aos outros.

Vamos recolocar a ciência no seu devido lugar e dominar as maravilhas da tecnologia para elevar a qualidade do serviço de saúde e diminuir o seu custo. Vamos domar o sol e os ventos e a terra para abastecer os nossos carros e pôr a funcionar as nossas fábricas. E vamos transformar as nossas escolas e universidades para satisfazer as exigências de uma nova era.

Podemos fazer tudo isto. E tudo isto iremos fazer. Há alguns que, agora, questionam a escala das nossas ambições – que sugerem que o nosso sistema não pode tolerar muitos planos grandiosos. As suas memórias são curtas. Esqueceram-se do que este país já fez; o que homens e mulheres livres podem fazer quando à imaginação se junta um objectivo comum, e à necessidade a coragem.

O que os cínicos não compreendem é que o chão se mexeu debaixo dos seus pés – que os imutáveis argumentos políticos que há tanto tempo nos consomem já não se aplicam. A pergunta que hoje fazemos não é se o nosso governo é demasiado grande ou demasiado pequeno, mas se funciona – se ajuda famílias a encontrar empregos com salários decentes, cuidados de saúde que possam pagar, pensões de reformas que sejam dignas. Onde a resposta for sim, tencionamos seguir em frente. Onde a resposta for não, programas chegarão ao fim.

E aqueles de nós que gerem os dólares do povo serão responsabilizados – para gastarem com sensatez, reformarem maus hábitos e conduzirem os nossos negócios à luz do dia – porque só então poderemos restaurar a confiança vital entre o povo e o seu governo.

Não se coloca sequer perante nós a questão se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. O seu poder de gerar riqueza e de expandir a democracia não tem paralelo, mas esta crise lembrou-nos que sem um olhar vigilante o mercado pode ficar fora de controlo – e que uma nação não pode prosperar quando só favorece os prósperos. O sucesso da nossa economia sempre dependeu não só da dimensão do nosso Produto Interno Bruto, mas do alcance da nossa prosperidade; da nossa capacidade em oferecer oportunidades a todos – não por caridade, mas porque é o caminho mais seguro para o nosso bem comum.

Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a escolha entre a nossa segurança e os nossos ideais. Os nossos Pais Fundadores, face a perigos que mal conseguimos imaginar, redigiram uma carta para assegurar o estado de direito e os direitos humanos, uma carta que se expandiu com o sangue de gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos abdicar deles por oportunismo.

E por isso, aos outros povos e governos que nos estão a ver hoje, das grandes capitais à pequena aldeia onde o meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de todas as nações e de todos os homens, mulheres e crianças que procuram um futuro de paz e dignidade, e que estamos prontos para liderar mais uma vez.

Recordem que as primeiras gerações enfrentaram o fascismo e o comunismo não só com mísseis e tanques mas com alianças sólidas e convicções fortes. Compreenderam que só o nosso poder não nos protege nem nos permite agir como mais nos agradar. Pelo contrário, sabiam que o nosso poder aumenta com o seu uso prudente; a nossa segurança emana da justeza da nossa causa, da força do nosso exemplo, das qualidades moderadas de humildade e contenção.

Nós somos os guardiões deste legado. Guiados por estes princípios uma vez mais, podemos enfrentar essas novas ameaças que exigem ainda maior esforço – ainda maior cooperação e compreensão entre nações. Vamos começar responsavelmente a deixar o Iraque para o seu povo, e a forjar uma paz arduamente conquistada no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos inimigos, vamos trabalhar incansavelmente para diminuir a ameaça nuclear, e afastar o espectro do aquecimento do planeta.

Não vamos pedir desculpa pelo nosso modo de vida, nem vamos hesitar na sua defesa, e àqueles que querem realizar os seus objectivos pelo terror e assassínio de inocentes, dizemos agora que o nosso espírito é mais forte e não pode ser quebrado; não podem sobreviver-nos, e nós vamos derrotar-vos.

Porque nós sabemos que a nossa herança de diversidade é uma força, não uma fraqueza. Nós somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus – e não crentes. Somos moldados por todas as línguas e culturas, vindas de todos os cantos desta Terra; e porque provámos o líquido amargo da guerra civil e da segregação, e emergimos desse capítulo sombrio mais fortes e mais unidos, não podemos deixar de acreditar que velhos ódios um dia passarão; que as linhas da tribo em breve se dissolverão; que à medida que o mundo se torna mais pequeno, a nossa humanidade comum deve revelar-se; e que a América deve desempenhar o seu papel em promover uma nova era de paz.

Ao mundo muçulmano, procuramos um novo caminho em frente, baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo. Aos líderes por todo o mundo que procuram semear o conflito, ou culpar o Ocidente pelos males da sua sociedade – saibam que o vosso povo vos julgará pelo que construírem, não pelo que destruírem. Aos que se agarram ao poder pela corrupção e engano e silenciamento dos dissidentes, saibam que estão no lado errado da história; mas que nós estenderemos a mão se estiverem dispostos a abrir o vosso punho fechado.

Aos povos das nações mais pobres, prometemos cooperar convosco para que os vossos campos floresçam e as vossas águas corram limpas; para dar alimento aos corpos famintos e aos espíritos sedentos de saber. E às nações, como a nossa, que gozam de relativa riqueza, dizemos que não podemos mais mostrar indiferença perante o sofrimento fora das nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem prestar atenção aos seus efeitos. Porque o mundo mudou, e devemos mudar com ele.

Ao olharmos para o caminho à nossa frente, lembremos com humilde gratidão os bravos americanos que, neste preciso momento, patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm alguma coisa para nos dizer hoje, tal como os heróis caídos em Arlington fazem ouvir a sua voz. Honramo-los não apenas porque são guardiões da nossa liberdade, mas porque incorporam o espírito de serviço; uma vontade de dar significado a algo maior do que eles próprios. E neste momento – um momento que definirá uma geração – é este espírito que deve habitar em todos nós. Porque, por mais que o governo possa e deva fazer, a nação assenta na fé e na determinação do povo americano.

É a generosidade de acomodar o desconhecido quando os diques rebentam, o altruísmo dos trabalhadores que preferem reduzir os seus horários a ver um amigo perder o emprego que nos revelam quem somos nas nossas horas mais sombrias. É a coragem do bombeiro ao entrar por uma escada cheia de fumo, mas também a disponibilidade dos pais para criar um filho, que acabará por selar o nosso destino.

Os nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com que os enfrentamos podem ser novos. Mas os valores de que depende o nosso sucesso – trabalho árduo e honestidade, coragem e fair play, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo – estas coisas são antigas. Estas coisas são verdadeiras. Têm sido a força silenciosa do progresso ao longo da nossa história. O que é pedido, então, é o regresso a essas verdades.
O que nos é exigido agora é uma nova era de responsabilidade – um reconhecimento, da parte de cada americano, de que temos obrigações para connosco, com a nossa nação, e com o mundo, deveres que aceitamos com satisfação e não com má vontade, firmes no conhecimento de que nada satisfaz mais o espírito, nem define o nosso carácter, do que entregarmo-nos todos a uma tarefa difícil.

Este é o preço e a promessa da cidadania.

Esta é a fonte da nossa confiança – o conhecimento de que Deus nos chama para moldar um destino incerto.

Este é o significado da nossa liberdade e do nosso credo – é por isso que homens e mulheres e crianças de todas as raças e todas as religiões se podem juntar em celebração neste magnífico mall, e que um homem cujo pai há menos de 60 anos não podia ser atendido num restaurante local pode agora estar perante vós a fazer o mais sagrado juramento.

Por isso, marquemos este dia com a lembrança do quem somos e quão longe fomos. No ano do nascimento da América, no mais frio dos meses, um pequeno grupo de patriotas juntou-se à beira de ténues fogueiras nas margens de um rio gelado. A capital tinha sido abandonada. O inimigo avançava. A neve estava manchada de sangue. No momento em que o resultado da nossa revolução era incerto, o pai da nossa nação ordenou que estas palavras fossem lidas ao povo:

“Que o mundo que há-de vir saiba que... num Inverno rigoroso, quando nada excepto a esperança e a virtude podiam sobreviver... a cidade e o país, alarmados com um perigo comum, vieram para [o] enfrentar.”

América. Face aos nossos perigos comuns, neste Inverno das nossas dificuldades, lembremo-nos dessas palavras intemporais. Com esperança e virtude, enfrentemos uma vez mais as correntes geladas e suportemos as tempestades que vierem. Que seja dito aos filhos dos nossos filhos que quando fomos testados recusámos que esta viagem terminasse, que não recuámos nem vacilámos; e com os olhos fixos no horizonte e a graça de Deus sobre nós, levámos adiante a grande dádiva da liberdade e entregámo-la em segurança às futuras gerações.

Share/Save/Bookmark

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Carta Aberta ao Padre Couto - Melhorar a base e alcançar a qualidade

Carta aberta ao Padre Couto:

Melhorar a base e alcançar a qualidade

1. A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) tornou público que os seus cursos passam a ser feitos em 3 anos, o que difere dos 5 que sempre foi o período de duração da licenciatura. Nalguns cursos, os 3 anos eram reservados ao bacharelato, os restantes 2 à licenciatura e depois mais 2 para o mestrado e 4 para o doutoramento. Esta recente inovação dos 3 anos tem levantado alguma polémica e, pos isso, deve ser debatida, para além de que se trata de uma questão de interesse nacional. Polémica nacional.

2. Na verdade, tratando-se de uma decisão tomada a nível da maior e mais antiga instituição de ensino superior no país, as suas repercursões atingirão o país inteiro, em proporções diferentes (para mais) do que aconteceria se o mesmo tivesse sido decidido pelas privadas. A universidade pública, até devido ao seu tamanho, é a que abastece a maior fatia do mercado nacional. Maior fornecedor de quadros.

3. Logo, as opções que se tomam relativamente à sua vida devem merecer um período de reflexão muito mais aprofundado que as restantes (que também devem ponderar devidamente antes de tomar decisões, como é óbvio). Parece que não foi o caso, uma vez que, pelo que se pode perceber, a decisão acabou caindo repentinamente e como que uma surpresa junto do meio académico e intelectual. Reflexão não profunda.

4. Ao tomar conhecimento da medida, através dos órgãos de comunicação social, e tendo procurado saber quais os procedimentos prévios tomados, ouviu-se dizer, por via das más línguas, que o Magnífico Reitor não tem muito o gosto de ouvir o Conselho Académico e, neste caso, particular trouxe a decisão e apresentou como acto consumado contra o qual pouco ou nada se poderia fazer. Gestão não participativa.

5. Quando se toma uma decisão do nível desta, deve-se ter a certeza de que temos, pelo menos, a maioria da sociedade, ou dos intelectuais, ou dos pensadores, ou dos docentes universitários, ou seja do que for que interesse ouvir, do nosso lado. Se temos meia dúzia de colaboradores directos, ou amigos ou duas ou três pessoas, com interesse potencial em alcançar algum objectivo, próximos de nós, e o resto do mundo contra nós, temos a obrigação de recuar. Humildade.

6. O Padre Couto, filho de Nachingweia e irmào de muitos que derramaram o seu sangue pela libertação desta pátria, sabe, melhor do que muitos de nós, que não nos podemos transformar em inimigos ou adversários do nosso próprio povo. Não podemos combater aqueles a quem devemos servir. Com pressa de servir o povo, o Padre pensou em termos muito numéricos e quantitativos e nada qualitativos. Arrisca-se a prejudicar, com uma produção em massa de mediocridade, o seu próprio povo. Sabe que o enlatado faz mal à saúde, Padre. Antigo combatente.

7. Ao posicionar-se contra mais de 80% dos docentes da UEM e quase 100% dos intelectuais deste país, o Padre Couto parece estar sozinho numa questão onde deveria estar ao lado de todos. Daí o nosso apelo ao recuo, e por enquanto, à reflexão mais profunda. Adiamento.

8. A diminuição, Caro Padre, dos tempos dos cursos de licenciatura, em Moçambique, não é um debate novo. Não foi o Padre que trouxe esse debate, nem que o introduziu nos meandros do ensino superior no país. Sempre se disse que tinhamos uma formação superior pesada, antiquada, longa e muitas vezes distorcida dos objectivos que se pretende alcançar no fim do dia. Onde nunca se atingia o tal saber-fazer. Debate antigo.

9. Comparava-se a situação com a dos outros países, onde ao 2º ou 3º ano o indivíduo já é, normalmente, bacharel. Ao fim do tempo em que nós fazemos a licenciatura, os outros já são masters. Contava-se, até, com alguma graça, o facto de alguns de nós, ao chegarmos ás universidades de outros países levando apenas o título de licenciado e pretendendo fazer o mestrado, nos dizerem para entrar directamente no doutoramento – porque, com a carga que possuimos, na licenciatura, para eles já somos mestrados. Formação encurtada.

10. No entanto, meu Magnífico, no nosso país, a diminuição do tempo, por si só, não resolve os problemas. Solução leviana.

11. Os nossos semestres académicos duram pouquíssimo mais de 3 meses. Só se estuda com profundidade nos meses de Fevereiro, Março e Abril. Maio e Junho são meses orientados para os exames. Ou seja, o Padre Couto, ao reduzir o período de formação para 3 anos, está a reduzir a formação superior em Moçambique a pouco mais de 9 meses. Tempo útil curtíssimo.

12. A comparação a outros países que parece ser um dos grandes argumentos para se avançar com a medida é muito errada. Os países que se diz terem esse tipo de formação – África do Sul, Estados Unidos – têm as mesmas condições de ensino que as nossas? Colocando a questão ao contrário: O nosso país tem condições de ensino semelhantes as dos Estados Unidos? Claro que não. Então, não copiemos os modelos de países tão diferentes do nosso. Não transportemos modelos de ensino de países onde há mestrados e doutorados sem emprego, para um país onde não há professores dos níveis mais elementares. Nunca vi um licenciado a dar aulas na escola primária no nosso país. Nesses países – de onde estamos a copiar, e mal, o sistema – há doutorados a darem aulas na 1ª classe. Há manuais gratuitos, acesso à internet, laboratórios, livros, bibliotecas, excursões, viagens e visitas de estudo – tudo isso na escola primária. Não há alunos a estudar sentados no chão, em baixo de árvores. Comparação ridícula.

13. Com muita pressa, e quando perguntamos a colegas sobre as razões de tão precipitada medida na UEM, diz-se: É assim em todo mundo! Mas esquecemo-nos que, no tal todo mundo, não há professores de 12ª mais 1, 7ª mais 3, um processo de formação de professores que deforma mais os professores do que os alunos. A pressa é inimiga da perfeição.

14. Caro Padre, não podemos dizer que há falta de polícias e, acto contínuo, recrutamos 10.000 cidadãos, ensinamos a disparar uma pistola e uma AKM e colocamo-los no mercado, após uma semana de formação. Nem sequer dizer que há falta de enfermeiros e ensinar alguns milhares de homens e mulheres a dar uma injeção e colocar nos centros de saúde. Do motorista ao mecânico vai uma distância impossível de transpor só com o decurso do tempo. Nem com 50 anos de experiência um motorista pode ser um mecânico. A menos que o carro avarie todos os dias e aí teriamos um mecânico sem conhecimento científico, mas tão somente um curioso. O tempo de serviço dá experiência, e isso é muito bom, mas não dá conhecimento científico que se possa transmitir. E sobretudo não dá avanço na ciência. Deformação.

15. Os nossos formandos, após os famigerados 3 anos, até podem saber o básico e essencial na sua área. Mas nunca terão o conhecimento suficiente para trazerem avanço na ciência, darem luzes e pistas a outros colegas para trazerem mais valia e descobertas. Serão apenas meros reprodutores do básico que aprenderam. E quando teremos os cientistas moçambicanos? E quando estaremos ao nível de competir no mundo? Não queremos ser repetidores de afirmações, sem nenhuma criatividade, sem nenhuma obsessão pela pesquisa e pelo progresso científico e académico. Se hoje temos bons técnicos e bons quadros – e disso o Padre se pode orgulhar, pois faz parte do processo – deve-se aos 5 anos de licenciatura. Os 3 nunca experimentamos e nem sequer temos a certeza que trarão o sucesso que se pensa. Reprodutores mecanizados.

16. Todos os dias queixamo-nos de que os doutores de hoje possuem muitos problemas de formação. Escrevem com dificuldade, leem com dificuldade e mal interpretam os fenómenos que lhes são apresentados. Dificuldades actuais.

17. A base de formação da educação está cada vez mais frágil, em termos qualitativos, apesar dos numerosos progressos que fizemos a nível quantitativo com a construção de escolas, abertura do ensino ao sector privado e capacitação de um maior número de professores. Já temos escolas e professores, há ainda um trabalho gigantesco para elevar a qualidade. Qualidade fraca.

18. As revoluções sempre trazem algumas vozes contra. É normal. As grandes e profundas alterações trazem consigo muitas vozes reticentes, discordantes e críticas, muitas vezes baseadas numa análise simplista – até houve cientistas que foram mortos, nos tempos mais remotos, por terem apresentado teses científicas revolucionárias relacionadas com a terra, o sol ou a lua. Não pense o Padre que este artigo insere-se nas vozes do contra, daqueles que se acomodam num sistema e encaram as mudanças como processos de difícil adaptação. Não. Resistência ás mudanças.

19. Mas é óbvio que perante um processo de mudança, as vozes que se erguem contra podem situar-se em 1 de 3 planos: terem razão, não terem razão ou terem razão parcialmente, o que significa que a revolução deve ser feita mais tarde. Crítica permanente.

20. Sempre que se discutiu essa questão do formato dos nossos cursos superiores pocicionei-me do lado revolucionário. A favor das mudanças. Hoje, perante a ideia da diminuição do tempo da licenciatura continuo do mesmo lado. Do lado do Padre Couto. Simplesmente, perante o cenário actual da tal fraca qualidade, do facto de ainda nos encontrarmos num processo de complementar o 8 de Março (através do aumento qualitativo) é mais do que evidente que ainda não é o momento apropriado para avançar com a revolução. Concordo, mas não tão já, Padre. Momento não ideal.

21. Ainda não nos encontramos no momento certo para a mudança. Não que isso se vá prolongar indefinidamente, ou que se possa pensar que nunca haverá um momento ideal – ou que o óptimo nunca chega – nada disso. O nosso país encontra-se, ainda, num processo de crescimento, de afirmação e desenvolvimento científico e cultural. Claro que, não tarda muito, teremos um ensino de qualidade que nos permita fazer cursos superiores de 3 anos num processo que terá muitas das matérias já tratadas pelos alunos na 11ª e 12ª classe. Os que vão para Direito podem ter Introdução ao Estudo do Direito, Direito Constitucional, Administrativo ou do Trabalho nesses anos. São matérias que qualquer cidadão deve conhecer e, mesmos antes do ensino superior, é salutar que com elas tome um primeiro contacto. Na universidade aprende-se as matérias mais específicas e especializadas. Ensino direcionado.

22. O Padre sabe que a guerra pela libertação da nação não se fez com actos precipitados e irresponsáveis. Não se sabia que ali há um grupo de tropas coloniais e avançava-se de forma cega e imprudente só porque queriamos a libertação da nação. Fazia-se, antes, o reconhecimento do local, do número de inimigos, qual o armamento que traziam e quais as nossas capacidades e só depois de tudo ponderado é que se avançava. Só a maturidade e o conhecimento dos verdadeiros objectivos da luta aliados a muita calma, paciência e ponderação trouxeram a vitória.Responsabilidade.

23. As cadeiras que vão ser eliminadas vão para onde? Desaparecem pura e simplesmente? Alguém analisou os planos curriculares, com a profundidade necessária – e não tchapo tchapo, curso a curso, para saber quais as cadeiras que devem desaparecer? Algumas dessas cadeiras devem ir para o ensino secundário ou pré-universitário. O Padre contactou o Ministério da Educação para saber se vão contemplar tais disciplinas nessa classes? Se foram contratados professores? Ou foi feito um exercício Tipo Cozinheiro: Tira esta, esta, esta e aquela. Ficam só as principais. Não pode ser. A partir da 11ª, os alunos que vão para medicina, enfermagem, farmácia e outros curso afins deverão ter algumas cadeiras obrigatórias – que são as chamadas genéricas e que são dadas em todos cursos. Quer dizer, são as que passariam da universidade para o pré-universitário. Que se saiba, o Padre não se deu ao trabalho de tal exercício. São cadeiras que podem parecer desnecessárias, mas no fundo ajudavam os estudantes num exercício amplo de conhecimento geral e de cultura geral. Saber não ocupa lugar.

24. Conheci uma estudante sul-africana que nunca estudou nos bancos da universidade onde se encontra a fazer a sua formação superior. Quando chega a época dos exames, normalmente em Junho e em Dezembro, faz a matrícula nas cadeiras que quer e faz o exame respectivo. Não tem limite em termos de número. Faz o exame do número que quiser. Logo que for aprovada nas cadeiras todas do Curso, independentemente do tempo em que esteve a ser examinada, terá o seu diploma. A base são os créditos que permitem que o aluno seja considerado bacharel, licenciado ou mestrado. A universidade não se preocupa em ter os alunos sentados nas suas cadeiras todo o ano. Interessa-se pelos resultados e por isso é uma instituição aberta que utiliza o dinheiro das matrículas para pagar os docentes que corrigem as provas. Os alunos que terminem os créditos estarão preparados para entrar e competir no mercado de trabalho. Podiamos, por enquanto, introduzir esse sistema na UEM. Formação auto-didacta baseada em créditos.

25. Já se fala em greves silenciosas e em sabotagens não declaradas na UEM. Os docentes não vão sabotar porque estão a pensar neles, nem sequer porque não acreditam no modelo. Acreditam e gostariam que um dia ele fosse adoptado, seria bom para todos nós – os filhos dos docentes irão beneficiar-se com isso. Por isso, eles estão de acordo quanto ás vantagens do modelo. Mas ele não começa com a UEM sozinha na corrida. Deve envolver o ensino secundário e pré-universitário, os outros institutos profissionais e as instituições onde os tais profissionais deverão fazer um estágio prático, antes de avançarem para o mercado do trabalho. Trabalho conjunto.

26. Tenha calma, Padre.Estamos consigo, mas não se precipite. Teremos na UEM uma base de formação em 3 anos – o que até será muito bom. Mas não é ás pressas. Se tem boa vontade, trabalhe para melhorar a ensino desde a escola primária. Estabeleça convénios para que a UEM participe na formação ou capacitação dos professores que lecionam da 1ª a 4ª classe. Faça cursos específicos para melhoramento do nível dos professores, de forma permanente – para que saibamos que, na UEM, todo o ano há acções de ensino para professores não universitários. Inicie o processo de transferência dessas cadeiras para o pré-universitário. Ajude a transformar a (inaceitável) formação 12ª mais 1 ou a 7ª mais 3 em algo mais benéfico para o professorado em Moçambique, eliminando definitivamente a banalização de tão nobre profissão. Formação de base com qualidade.

27. Daí, o meu apelo para a observância da qualidade. Após décadas de independência, não se preocupe em correr para ter número, mas sim para ter qualidade, sob pena de resvalarmos para um abismo, onde as instituições de formação superior colocarão no mercado milhares de quadros sem qualidade e que, ao invés de contribuirem para o conhecimento trazendo novas e interessantes abordagens, tornar-se-ão cidadãos com um diploma nas mãos e nada na cabeça. Sem poderem ajudar-se a si próprios e ao país em que vivem. Qualidade, qualidade e qualidade.

28. Sabe, Padre, perguntei, há cerca de 6 meses, a alunos meus do secundário se conheciam Eduardo Mondlane, responderam: Já ouvimos falar, mas não estamos a ver quem é. A nossa academia tem que ser suportada por profissionais de qualidade, que sabem de onde vieram, onde estão e para onde vão. Correr não é chegar.

Jorge de Oliveira

Secretário-Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos

Mestrado em Ciências Jurídicas pela UEM


Share/Save/Bookmark

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Figuras de Moçambique do ano 2008

Os nomeados são:

1. As Melhores Figuras de Moçambique em 2008

Político - Armando Guebuza e Davis Simango
Desporto - Arnaldo Salvado
Música - Stewart Sukuma
Jornalismo - Holden Guedes
Justiça - Juiz Paulino
Sociólogo - Elisio Macamo
Economista - Carlos Castel-Branco
Empresário - Celso Correia
Governo - Ivo Garrido
Sociedade civil - Alice Mabota (LDH)
Teatro - Gilberto Mendes (Gungu)
FRELIMO - Edson Macuácua
RENAMO - Eduardo Namburete
Share/Save/Bookmark

quarta-feira, dezembro 10, 2008

A PROBLEMÁTICA POLÍTICA MUNDIAL VISTA À LUZ DA CRISE ZIMBABWEANA

A PROBLEMÁTICA POLÍTICA MUNDIAL VISTA À LUZ DA CRISE ZIMBABWEANA

´´A propaganda leva-nos muitas vezes a abraçar

agendas ou causas ruíns, que só servem os interes-

ses dos outros países, mas que nunca devíamos assumir,

em total prejuízo daquelas que são nossas, e que devíam

servir os nossos genuínos interesses´´ Professor Baguenda.

Por Gustavo Mavie

Um dos meus professores que mais me marcou, um tanzaniano de nome Baguenda, que me deu a cadeira de ´Pensamento Político´´, várias vezes proferia estas palavras com que começo este artigo com que pretendo dissertar sobre a realidade política mundial de ontem e de hoje, tendo como epicentro, a crise político-económica zimbabweana.

Ele insistia sempre com a calma que lhe era característica, que a propaganda visa moldar as mentes das pessoas a que é dirigida, para que pensem em função e conformidade com o desejo do propagandista.

Para melhor se fazer entender, ele recorria muitas vezes, como que inspirando-se em Jesus Cristo, a parábolas, como quando dizia que a propaganda visa levar os seus alvos, a dançarem ao som da música do propagandista.

Por isso, Baguenda instava-nos sempre, a compenetrarmos, e a pensar profundamente sobre porque é que somente os líderes dos povos do terceiro mundo, têm sido severamente punidos pelos pequenos e grandes erros ou desmandos que amiúde cometem no processo da governação dos seus países.

Um dos seus exemplos predilectos, era o então presidente Noriega da Nicarágua, do Panamá, que os Estados Unidos foram prender na década de 80 no seu próprio pais, em pleno exercício do seu mandato, e o levaram à força para uma prisão norte-americana, onde até hoje se encontra a cumprir uma pena perpétua, após o condenarem sumariamente, sem direito a desfesa, por alegado tráfico de drogas.

Julgo que hoje Baguenda deve recorrer a Saddam Hussein, para mostrar que os EUA continuam iguais a si próprias, e a penalizar os estadistas de outros países, recorrendo a todo o tipo de acusações, como quando derrubaram este líder iraquiano, sob a alegação de que detinha armas de destruição massiva, ao mesmo tempo que têm estado a fazer tudo para penalizar Mugabe, a quem Washington e Londres acusam de ter cometido graves violações dos direitos humanos no seu país, quando eles próprios são piores violadores dentro mas, acima de tudo, fora das suas fronteiras, como iremos demonstrar ao longo deste artigo.

Baguenda tinha, obviamente, um outro ror de muitos outros casos ou exemplos com que nos punha as nossas mentes em permanente ebulição e questionamento da tortuosidade da política mundial, para que não as deixássemos moldar pela propaganda ocidental, especialmente pelo duo EUA-UK, ou Grã-Bretanha neste último caso.

´´Protejam as vossas mentes da propaganda venenosa, e vocês próprios, com o saber que vos faça sempre sábios, e para isso, devem ler e ler sempre bons livros políticos, como este de Hans Morgenthau intitulado ´´A Política Entre Nações – A luta pelo Poder e Pela Paz´´., assim nos instava ele, para depois vincar que se não nos protegermos, seremos conduzidos como um rebanho que até se leva à morte no matadouro sem ter consciência disso ate que lá chegue se seja decapitado um a um.

Neste seu livro, Morgenthau destaca, no capítulo sobre propaganda, que qualquer país que seja, e muito mais quando é uma superpotência que queira manter a sua influência e assim perpetuar a sua dominação político-ideológica sobre o resto do Mundo, deverá servir-se não só do seu potencial diplomático e militar, mas, acima de tudo, deverá montar uma poderosa máquina de comunicação, como rádios e televisões, para com elas disseminar a sua propaganda, que lhe possa permitir moldar um pensamento uniforme, e assim poder manter a submissão (voluntária) dos outros povos´.

Morgenthau vinca que hoje em dia, ´´a política externa é feita não só através dos meios tradicionais da diplomacia e do mito militar, mas, também e acima de tudo, com base na nova arma que é a propaganda.

´´Isto porque na luta pelo poder no domínio internacional, não se pode limitar apenas às guerras militares pela conquista da supremacia militar, e pela dominação política, mas tem que ter sempre em conta a luta pela conquista das mentes dos homens´´, vinca este académico já falecido norte-americano de origem alemã.

´´O poder duma nação, agora, depende não só da habilidade da sua diplomacia e da força das suas forças armadas, mas também pela sua capacidade de atrair as outras nações e povos, a abraçarem a sua filosofia política, bem como tudo que são o seu espólio político e suas instituições em geral´´, assim destaca Morgenthau.

Esta sua explicação, explica também de forma clara porque é que os países com intenções ou tendência de dominar política e militarmente outros povos, como os EUA e Grã_Bretanha, gastam rios de dinheiro para montar e manter poderosíssimas rádios e televisões nos seus países, sendo com base nelas que se servem para disseminar essa sua propaganda, como são os casos da Voz da América e da BBC. Montaram e mantêm tais meios de comunicação poderosos, para com elas moldarem as mentes dos homens de todo o mundo, para que pensem como eles querem que pensem.

Muito embora não seja para dominar outros povos, a China por exemplo, serve-se também dos seus meios de comunicação de massa, como escudo de defesa das mentes do seu povo, para armá-lo, de modo que a mente deste não seja assaltada pela propaganda estrangeira ou seja moldada pela do Ocidente, e que neste caso tem estado a tentar a levar os cidadãos chineses a acreditarem que o seu governo comunista é ruim, que deve ser substituído por todos os meios.

Para tal, o governo chinês gasta também o equivalente a biliões de dólares para montar uma poderosa máquina de comunicação, como mega estações de rádio e televisão.

Para se ver a importância que a liderança chinesa atribui aos seus media, é que os coloca em pé de igualdade com o exército. Os seus dirigentes justificam isto, dizendo que quando um governo não se arma com o poder dos meios de comunicação para manter o seu povo bem informado da verdade e da justeza da sua agenda político-económica nacional, arrisca-se a fracassar, e a ver todo esse projecto ir-se por água abaixo, porque a mente desse seu povo será moldada à imagem e semelhança do que o Ocidente quer seja, e será levado a pensar em função do que beber da propaganda que lhe será emitida de fora.

Tal pode acontecer de facto, porque Morgenthau vinca que ´´toda a política externa é uma guerra pelo controlo das mentes´´; e que, ´´no caso concreto da propaganda, é tanto assim em específico, porque visa mesmo moldar directamente as mentes das pessoas, para que aceitem certos factos forjados, não porque são verdadeiros, mas porque assim se lhes são apresentados ou inculcados´´, sendo o exemplo disto agora, o facto dos EUA terem espelhado ao mundo a tese que no Iraque de Saddam Huseein, havia armas de destruição massiva, que deviam ser destruídas a todo o custo, porque caso contrário, poderiam ser usadas para destruir os próprios EUA e o resto do Mundo.

A força com que espelharam essa mensagem, levou os menos informados da táctica da Casa Branca executada pelo Pentágono, a acreditarem que tais armas existiam mesmo, quando, na verdade, era um trampolim que visava encobrir o que estava em causa de facto, que era o petróleo iraquiano que Saddam não deixava ser assaltado pelos EUA a preço de banana.

MBEKI SUGERE QUE TSIVANGIRAI TEM A MENTE FORMATA PELO OCIDENTE

É interessante que o antigo Presidente sul-africano, Thabo Mbeki assume como válida esta tese de Mergenthau, ao deixar claro que o que tem complicado e retardado a entrada em funções do governo de partilha do poder no Zimbabwe, é porque o próprio líder da oposição zimbabweana Morgan Tsivangirai, pensa e age em função do que lhe é ditado pelos lideres ocidentais, alertando-o, numa carta que lhe endereçou o mês passado, que isso não lhe vai ajudar em nada para a normalização da situação no seu país.

Nessa carta, Mbeki desmonta a falácia dos dirigentes do MDC e suas alegações, ao mesmo tempo que vai mais a fundo, para expor a tendência dos seus lideres de levarem à imprensa ou à arena pública tudo o que discutem em fóruns diplomáticos da região, bem como a sua evidente submissão e clientelismo ao Ocidente, em prejuízo dos legítimos interesses deles próprios e dos zimbabweanos em geral.

Mbeki vinca assim: ´´ Sabe muito bem que, entre outras coisas, vários países da nossa região albergam numerosos refugiados económicos vindos do Zimbabwe, e que tem imposto um fardo muito pesado sobres estes nossos países´´.

Noutro passo, Mbeki vinca assim: Sabe também que por lealdade à prática da solidariedade africana, nenhum destes países e governos tem estado a falar publicamente do quanto custa suportar esse fardo, por recear de que isso podia despoletar xenofobias de que todos nós somos contra. No entanto, os lideres do povo do Zimbabwe, incluindo você meu querido irmão, precisam ter sempre em mente que a dor que o vosso país suporta, é transferida para as massas dos nossos países, que neste caso se confrontam elas próprias com os desafios que derivam da pobreza em que vegetam, para além de que muitos deles enfrentam o desemprego e o subdesenvolvimento´´.

Ele destaca que ´´há que ter em conta também que este fardo não é carregado pelos países da Europa Ocidental ou da América do Norte, e que, neste caso, são quem beneficiam das habilidades dos profissionais zimbabweanos que emigram nesses seus países´´.

´´Ao fim e ao cabo, quando tudo tiver sido dito e feito, o Zimbabwe terá de existir em paz e colaboração produtiva com os seus vizinhos na Africa Austral e no resto da Africa. Realisticamente, o Zimbabwe nunca partilhará a vizinhança com os países ocidentais europeus ou da América do Norte, e, por conseguinte, assegurar o seu sucesso na base da sua amizade com estes países distantes, e persistir na sua recusa às decisões dos seus vizinhos imediatos.´´, assim diz Mbeki, na sua réplica à uma carta que o Secretário-Geral do MDC, o emocional e fervoroso Tendai Biti, lhe endereçou, em que acusa Mbeki e os restantes líderes da SADC, de serem combardes, ao mesmo tempo que rotula a decisão que estes tomaram na sua última cimeira na Africa do Sul, de que o MDC deve partilhar com o governo de Mugabe a gestão do ministério do interior que controla a polícia, de ´´inútil´´.

Mbeki repudia veementemente o recurso a uma linguagem irresponsável e insultuosa com que Biti e, dum modo geral, todos os lideres do MDC Tsivangirai, tratam os lideres da região. Sempre que se dirigem a eles, espelham de facto um desprezo e uma veneração e um amor mortal pelos do ocidente, talvez porque é deles que recebem todos os apoios financeiros e ordens para decidir o que fazer a cada vez que vão á mesa de negociações com o executivo de Mugabe.

PENSEM SOBRE PORQUE É QUE OS LÍDERES OCIDENTAIS E SEUS PAÍSES NUNCA SÃO SUJEITOS A SANÇÕES OU BANIMENTOS

Baguenda instava-nos também a pensar sobre porque é que as sanções políticas e económicas, são sempre e somente impostas aos líderes e países do terceiro mundo, do tipo das que são agora aplicadas contra o Zimababwe e a sua liderança pelo Ocidente, e que têm sido a principal causa do sofrimento e morte de seus cidadãos por doenças evitáveis, como os centos que ja sucumbiram agora vítimas da cólera, ou bloqueios económicos, como o que tem estado a ser imposto contra Cuba há mais de 50 anos pelos EUA, mas que nunca são aplicadas a estes mesmos países ocidentais que passam a vida a punir os outros, mesmo quando cometem os piores crimes contra os seus próprios povos ou contra os dos outros países e de toda a humanidade como tal.

Para nos levar a ver no concreto aquilo de que estava pregando, enumerava uma série de guerras e invasões injustificadas que estes países haviam levado a cabo ao longo de séculos contra outros países e territórios que não gostavam delas ou que não eram aliados seus do tipo Israel que têm estado a defender, não obstante esteja a ocupar a Palestina e a matar o seu povo há mais de 60 anos, bem como uma infinidade de outros actos bárbaros que haviam cometido então em nome da luta contra o comunismo que eles diziam que era ruim para a humanidade. Entre o ror de barbaridades que ele apontava, destacava a colonização que impuseram sobre o resto do mundo, para não falar da invasão e ocupação do Vietname que, neste caso, foi primeiro levada a cabo pela Franca e depois pelos EUA.

´`Pensem sobre isto e muito mais, e vejam quão hipócritas são estes países, que se armam em defensores acérrimos dos direitos humanos, como o têm proclamado, quando durante séculos discriminaram oficialmente nos seus próprios países, os negros, como aconteceu nos EUA ou na Africa do Sul dos bóeres, com a cumplicidade de quase todo o mesmo Ocidente, do mesmo modo que os EUA quase exterminavam com balas de todo o tipo, os índios, para não falar das graves violações dos direitos humanos que cometeram além fronteiras, como o fazem agora no Vietname´´., assim dizia.

Antes de terminar este artigo, devo destacar que o que voltou a recordar-me que a propaganda perverte as mentes e decidir escrever este artigo, foi a procissão de cidadãos moçambicanos que condenaram Mugabe durante o Café da Manhã desta segunda-feira última na RM. Foi espantoso mas compreensível ver que há pessoas que acreditam que o Ocidente morre de amores pelo povo zimbabweano, e que tudo o que tem feito visa salvá-lo do diabólico Mugabe.

É certo e inegável que Mugabe cometeu alguns excessos, mas estão bem longe se igualar aos cometidos por Bush, Blair e companhia que neste caso lideram a campanha anti-mugabismo. E os que acreditam que eles morrem de amores pelos zimbabweanos, sofrem de amnésia. Isto porque passam apenas 16 anos que este mesmo Ocidente que hoje quer Mugabe deslojado do poder, apoiava lideres muito mais sanguinários como Ian Smith e os Bothas que estavam á frente dos regimes racistas que nos discriminavam, matavam e mantinham santos na terra como Mandela na cadeia, um Mandela que só este ano foi, finalmente, retirado da lista negra em que os EUA mantêm todos os que consideram como lideres terroristas.

Confesso que sabia que o Ocidente estava ganhando a guerra das mentes em função da sua propaganda em torno desta crise, mas nunca imaginei que havia tanta gente assim que para mim já têm as suas mentes já formatadas, e que já nutrem tanta repulsa por Mugabe e o seu governo. É curioso que na mesma segunda-feira, jà à noite, houve na BBC um outro debate, em que esta emissora pretendia saber se haveria ou não consenso de que se deve recorrer à força para se remover Mugabe do poder.

A intensidade e divergência de opiniões com que esse debate decorreu, levou-me a ver que o que havia se realizado no Café da Manha servido pelo Emílio Manhique serviu tinha sido um kuxakanema ou ensaio.

Uma das coisas que retive desta da BBC, foi quando um dos participantes de nacionalidade ganesa, se insurgiu contra um outro da coroa britânica que preconizava que se devia levar Mugabe ao julgamento em Haia, por crimes contra o povo zimbabweano.

O ganês chamou ao atenção o tal britânico, dizendo que se se fosse pelo gravidade dos crimes cometidos, os que deviam ser priorizados eram George Bush, dos EUA, e o seu amigo e fiel britânico Tony Blair, porque invadiram, sem justa causa, o Iraque na base de mentiras, e a mantêm ocupado, e a matar to seu povo só e só porque é contra essa sua ocupação. ´

´´Mas porque só levam para julgamento os lideres doutros países, e nunca os dos vossos próprios que, neste caso, também cometem crimes contra os povos, como o fizeram Bush e Blair, e ainda o fazem no Iraque´´, indagou aquele ganês, deixando o tal comentador inglês sem jeito, tendo este se limitado a dizer que ele tinha sido contra a invasão do Iraque, ao que o ganês replicou que agora devia exigir que fossem julgados, e não se limite a preconizar isso em relação a Mugabe.

Uma vez chegado aqui, julgo ter sido capaz de provar que há muita gente aqui no nosso país que tem a sua mente moldada pela propaganda ocidental, daí que se senta tanta repulsa contra Mugabe, por ter cometido quanto a mim, o pior crime de acabar com o monopólio das terras férteis pela minoria branca do seu pais, mas já não nutram nenhuma aversão e repulsa por Bush e Blair, que invadiram uma nação tão distante como o Iraque, para se apoderarem das suas imensas jazidas de petróleo.

gustavomavie@gmail.com


Share/Save/Bookmark

terça-feira, novembro 25, 2008

A RENAMO PERDEU TODAS AUTARQUIAS

O meu pais eh baum !!!
>
> Eh facil NAO TRABALHAR e acusar o outro !
>
> - O lider da oposicao diz que perdeu porque " O
> Governo decretou tolerancia de ponto em TODO o pais,
> enquanto se votava em apenas 43 autarquias.
>
> Eh facil ESCONDER as suas fraquezas e incopetencias
> atirando a culpa aos outros !
>
> - A RENAMO expulsou Daviz Simango e, PERDEU em TODAS
> autarquias e, o seu lider diz que isso eh mau para a
> "democracia"
>
> Eh melhor parar aqui com os exemplos:
>
> COMO EH POSSIVEL reclamar uma goleada de 10-0 por causa de
> um livre quando ja estava 8-0 ???
>
> O QUE O LIDER estah a fazer para mudar o cenario politico
> deste pais ? ENTREGANDO claramente o poder TOTALITARIO a
> FRELIMO ? Dando-se constantemente TIROS AOS SEUS PROPRIOS
> PES ????
>
> Como ele justifica que o seu candidato escolhido pelas
> "bases" leva uma verdadeira CABAZADA no seu
> proprio reino ???
>
> Como ele justifica que o seu partido nao tenha MANTIDO uma
> unica autarquia por si ganha no passado ???
>
> CULPADO:
>
> FRAUDE
>
> - A MESMA que lhe custou a derrota em 94
> - Em 99 (fala-se de boca cheia que aqui podem ter razao
> mas, NADA fizeram para inverter nos pleitos seguintes)
> - Em 2003 nas segundas autarquicas ( nao participaram nas
> primeiras)
> - Em 2004 quando levaram uma pesada derrota
> - Hoje, em 2008 a cancao eh a mesma
>
>
> Amigos,
>
> Nao acham que Mocambique merece algo melhor que Dlakhama
> ???
>
> Nao acham que Homenes e Mulheres que se sacrificam todos os
> dias mereciam ouvir discursos mais coerentes do PAI DA
> DEMOCRACIA ??
>
> Mesmo sendo adepto da FRELIMO nao posso deixar de achar
> ESTRANHO que, num pais onde existem inumeros partidos
> politicos, haja um CLARO DOMINIO de apenas UM pois, os
> outros NADA FAZEM para melhorar a vida deste povo que tanto
> sofre para ter o melhor para si.
>
> Acho, inclusive que os discursos do PARTIDAO poderiam
> melhorar se houvesse um VERDADEIRO DESAFIO vindo de fora e
> que, com ideias mais coerentes ao inves de insultos,
> barulhos insurdecedores na casa magna do povo...
>
> Daqui a pouco vamos ter UM UNICO partido a ditar as Leis
> que, poderao fazer com que hajam lideres vitalicios ( nao
> vai surpreender que haja uma alteracao na constituicao para
> o Guebas ficar mais tempo no poder)
>
> MALTA...
>
>
> SOCORRO, ajudem o Lider, forcando-o a olhar-se no espelho e
> DEMITIR-SE para dar espaco aos outros com ideias frescas e,
> coerentes.

Obrigado
Share/Save/Bookmark

sexta-feira, novembro 21, 2008

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS 2008 - ALEJADOS POLÍTICOS NA BEIRA (??)

Há dias  escrevia que haveria ALEJADOS POLITICOS na Beira em função
dos resultados eleitorais. E prontos confirmou-se, o "Miudo", como
lhe chamam estanhou os seus adversários. Na beira votou-se até a
madrugada (zero horas) e ai dos membros da mesa que quisessem
encerrar a votação, as BASES estavam lá para exercer seu direito. E
mesmo na altura da contagem a população ficou para vigiar e ter a
certeza que o seu candidato preferido não ia ser roubado. Os
adversários subestimaram o MIUDO e fingiram que não sabiam que os
Beirenses têm TOMATES POLÍTICOS no sentido metafórico do termo. A
posição do LIDRE e seus sequazes de afastar o Enginheiro teve um
efeito de triplicar as chances do "Miudo". Sei que houve um
adversário que até ficou mesmo DOENTE clinicamente pelos efeito dos
resultados.

Interessantes as reacções dos estanhados (Autarca de 20/11/2008):

1. Lourenço Bulha, mostrou – se inconformado com a contagem parcial
que vai dando vitória ao seu principal opositor, o independente
Daviz Simango. Afirmou que a votação de ontem na Cidade da Beira
teve algumas irregularidades, as quais estão ainda a ser analisadas
ao nível do seu partido para posterior encaminhamento aos órgãos
competentes. Afirmou que no fim do dia teve informações de que
eleitores foram transportados em massa por camiões para as
assembleias de voto.[TAMBÉM A PROMETER UM MANDATO DE MORTES, O QUE
ESPERAVA]


2. Manuel Pereirra, atenção: "DISSE TER SIDO SURPREENDIDO COM O
ANÚNCIO DA SUA CANDIDATURA PELO PARTIDO, O QUE NÃO PERMITIU-LHE
TEMPO SUFICIENTE PARA SE PREPARAR". [Ia para onde?]

3. Romão descreve o processo eleitoral como sendo bastante
DESGASTANTE. Ele qualificou a votação de ontem como tendo sido mais
por VINGANÇA dos autarcas beirenses em solidariedade ao jovem
Engenheiro Daviz sobretudo pela forma repentina como foi preterido
pela Renamo, culminando com a sua expulsão do partido.

É caso para dizer que se Moçambique fosse similar um pouquinho com
Beira, NATURAL não ia TREMER

Saudar efusivamente os Beirenses pelo ensinamento e por mostrar que
YES, WE CAN. Se não dançarmos da mesma forma não é porque o chão
está torto, somos nós.

Hahawonana
Fanhana

Share/Save/Bookmark

terça-feira, novembro 11, 2008

Pertenço a um País, o País do Chiconhoca



De: "Betuel Canhanga"

Pertenço a um País, o País do Chiconhoca

A crença geral anterior era de que Samora não servia, bem como Chissano.Agora, dizemos que Guebuza não serve. E o que vier depois de Guebuza também não servirá para nada. Por isso, começo a suspeitar que o problema não está no DEIXA ANDAR de Chissano ou na farsa que é o NÃO DEIXA FAZER de Guebuza. O problema está em nós! Nós como povo! Nós como matéria-prima de um País! Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o Dólar. Um País onde ficar rico da noite para o dia é uma "virtude mais apreciada" do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um País onde, lamentavelmente, os Jornais jamais poderão ser vendidos como em outros Países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só Jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.


Pertenço ao País onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos... Pertenço a um País onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo ou da DSTV, onde se frauda a declaração de IRPS e IRS para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um País onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os Directores das Empresas não valorizam o capital humano que tem antes pelo contrário os exploram. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do Governo por não limpar os esgotos. Onde as pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde os nossos Políticos trabalham dois mizeros dias por semana para aprovar Projectos e Leis que só servem para caçar mais os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns que jÌ sabemos quem são. Pertenço a um País onde as cartas de condução e as declarações e atestados Médicos podem ser "comprados", sem se fazer qualquer exame.

Um País onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no machimbombo, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um País no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um País onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos Governantes. Quanto mais analiso os defeitos de Chissano e de Guebuza, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.

Quanto mais digo o quanto o Samora é culpado, melhor sou eu como Moçambicano, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um Cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não! Não! Não! Já basta!

Como "matéria-prima" de um País, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso País precisa! Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE MOÇAMBICANA'"congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na Política, essa falta de qualidade humana, mais do que Samora, Chissano ou Guebuza, é que é real e honestamente ruim, porque todos
eles são Moçambicanos como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...


Fico triste! Porque, ainda que Guebuza fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada...Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Samora, nem serviu Chissano e nem serve Guebuza, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa! E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados! É muito bom ser Moçambicano. Mas quando essa Moçambicanidade começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda... Não esperemos acender uma vela a todos os Santos , a ver se nos mandam um Messias. Nós temos que mudar!! Um novo governante com os mesmos Moçambicanos nada poderá fazer! Está muito claro... Somos nós que temos que mudar! Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso.


É a indústria da desculpa e da estupidez! Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir--lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO. E Você, o que pensa?.... MEDITE! E TOME ATITUDE.

Texto oriignal de EDUARDO PRADO COELHO

Share/Save/Bookmark

quarta-feira, agosto 27, 2008

Relatorio do CIP sobre Governação em Debate na Radio Indico 105.5 FM

Relatorio do CIP sobre Governação em Debate na Radio Indico 105.5 FM

Sabado dia 30/08/2008
Radio Índico 105.5 FM
Participe
Share/Save/Bookmark