terça-feira, novembro 17, 2009

Sobre o Despertar da Juventude Moçambicana

Durante as a campanha para as eleições recentemente terminadas, viu-se uma juventude repentinamente madura, com exigencias que há um ano atrás ninguém pensava-se com capacidade para tal. Viu-se uma juventude que criou uma espécie de gabinete de consultoria, onde, várias sensibilidades interessadas em exercer o poder durante os próximos 5 anos, foram lá prestar contas adiantadas do que pensavam fazer.

Alguns políticos levaram à sério as exigências juvenis, e lá foram apresentar as suas ideias sobre o que pensavam da juventude e dos seus anseios, defenderam a sua tese, com os seus objectivos políticos em relevo.

Mas o que sobressai e o que interessa não é se houve ou não afluência, se se levou à sério ou não ou se é legítimo ou não. O mais importante neste tipo de exercício é o despertar do sentido de cidadania que este tipo de exrecício representa.É o facto de se perceber uma força social capaz de desviar, nem que seja por dois tempos, a agenda do pensamento político, e da maneira de estar quase rotineira dos processos políticos.

Este tipo de exercício desperta a consciência de pertença na perspectiva de abrir espaço para a percepção de que afinal há capcapacidade de a juventude ser e estar na agenda política do país, não como mero instrumento, mas como um interlocutor válido e com ideias e com suporte próprio. Isso cria uma espécie de contraforça política, uma vez que, não representando nenhum partido político, sempre estará na mó de cima para a juventude como um segmento social interessado e afectado pelas decisões políticas, e sem se preocupar em agradar e ou em sabotar o poder do dia.

O brilhantismo da ideia reside na necessidade percebida de as instituições que regem a vida pública terem presente na mente que devem fazer a prestação de contas das suas acções nos afectados pelas suas decisões. Isso cria uma cultura de eficácia e de responsabilidade, desperta mais atenção aos decisores e mantém-os alertas no momento da implementação das decisões.

Alias, é assim que devia ser percebida a interacção entre os decisores e os beneficiários dessas decisões. A prestação de contas não pode ser entendida como uma subordinação ou como um controlo de tipo guarda costas, não. A prestação de contas é um estágio do desenvolvimento institucional de um país, e é também um caminho fácil para se atingir uma estabilidade a longo prazo. Também serve de despertador de consciências que se acham incapazes e ou excluidas da agenda nacional.

O facto de só a juventude ter dado esse passo é sinal de que Moçambique está a crescer, e a própria democracia está amadurecendo e tomando caminhos irreversíveis. Isso é bom e delicioso. O mais importante neste exercício não é a preocupação de se a ideia é levada a sério ou náo, o mais importante é o saber se este exercício será ou não repetitivo; porque se for algo sazonal, então a ideia não vingará por muito tempo, uma vez que no intervalo entre eleições, muita água passa debaixo da ponte, e não se sabe quantas e quais as pessoas que podem molhar. A sazonalidade do exercício da cidadania não permite avanços, mas cria rottinas, uma vez que o que se faz é a ritualização das acções dos actos, e não o desenvolvimento da consciência.

Isso pode se ver num exemplo vivo: os nossos partidos pequenos ou pequenos partidos. Eles fazem o mesmo de cinco em cinco anos, e o que se vê é a repetição dos mesmos mesmos resultados. Portanto se a ideia da juventude como um segmento social fortemente afectada pelas decisões políticas for de despertar para sempre para fazer uma pressão política às decisões que lhe afecta, então que seja isso. Mas se for apenas para a sazonalidade ou para agradar e ou para combater segmentos políticos, então tem duas opções: ou esquece-se o projecto ou então que fundem um pequeno partido ou pequeno partido.

X. Zacarias


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terça-feira, novembro 03, 2009

Quem efectivamente suporta a economia ?

OS 3 PILARES DA ECONOMIA

NUNCA UMA VERDADE FOI TÃO BEM DITA E EXPLICADA


 


 



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quinta-feira, outubro 01, 2009

O Apocalipse da democracia moçambicana




Nem sempre é fácil estabelecer comparações, no entanto, certas vezes em que tentamos fazer esse exercício somos interpelados pelos critérios que para tal nos apegamos. Como ponto de partida vou trazer o exemplo de um retrato feito pelo fotógrafo e o outro feito pelo artista plástico.

No primeiro caso um fotógrafo munido de uma camera digital de 12 megapixels tem a possibilidade de fazer mais do que 3 retratos por minuto com uma qualidade e nitidez de imagem invejável. No segundo caso, um artista plástico com ajuda do seu equipamento de trabalho – tinteiro, pincéis, tela, etc. - pode levar um par de horas para fazer um retrato. Porém no final de tudo existem os apreciadores quer de um quer do outro trabalho. Embora o retrato do artista plástico seja de admirar, a sua qualidade e precisão não será a mesma que a dos retratos feitos pelo fotógrafo pois estes levam vantagem a dobrar graças a ajuda da tecnologia. Nesta comparação fica meio embaraçoso atribuir mérito ao trabalho de um em detrimento do outro pois ambos fazem um trabalho semelhante – o de retratar a natureza através de imagens – usando meios diferentes. Naturalmente que um tem a vantagem de usar tecnologias que permitem a rapidez e precisão nos retratos enquanto que o outro tem a vantagem de fazê-lo de forma mais natural mostrando a habilidade humana de observar e retratar na tela.

Escusado seria que um destes se vangloriasse alegando fazer melhor trabalho, muito menos o fotógrafo pois este tem muita parte do seu trabalho facilitado pela tecnologia que usa em sua camera digital de 12 megapixels. Poderíamos no entanto fazer uma transposição deste exemplo para o cenário que se vive na campanha eleitoral de Moçambique (2009) em que perfilam intervenientes com perfis distintos.

Por um lado temos os partidos da oposição e por outro o Partido Estado que vem governando Moçambique desde a sua independência (1975) e que sempre tem levado vantagem nos escrutínios que se vem realizando desde 1994 (1999; 2004). Trata-se portanto de um partido que em principio tem muito para ganhar as eleições comparativamente aos seus opositores. Talvez seja por isso que os partidos da oposição, vezes sem conta, proferiram acusações contra o partido no poder de usar a verba pública para financiar as suas campanhas eleitorais e até mesmo viciar os resultados. Verdade ou não isso não importa neste momento como talvez seria em relação ao discurso actual deste partido na corrida às eleições gerais de 2009. O seu slogan principal reza que a FRELIMO é que fez e quem faz, acrescentando-se à isso uma estação televisiva privada passou uma reportagem sobre a campanha eleitoral deste partido no estrangeiro frisando ser o único a fazê-lo na diáspora comparativamente a oposição.

Ora bem, está-se perante algo semelhante à uma comparação desleal pois o partido no poder tem todas as vantagens possíveis pelo facto de ter um Governo constituido quase que oficialmente pelos seus membros. Naturalmente que é difícil separar os feitos do governo aos do partido. Durante o mandato de 5 anos, o discurso oficial ostenta a bandeira Governamental e na altura da campanha eleitoral a ostentação vira para a bandeira partidária que reivindica para si todos os feitos do Governo. Tal facto seria talvez pouco provável se o Governo fosse inclusivo – incorporando em cargos de direcção alguns membros dos partidos opositores. Numa estrutura governativade miscigenação politico-partidária seria pouco provável a confusão entre as fronteiras do Governo e do partido político dominante. Isso não significa porém que o partido no poder não tenha expressão no seu governo, mas esta deve-se manifestar no sentido fiscalizador e tomada de decisão ao mais alto nível na composição da sua estrutura governativa, sendo o resto manifestado ao nível parlamentar.

Ao nível da Diáspora o Partido FRELIMO tem muitas oportunidades de fazer a campanha eleitoral pois tem os seus membros a trabalharem nas embaixadas e consulados, em que nenhum partido da oposição tem os seus elementos.

A comparação acima aludida seria feliz quiçá, se o partido no poder tivesse células a funcionarem fora das embaixadas com instalações requintadas de equipamento a sua altura, e acima de tudo adquiridas com as cotas mensais dos seus membros. A comparação entre os feitos da FRELIMO e os dos partidos opositores teria mérito se talvez o primeiro construisse escolas e infra-estruturas públicas, da dimensão da ponte que liga Chimuara e Caia, com receitas provenientes das cotas mensais dos seus membros. Se assim fosse e não-se visse o mesmo exercício por parte dos restantes partidos da oposição talvez poderíamos aceitar a superioridade de uns sobre os outros.

Conforme se disse no início nem sempre é fácil estabelecer comparações e principalmente quando isso ocorre numa altura em que nos encontramos movidos por emoções ou quaisquer laços de afinidades – religiosas, étnicas, politicas, entre outras. Comparações tendenciosas soam de forma ruidosa quando provenientes de órgãos de comunicação social que reivindicam imparcialidade politico-partidária. Propalando-se uma postura dessa natureza no seio da imprensa pode-se correr o risco de se cair naquilo que poderia chamar de Apocalipse da democracia moçambicana.

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domingo, setembro 27, 2009

Peço um Voto Contra a AK 47 ou a Kalashnikov



Arma que torna nossa bandeira a única no Mundo






A Kalashnikov, arma automática vulgarmente conhecida por AK 47 ou AKM, em russo Avtomat Kalashnikova com referência 47 dando indicação do ano do seu fabrico 1947, é uma das armas que mais matou no mundo e com certeza a que mais mata na actualidade.

Foi criada por Mikhail Kalashnikov, jovem, na altura com somente 28 anos de idade, e produzida na União Soviética, entretanto, o Israel e o Irão são hoje os seus maiores produtores. Os entendidos na matéria dizem que ela é uma arma de assalto e uma das armas de fogo mais baratas e muito fácil de encontrar a venda.

Esta arma é amada porque é fácil de usar, é barata e pode ser encontrada a venda em qualquer lugar. Mais do que isso, ela é uma arma bastante resistente e pode ser utilizada sem necessidade de cuidados espaciais relativamente a chuvas, água, arreia, lama entre outros.

Pesando em média 4 kg, a AKM é muito usada pelos rebeldes, terroristas e bandidos, dada a facilidade de aquisição, manuseio e limpeza. Esta arma tem um raio de acção útil acima de 1,5Km, embora com alcance eficaz de 600m e pode disparar cerca de 600 tiros por minuto. Esta, é uma arma devidamente reconhecida inclusive pelo Guiness Book, o livro dos recordes, que a qualifica superior em termos de uso, a sua rival americana M16.

Hoje com cerca de 62 anos, a AK-47 tem muitas histórias por contar. Já passou por mãos de poderosos e de fracos, já esteve na mesma batalha nos dois lados beligerantes, é conhecida em mais de metade dos países do mundo, seus mortos já passam os milhões e seu preço continua o mais barato do mercado.

Esta arma tem uma história muito bem cimentada em Moçambique, sendo este país o único no mundo que ostenta a AK-47 na sua bandeira. Tal história remota dos tempos da luta pela libertação da pátria. Sendo a União Soviética um dos grandes aliados do movimento, a AK-47 foi um dos maiores bens disponibilizados aos militares.

Memo depois que alcançada a independência, a AKM foi a principal arma de uso durante os 16 anos de guerra civil, deixe-me aqui sublinhar e repisar guerra civil, porque independentemente das suas motivações e causas, no seu conteúdo, a tal guerra não deixou de ser civil.

Finda a guerra civil moçambicana, a AKM passou a ser usada não só pelos militares, mas principalmente pela polícia de protecção, a tal Policia da República de Moçambique. Assim, cada esquina que os cidadãos passam em qualquer cidade deste país coberto pela PRM encontrará os agentes altamente armados com AKMs, podem também trazer pistolas, mas AKM não falta, é quase que sempre recomendada.

Para eficácia nas suas operações, os criminosos usam também as AKMs. Não são poucas as vezes em que a polícia aparece na TV mostrando unidades e dezenas de AKMs recuperadas das mãos dos criminosos. E aqui é preciso também sublinhar recuperadas porque com o crime organizado e com a promiscuidade entre meliantes e a polícia as armas usadas são as mesmas, tirando aquelas que foram roubadas ou adquiridas no mercado clandestino onde a AKM chega a custar cerca de 50 USD, ou somente 1.500.00Mt.

Esta arma de assalto, anda a solta nas nossas cidades, com maior destaque para a cidade de Maputo e Matola. A maior parte das execuções sumárias aqui acontecidas são realizadas com recurso a AK-47. em vários locais desses crimes, cápsulas e projécteis da Kalanishnikov são encontradas ao redor.

Uma das maiores trocas de tiros de que me lembro foi na sequência da operação que neutralizou o Mandonga. No local, a polícia altamente armada com AKMs, Mandonga também manuseava algumas estrategicamente posicionadas em algumas janelas e buracos da casa, (dizem que era o único a disparar da residência).

Cuvilas, o grande talento das artes em Moçambique, foi morto pela polícia com recurso a essa arma. Carlos Cardoso, se a memoria na me atraiçoa, também foi morto através de uma AKM, só para citar alguns nomes de entre tantos que poderia mencionar.

Ok, acima de tudo que coloquei, tenho somente duas questões: o porque do uso dessa arma na nossa bandeira e porque a polícia insiste a usar esta metralhadora para lidar com cidadãos indefesos e desarmados? Não encontro respostas coerentes, racionais e convincentes. Na verdade não há necessidade de continuarmos a usar essa arma para lidar com pessoas indefesas e desarmadas.

Se for para lidar com criminosos, que a polícia especial continue a usar a Kalanishkov, mas não a polícia de protecção. Na nossa bandeira o que a AK-47 quer simbolizar? Somos os únicos a render homenagem a essa arma? Até o Bin Laden que em várias fotos aparece com AKM na mão, não a usa como bandeira. Os russos não a usam como bandeira, nem os israelitas, nem os iranianos e muito menos a Cuba e outros países que a utilizaram em guerras pesadas, como Angola, Congo, etc.

Esta a razão do meu pedido de voto. Vamos retirar essa arma das nossas ruas e da nossa bandeira. Chega de intimidações e de mortes. Chega de símbolos terroristas e chega de medo. Vamos votar contra a AKM, contra a AK-47, contra a arma automática Kalanishkov.

Embora tudo que a arma fez, para bem ou para o mal da sociedade, 62 anos são suficientes para passarmos para outra fase da nossa historia. Uma história que não é escrita com sangue derramado por uma AK-47, mas uma história que é escrita com diálogo, canetas, arte, danças e outros.

Peço um voto contra o uso da AKM na rua e na bandeira!

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segunda-feira, setembro 21, 2009

Viciação Artificial de um Processo Eleitoral: O Papel Indecoroso de Algumas Chancelarias

Do meu amigo Obed L. Khan recebi, por email, o texto que, com a devida vênia ao seu autor, publico aqui neste espaço.

Viciação Artificial de um Processo Eleitoral

O Papel Indecoroso de Algumas Chancelarias


Obed L. Khan

Introdução

Que factores determinam o actual cenário de ruído e gritaria prevalecente em alguns sectores políticos, da comunicação social e da blogosfera? Que factores determinam o protagonismo excessivo de algumas representações diplomáticas, algumas vezes eivado de autêntica grosseria e visível ingerência em assuntos internos, em violação das convenções que regem as relações diplomáticas entre Estados soberano, como aquele que nos tem dado a assistir por Todd Chapman, que nem sequer Embaixador é, um simples Encarregado de Negócios dos Estados Unidos da América? Haverá ou não, por parte de alguns sectores externos, tentativas evidentes de, logo de início, desacreditar o processo eleitoral em curso e destabilizar Moçambique? Existem algumas evidências que apontam para um esforço concertado de desacreditação para depois se lançar a destabilização? Este artigo pretende responder a algumas destas interrogações e contribuir para que o nosso país venha a ter eleições livres que, mais do que a interesses de potências estrangeiras, responda aos mais genuínos anseios do povo moçambicano. Mais, que Moçambique seja um país em paz.

Antecedentes

Há antecedentes para esta gritaria e ruído protagonizado por alguns sectores externos que, agora se esforçam para moçambicanizar um problema que é seu. O primeiro deles é a exclusão, com base na Lei, de alguns candidatos que se haviam proposto concorrer às eleições presidenciais. Um grande número de concorrentes, alguns deles veteranos nestas lides, foram impedidos de concorrer às eleições presidenciais por manifesta agressão aos procedimentos legais. Relatam-se casos de alguns desses candidatos que, fraudulentamente, pegaram mapas de eleitores publicados pelos órgãos eleitorais e, sem consulta com os visados, forjaram assinaturas e impressões digitais e submeteram-nos ao Conselho Constitucional. Foram, logicamente, chumbados e, esperamos, responsabilizados criminalmente. No geral, a decisão do Conselho Constitucional foi aceite sem muito ruído, pese embora o espanto e a admiração que causou. Era a primeira vez que se passava um pente fino aos processos apresentados pelos candidatos.

O segundo antecedente surgiu duma percepção pública deturpada da decisão da Comissão Nacional de Eleições. Circulou em alguns meios, incluindo na blogosfera, a notícia de que apenas três Partidos haviam sido aprovados para concorrerem nas eleições legislativas e provinciais. Esses Partidos seriam a FRELIMO, a Renamo e o MDM. Este entendimento errado caiu bem na opinião pública. Circularam inclusivamente comentários de que este filtro permitiria uma escolha menos dispersa dos eleitores. Partidos como o PIMO, o Partido Trabalhista, o PDD e outros foram ridicularizados nesses sectores, devido à sua falta de capacidade e de organização.

Factores Determinantes da Gritaria e do Ruido

A mudança de atitude, por parte de alguns sectores internos e externos dá-se quando se percebe que o rigor dos órgãos eleitorais havia atingido um Partido que é percebido como um virtual sucedâneo da Renamo no espectro político moçambicano ou como dizia um cidadão “a metamorfose da perdiz que se traduziu em galo como resultado dos 17 anos de domesticação”. A indignação que a exclusão desse Partido suscitou cegou e retirou objectividade política aos nossos diplomatas estrangeiros que, alertados de que estavam a ingerir grosseiramente em assuntos internos de um Estado soberano, trataram de recrutar altifalantes nacionais, aqueles que não se envergonham em vender a sua dignidade e o pais a troco de algumas palmadinhas e uns trocos em apoio de seus projectos insustentáveis. Não vi até agora um esforço para entender com rigor analítico os factos que originaram o furor e a zanga dos nossos diplomatas.

Organizar processos eleitorais não é uma empreitada fácil. Requer estrutura, disciplina e organização.

Os dados em presença indicam que alguns desses requisitos não estiveram presentes, particularmente no MDM. Este Partido surgiu em finais do ano passado. Embora tenha conseguido capturar alguns delegados e algumas sedes da Renamo, o MDM não se apoderou da estrutura da Renamo. Pode ter alguns delegados provinciais e, até, distritais, mas não possui ainda uma máquina com capacidade e vocação de seleccionar candidatos em todas as províncias e em todos os distritos para as eleições legislativas e provinciais. Uma máquina para recolher, verificar e arquivar devidamente processos individuais relevantes para qualificar candidaturas. Muitos quadros ainda estão relutantes em abraçar este novo Partido.

O Presidente pode telefonar hoje e convidar alguém para Candidato. Esta pessoa aceita. É inscrita nas listas. Mas, algumas semanas depois, quando é procurada para entregar a documentação requerida, essa pessoa pode não ser encontrada. Por conveniência própria. E é preciso telefonar para outros. E o ciclo se repete. Não existe uma delegação do Partido eficiente e eficaz para monitorar estes processos.

O que se descreveu acima reflecte as deficiências de estrutura deste novo Partido. As informações que circulam com insistência revelam que este Partido não esteve organizado também. Por exemplo, um dos mais dinâmicos activistas, depois de haver entregue os processos na CNE, mandou o seu empregado lavar o carro. Este encontra dentro do carro caixas que se veio a descobrir serem os documentos que validavam as listas entregues.

As caixas são encontradas fora do prazo em que deveriam ter dado entrada na CNE. A carta enviada pelo MDM à CNE, a solicitar que se autorizasse o mandatário a digitar as listas nos computadores daquele órgão deve resultar deste facto. Ou seja, tudo parece indicar que o MDM apresentou listas incompletas, desorganizadas e sem condições para qualificar candidaturas nos círculos eleitorais em que foi desqualificado. E organizar devidamente as listas não é tudo. É necessário que as mesmas sejam finalmente eleitas. O que não estava garantido, com alguns círculos a revelarem grandes debilidades.

Há inclusivamente suspeitas já publicadas de que o MDM estava consciente das suas fragilidades. E que, por isso, esmerou-se na organização das listas das províncias onde entende ter melhor implantação (Sofala, Zambézia, Cidade de Maputo e Niassa) e que, propositadamente, desorganizou os processos das outras províncias para serem chumbados. O objectivo seria capitalizar na reprovação, projectar uma imagem de vítima e, deste modo, elevar o seu perfil nacional e internacionalmente. Esta percepção não é de todo descabida sabendo que a vitimização foi a estratégia intuitivamente adoptada por Daviz Simango nas eleições autárquicas na Beira.

Pressão Indecorosa de Embaixadores Estrangeiros

Tenho a impressão de que a posição da CNE é, na substância, inatacável do ponto de vista legal. Só esta suposição é que pode justificar as posições camaleónicas dos nossos amigos diplomatas. Com efeito, nas suas grosseiras pressões, falam de tudo, menos do respeito pela legalidade. E isto é estranho vindo dos nossos amigos europeus e americanos. Estes países insistem em que fundaram as suas instituições políticas na base do respeito escrupuloso da lei. E que o seu desenvolvimento, prosperidade e bem estar social provêm desta perfeita simbiose entre as instituições políticas e a legalidade. Nos últimos vinte anos vêm pregando este novo evangelho com inspirado vigor. Subitamente percebemos uma dramática mudança nas suas práticas.

As declarações de Kari Alanko, Embaixador Finlandês em Moçambique, embora menos grosseiras e menos mal educadas que as de Todd Chapman, fotocópia do Dennis Jett, seu conterrâneo, são sintomáticas neste aspecto. Ele fala dos princípios gerais de democracia que, segundo ele, são a liberdade, a justiça e a transparência. Não há nenhuma alusão ao respeito pela legalidade. Mesmo procedimento havia sido seguido pelo Diplomata americano quando introduziu o conceito da “inclusão” no dicionário político moçambicano sem, porém, sobre ele elaborar no mais mínimo.

É caso para considerar que estes nossos amigos devem acreditar que existe uma democracia para europeus e norte-americanos, que se funda no respeito pela lei e uma democracia para pretos que seria gerida na base de um confuso, subjectivo e curioso conceito de “inclusão”.

Desta vez os nossos amigos diplomatas não falaram da alternância como um dos princípios gerais da democracia, sem a qual as eleições não podem ser percebidas como livres e justas. Ainda não começaram a falar do GUN. Mas tudo leva a crer que lá chegaremos como aconteceu nos tempos de Dennis Jett. A FRELIMO, juntamente com o MPLA, o Chama Cha Mapinduzi, o ANC, a SWAPO e a ZANU, tem a sua génese no movimento libertador que ousou desafiar a supremacia branca na região.

No seu conjunto, estes Partidos estão imbuídos de um espírito fortemente nacionalista orientado para uma dignificação cada vez mais crescente dos africanos. Estes Partidos olham para os recursos da região, nomeadamente a terra, os recursos minerais, os recursos marinhos e outros como devendo beneficiar, em primeiro lugar os nossos povos.

A permanência no poder destes Partidos é uma afronta às estratégias hegemónicas de poderes estrangeiros. Daí a aposta na sua demonização e consequente derrube e pulverização.

Assim foi na Zambia com a UNIP. Processo similar está em marcha no Zimbabwe com o desejado enfraquecimento da ZANU-FP. Portanto, quando poderes externos não se coíbem de desafiar, desacreditar e vilipendiar as decisões de um órgão independente como a CNE só podemos nos perguntar o que estará atrás dessas atitudes.

Quando embaixadores estrangeiros pedem ao Presidente da República para, fora dos parâmetros da lei, intervir e declarar nulas as decisões de um órgão independente como a CNE só podemos nos perguntar que interesses se perseguem. Quando no âmbito do diálogo político com o Governo os mesmos embaixadores chantageiam o país com eventuais cortes de ajuda, para forçar uma intervenção irregular deste sobre a CNE e sobre o Conselho Constitucional só podemos dizer que se perdeu a vergonha, o decoro e o respeito pelas regras diplomáticas.

Quando embaixadores de países estrangeiros emitem declarações regulares para pressionar e intimidar o Conselho Constitucional só podemos concluir que o rei vai nu. E, finalmente, perguntar: o que faz correr a “comunidade internacional”?

Sinais de que se Pretende Descredibilizar o Processo

Há indícios de que se pretende forçar uma situação de crise política e de caos e finalmente destabilização. O primeiro sinal pode ser obtido do esforço sistemático de demonização da CNE, quer nela própria como instituição, quer nas pessoas dos seus componentes, em especial o seu Presidente. O segundo sinal pode ser obtido da pressão indecorosa sobre o Conselho Constitucional e dos apelos para que não seja acatada qualquer decisão que não vá de encontro às pretensões dessas chancelarias. Um terceiro sinal pode ser encontrado na forma como um processo eleitoral geralmente pacífico está a ser relatado por alguns sectores da imprensa nacional e internacional, a mando destes diplomatas zangados. Quem não está no terreno é levado a pensar que sempre que um militante do MDM sai à rua é agredido. Que a campanha eleitoral está a ser condicionada por uma violência institucional semelhante àquela que nos foi relatada sobre o Zimbabwe. Pretende-se, em minha opinião, criar todas as condições para a rejeição dos resultados cujo vencedor qualquer pessoa minimamente informada conhece antecipadamente por virtude de um trabalho de grande mérito que realizou ao longo de todo este quinquénio. Neste sentido, o trabalho jornalístico de um semanário local que sai às sextas-feiras é um manual completo de como se constrói artificialmente o caos e a destabilização.


PS. Os nossos parceiros zangados devem recordar-se que o que nos dão não é almoço grátis. Teremos que pagar de forma directa como divida ou nos meios diplomáticos votando a favor da sua candidatura em organismos internacionais...

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sexta-feira, setembro 18, 2009

A teoria da vitimização do Deviz

Serei eu adepto da teoria de conspiração? Não sei, mas, algo me diz que a história da exclusão de algumas listas da MDM é obra da própria MDM.

Sim, é que, não se pode conceber que em alguns círculos eleitorais as listas tenham sido bem organizadas e por conseguinte aprovadas e em outros tão desorganizadas ao ponto de ditarem o resultado que hoje se contexta.

O mais engraçado, é que as listas da MDM não foram excluidas nos círculos onde a MDM é no mínimo conhecida, Maputo Cidade, Sofala, (Niassa e Inhambane), sendo que, nas zonas onde pouco ou nada se sabe sobre este partido e seu candidato teve problemas.

E ai nasce o meu questionamento: problema ou suposto problema?

Ao meu ver, há aqui um suposto problema, inventado pela MDM e com auxílio de alguma contrainteligência que hoje o auxilia, de buscar na vitimização deste movimento, os trunfos e/ou estratégias da sua penetração.

A gênese deste movimento já explica em parte, esta estratégia de vitimização, pois, quando o seu líder foi expulso do partido onde militava, a opinião pública, não quis saber das razões de fundo que ditaram o seu afastamento, senão, tomar as suas dores.

Penso que a estratégia hoje se repete, só que, com um dado novo: para além do povo e alguma imprensa a MDM, tem a comunidade internacional e doadores a engrossarem a lista dos que olham para ele e seu candidato num único ângulo:
como injustiçados.

Se o resultado do CC. ditasse a repescagem do MDM, este, mesmo sem estar a fazer a campanha ia com alguma vantagem em relação a alguns em campanha efectiva, isto, por toda esta campanha gratuíta que está sendo feita.

É que hoje, até para quem como eu que nunca olhou para a MDM com olhos de ver, passa a prestar alguma atenção, isto, pela visibilidade que é dispensado por todos e principalmente pelos embaixadores acreditados no nosso pais, e alguma imprensa que frustrada a sua tentativa de empoderar RENAMO, vê no MDM, hoje, parte da solução dos seus problemas e das suas incofessáveis agendas.

O que hoje está a acontecer, (o estranho protesto dos embaixadores e doadores e se levarmos em conta que outros partidos e candidatos já antes tinham sido excluídos), não é estranho se recuarmos por pouco tempo ao périplo que este movimento, logo após o seu acto constitutvo fez por alguns paises a começar de Portugal, contra todas as expectativas, que esperavam que este, se embrenhasse pelos distritos, explicando o seu propósito político.

São este amigos(?) do MDM, que hoje deitam abaixo o espírito da lei ao qual tanto martelaram nas nossas cabeças para que aprendéssemos em nome da inclusão, isto porque lhes interessa ter um guardião dos seus interesses a concorrer.

Este filme, já passou algures (penso que em Zimbabwe), e o que está a acontecer, é uma tentativa de reeditá-lo com outras nuances.

É assim fácil prever que, se as coisas, se assim se manterem (decisão do CC), o que os doadores e a comunidade internacional dirão, é que o processo já está viciado logo ao nascimento e seguir-se-ão depois das eleições, as já famosas propostas de Governo de Unidade Nacional e queijando.

Moçambicanos, onde anda o nosso sentido de patriotismo? Não somos capazes de olhar para este processo com as nossas próprias lentes? Ainda que dependentes da ajuda destes paises, devemos aceitar que em nome desta ajuda hipotequemos a nossa soberania? Devemos fingir não ver esta interferéncia? Não será esta violação do princípio do direito internacional público de não ingeréncia nos assuntos internos de um Estado?

Para todos os efeitos, fico a torcer para que a decisão do Constitucional, seja no sentido de inclusão, não porque sugeriram os embaixadores, mas, como prova, de que nem com todo este apoio, a RENAMO, digo MDM, terá a visibilidade que se pretende, para provar, que nem com este golpe de marketing, se pode mudar a direcção do voto.
O povo não é cego.

Um abraço ao bom senso P.S. qualquer que seja a decisão do C.C. esta, deve ter como suporte o primado da lei

Jalaludino Ossufo

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terça-feira, setembro 01, 2009

Uma Implosão De Vídeo

Pede-se me estas duas linhas para falar do trabalho de MC Roger. Escrevo, apenas para colocar os meus ponto de vista acerca do que é o seu novo video clip gravado no Brasil, cujo título se não me egano é “superstar”.

Repito, escrevo para falar do trabalho de MC Roger, apenas (desculpem, mas talvez um dia percebam a necessidade desta repetição)

O MC, sabe fazer marketing não haja dúvidas. Marketing agressivo até. Pois, foi com o seu marketing, que soube que ia ao Brasil gravar o seu mais recente video clip.

Conhecendo a marca dos vídeos deste “entreteiner” feitos no solo pátrio, o toque de qualidade que está habituado a cunhar-lhes, o gosto pela exloração de paisagens e de cores vivas, pensei comigo: vem aí uma bomba de vídeo.

Mesma bomba que encontrei um dia no vídeo “patrão” e nos demais que caracterizam o MC.

Esperava e honestamente, um MC a começar o vídeo com uma caminhada no calçadão moçambicano, exibindo a não menos bela praia de Costa de Sol, mostrando as nossas lindas mulheres, nossas belas paisagens que sempre irradiam a nossa vontade de viver e nosso estilo próprio, e que, essa caminhada, terminasse no calçadão brasileiro.

Esperava que o MC caminhasse num à vontade no morro, que cumprimentasse as “mamanas baianas” e linkasse essas imagens com as das “mamanas do mercado de peixe” e/ou do mercado da baixa.

Mas não, MC Roger anunciou uma viagem a Brasil e mais, fez estreia do video com Ministros a mistura, para fazer e mostrar um clip a volta de uma piscina!

Até os miúdos cá da praça que gravam com as suas próprias economias, para as próprias namoradas, para ficarem conhecidos no seu quarteirão, já evoluiram deste tipo de cenário.

Que se diga, casas com piscinas, existem aos pontapés na Cidade de Maputo e em qualquer Bairro, daí, não perceber o que tenha levado o MC ao Brasil para gravar um clip exclusivamente numa piscina.

Não me quero substituir ao realizador e/ou produtor deste vídeo (lembrar que o MC, diz ele e não duvido, participar activamente na produção dos seus clips), mas, analisando o ângulo que se aponta a câmara a piscina e as meninas (que se diga ao bom jeitinho brasileiro), podia até pôr em causa, se este clip, foi ou não gravado no Brasil.

É que, caras brasileiras (como as que aparecem no vídeo clip), pode-se achar em Moçambique, mas um calçadão, ou um Cristo Redentor, o Morro, não se acham em qualquer parte senão no Brasil e se, o sonho de MC (e sei que é esse), é explodir para além do Moçambique, um clip com imagens ilsutrativas do Brasil só o ajudaria e muito.

E que se diga, mesmo que o MC fosse péssimo artista, encontraria a atenção primeiro dos brasileiros que veriam o seu pais reflectido no estrangeiro, e segundo, dos demais, que admirariam um facto de alguém de uma país tão longíquo e em vias de desenvolvimento, ter tido um orçamento que o permitisse gravar fora.

Penso que nem o dono da psicina que se fez o clip, se não o dissessem saberia que aquela piscina era dele!

O MC, cometeu neste clip erros primários de marketing, reduziu com este clip, o seu trabalho de anos, não soube se igualar a ele, resumindo, foi seu próprio adversário, num jogo em que tinha tudo para ganhar ou melhor “calar a boca” dos seus detractores (como sabe fazer e bem).

Este clip, foi ao meu ver uma verdadeira implosão, uma decepção de clip, cujo alento, encontrei no clip de Lisa James (que ainda não vi por inteiro, mas só das partes que se exibem da publicidade, o cenário é bem diferente), creio gravado nos States, aliás, não creio porque as imagens falam de per si.

Um tiro certeiro no seu próprio pé e na autoridade que diz ter no marketing.

Mas este é o meu ponto de vista.

Gonçalves M.


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quarta-feira, agosto 26, 2009

Indagações (1)

Hino Nacional

Com emoção, entoamos o nosso Hino quando a Menina de Ouro, hoje Heroína do Trabalho, Maria de Lurdes Mutola, elevou para o patamar mais alto, do mundo desportivo, o nome do nosso país. Também, entoamos o nosso Hino quando os nossos (?) Mambas (?) se fazem ao palco de jogos de competições internacionais.

Geralmente, se entoa o hino antes do inicio das actividades em escolas, jardins infantis/creches, alguns eventos nacionais (Conselhos Consultivos e/ou Coordenadores, Assembléias, Seminários) e/ou eventos partidários, em particular do partido no Poder, e no fim das sessões televisivas e radiofónicas, das redes públicas.

No fim de semana passado, assistiu-se, em momentos diferentes, ao entoar do Hino Nacional, sendo de salientar a postura tomada pelos "cantadores". No primeiro evento, relativo a um programa juvenil, os protagonistas levavam a mão esquerda ao lado direito do peito. Na assistência, ainda que em pé alguns cruzavam os braços com manifesta indiferença.

Num outro evento, de cariz politico e partidário, os intervenientes, pessoas adultas e maduras, na entoação do Hino, alinhavam-se ao estilo militar, fazendo-no em sentido e com os semblantes compenetrados e carregados de respeito(?).

Estes dois acontecimentos trouxeram-me a memória os meus tempos de colegial onde todos os dias, sem excepção, seguindo um ritual quasi militar, entoava o Hino. Hoje, nas escolas, o Hino é cantado em escalas. Por exemplo, hoje entoa a 8ªA, 9ªA e 10ªA, amanhã é a vez da 8ªB, 9ªB e 10ªB, assim seguindo.

Que significado tem um Hino Nacional? Que postura se deve tomar no momento da entoação do hino Nacional? Em que ocasiões deve o hino de uma Nação ser entoado? Que valores estão subjacentes ao Hino Nacional? Será o Hino um símbolo nacional? É bastante e dignificante ter a letra do Hino Nacional na contracapa de alguns cadernos?

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quarta-feira, agosto 19, 2009

A situação medica no meu Moçambique

por: Dino Foi
Amigos,

Hoje não falo de economia, tecnologia e muito menos política. Hoje vou estar na pele daquele Moçambicano, trabalhador que pode pagar as suas despesas médicas com o suor do seu trabalho mas que se sente frustrado. Frustrado porque mesmo podendo aceder a algum conforto social fruto de suor e trabalho digno, não consegue ter um tratamento médico condigno. Frustrado porque mesmo com dinheiro no bolso não consegue comprar medicamento básico como uma aspirina, frustrado porque alguém no Ministerio da Saúde decidiu consertar algo que não estava quebrado e como resultado as farmacias nao conseguem ter os medicamentos importados a tempo e, finalmente muito frustrado porque este mesmo Ministério, mesmo com os avisos de há muito tempo sobre a Gripe A, ainda não procurou meios de se preparar para esta pandemia e, agora a Gripe chegou.
Há cerca de 2 meses tive amigos estrangeiros a visitarem Moçambique pela primeira vez, quando os fui buscar na sala de desembarque a primeira reclamação foi de que não tinhamos nenhum equipamento para monitorar a gripe. E eu, inocentemente e quase que automaticamente respondi: temos sim, só que o check é feito no aeroporto de Johannesburg, então tudo o que vem a Moçambique está checado. Não sei de onde tirei isso mas foi o que me veio na cabeça naquele momento e pronto já me tinha justificado.Algumas semanas mais tarde tive de viajar à Ásia e, foi impressionante ver o que se passava em Hong Kong, não só uma boa parte dos passageiros tinha máscaras mas do outro lado TODO aquele que entrava para o território, passava por uma medição não intrusiva de temperatura e, todo aquele que tivesse temperatura acima do normal ia para um teste médico.Eu que estava de passagem não me dei a maçada. Chegado ao meu destino, Taiwan, o mesmo exercício se passava e desta vez tive de passar pelo processo, mas felizmente nada eu tinha. Dez dias depois regresso à Moçambique, lembrei me da "mentira" que eu acidentalmente havia dito aos meus amigos e, como só para confirmar decidi ficar uma noite em Johannesburgo, não vi aparelho nenhum. No dia seguinte passo a segurança e me vejo na sala de embarque e... nenhum aparelho estava ao meu alcance. Tremi um pouco e subi o nosso 737-200 que nos levou ao Maputo.
Chegados aqui vejo uma fila grande: havia um pessoal da saúde a perguntar aos passageiros se tinham sintomas de febre e, se as sentissem deviam-se dirigir ao posto de saúde mais próximo. Tremi um pouco mais.Duas semanas mais tarde a minha esposa começa a tossir que não parava, como está na fase gestacional temos evitado os médicos se não apenas o ginecologista. Desta era impossível evitar e lá fomos à clínica do Hospital Central. Lá 1,650 meticais fomos cobrados pela consulta de urgência e fim de semana, depois de uma seca de cerca de uma hora fomos atendidos. A médica fez este e aquele teste (verbal), usou o seu estetoscópio, mesmo a minha mulher tendo dito que sofria de febres não nos foi medida a temperatura. Fomos informados que deveriamos fazer o teste de malária e um hemograma completo. Chegados ao sítio de colher a amostra de sangue é que foi um inferno: a enfermeira que parecia estar de estágio não conseguia localizar a veia da minha esposa. Lá foi ela puxa aqui e puxa acolá, conseguiu localizar uma veia mesmo no pulso, lança a seringa como quem faz uma tacada de basebol, a minha mulher grita, ela puxa a seringa toda como que estando a usar uma bomba de ar manual e, obviamente o sangue veio às gotas, ela bombeia a seringa para dentro, retornando ar e sangue e depois puxou outra vez, aqui então a minha esposa deu um grito de afujentar um leão e lá tinhamos o sangue. A dor era terrível, o pulso ficou completamente verde por 48 horas e com uma dôr que a pobre da mulher se torcia toda. Amaldiçoei o oficial da minha empresa que inscreveu o meu seguro médico naquela clínica.
Uma hora passou e fomos ver a médica com os resutados, desta vez não era aquela que estivera. As perguntas foram as mesmas como a anterior, o que é estranho porque pensei que a primeira estivesse a rabiscar no processo da minha esposa. Eu então, o tradutor (o Português da minha esposa ainda é de Meu Mãe, Minha Pai) a deitar fumo pelas ventas, como se diz, mas lá eu me acalmei. A médica nos receita mel, limão e beber muita água (como se fosse necessário fazer medicina para saber esta fórmula) e, um xarope Benitussin que não existe em nenhuma fármacia no Maputo, não que tenha ido a todas mas depois de entrar em 8 delas vi que era um pesadelo.Gostava de falar do senhor Benitussin que não se encontra na praça. Tendo eu batido com a cabeça nas primeiras 4 farmácias, decidi perguntar o que de especial tinha este Benitussin que não se encontrava em nenhum sítio. Foi me dito que era um xarope tão bom tão bom (ainda não encontrei em nenhum sítio registado este xarope, o que se aproxima a ele é Robitussin da Wyeth Consumer Healthcare) que até uma criança poderia tomar, mas a nova ,metodologia de registo de medicamentos implementada pelo Ministério da Saúde faz com que medicamento como este leve pelo menos 6 meses só para registar mais o tempo do processo de importação. Felizmente as novas tecnologias não nos deixam mal e, comprei na internet Robitussin na internet e entregue na minha porta, alguém que vá queixar ao MISAU, mas não registei coisinha nenhuma.Como um mal não vem sozinho, peguei a gripe no domingo, sem querer culpar a coitada da minha esposa, tenho de reconhecer que a passagem foi automática. Lá estava eu naquela clínica.
Primeiro, o meu processo não é encontrado no sistema deles, depois é o primeiro médico que me haviam indicado que não estava. Sinceramente, para mim qualquer médico servia e, depois de uma "seca" de cerca de 45 minutos lá estava eu em frente do médico. Importa frisar que enquanto esperava pelo médico a minha mulher liga-me e, eu que não a tinha avisado que estava na clínica digo onde estava, ela diz me para regressar à casa porque ela tinha todos os medicamentos para uma possível gripe. Neguei porque queria um resultado médico, eu via a preocupação da mulher-contas, ela é muito aversa a contas desnecessárias e, naquela minha ida ela já estava a prever gastos desnecessários no médico (e foram), enquanto que podia-me medicar pessoalmente.Não vacilei, fui atendido pelo médico e as perguntas foram:Tosse?!SimTem febres?Um pouco, pelo menos na noite passada.Doi lhe a cabeça?Sim Ai fui receitado amoxicilina, vitamina C e aspirina, estas dua últimas soube logo que não existiam na farmácia da clínica! Parece um filme, né?

A odisseia não acaba aqui, no dia seguinte de tanto a minha esposa tossir ,decidimos que teríamos de ver qualquer ginecologista (não era o nosso médico porque não haviámos programado, queriamos alguém apenas), tendo dito que (não fez a sonda)o bebé estava em óptimas condições (como tenho saudades da sonda de 4D em Taiwan!), então tinha que tomar amoxiciclina e benacyclina, coisas que a coitada da minha mulher quase que jogou fora (a última vez que foi receitada medicamentos numa das clínicas paramos na sala de emergência da clínica da sommerschield das 2 de madrugada às 7 horas!). A questão não era da tosse como tal, mas sim o que o tossir poderia fazer ao feto, o que queríamos ver era via sonda a situação da herdeira. Lá chegamos às 16 horas (às 13:00 quando paguei a consulta não encontraram o processo da minha esposa e penso que até agora ela tem 4 processos e eu 6), a médica só nos atendeu às 18:25. Esta e aquela pergunta e lá fomos para o outro lado do consultório e, quando nós pensávamos que iamos ver o bebé a médica trouxe um outro aparelho para escutar o bater do coração do bebé. Lá estávamos nós frustrados e, o nosso pobre metical havia sido engolido, sem recebermos o serviço que precisavámos. Moral da história: não estamos preparados para gripe A nenhuma, se ela entrou mesmo em Moçambique, vamos morrer como galinhas. Não quero ser o mensageiro do mal mas com tanta falta de medicamentos que se verifica e falta de profissionalismo nas nossas instituições hospitalares o caminho é abismo.
Mais não disse

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segunda-feira, agosto 17, 2009

Uma juventude à MC Roger é perigosíssima e acorrentada!

Posted by: Lázaro Mabunda in O País
1. Há muito que queria abordar o tema sobre o que penso da juventude moçambicana, mas julguei que era ingrato e desnecessário reduzir a dimensão do assunto a um simples exercício “lambe-bótico” de MC Roger. Seria exaltar uma anomalia de memória em vez de curá-la. Assim, tinha que esperar que uma oportunidade surgisse para o efeito. E surgiu. 12 de Agosto, dia Mundial da Juventude. Aí já se justifica fazer uma reflexão sobre a juventude Moçambicana no qual o fenómeno “MC Roger” deve ser usado como exemplo do que a juventude tem de evitar a tudo o custo, uma enfermidade que se deve combater antes de afectar e infectar a maioria da juventude. Mas vamos por partes.

2. Nas vésperas de 12 de Agosto, o Conselho Nacional da Juventude organizou uma conferência de imprensa na qual o presidente da agremiação, Osvaldo Petersburgo, anunciou o envio ao Governo de uma carta em que a juventude manifesta a sua vontade em relação às preocupações que gostava de ver resolvida no próximo quinquénio. Disse ainda que o Conselho Nacional da Juventude não estava para fazer questionamento sobre o que os políticos trazem nos seus manifestos para a juventude, porém, apresentar, em carta, a vontade dessa juventude. Entendi que se tratava de uma indirecta ao Parlamento Juvenil que tem vindo a realizar debates com candidatos às próximas eleições com vista a saber o que eles têm para os jovens nos seus programas eleitorais.

Os pronunciamentos de Petersburgo encerram várias interpretações: primeiro, que no seu entender o jovem não deve questionar, senão devem apresentar, em documento, as suas preocupações; segundo, que ele assume o compromisso político com o partido no poder, pelo facto de ter entregue ao Governo a referida carta de manifestação das preocupações dos jovens e não a todos os candidatos; terceiro, que assume que o partido com o qual está comprometido já venceu antecipadamente a as eleições; quarta, demonstra que é ainda “verdinho” para o cargo que ocupa, pelo facto de não saber o que diz, onde diz, como diz e por que diz. Aliás, o seu representante no debate da Nação, da STV, provou isso ao não conseguir responder sequer, com propriedade, uma pergunta sobre que projectos o CNJ tinha para com a juventude.

Quando escutei as suas declaração fiquei com a sensação de que se trata de um jovem prematuramente atirado à liderança do CNJ sem que se observasse a sua maturidade como pessoa. Fiquei ainda com a sensação de que é um jovem que ainda vivem de emoções e de sonhos cor-de-rosas, e com um forte padrinho no seio do partido Frelimo. Conheço de OJM por dentro e por fora, não seria capaz de apostar em alguém tão político e socialmente tão verdinho como ele.

Por outro lado, indigna-me que OJM se coloque em frente na eleição do presidente do CNJ, quando ela mesma não consegue revitalizar-se, o que a torna numa organização, até este momento, moribunda e em falência técnica. OJM existe estruturalmente, no entanto, não existe em termos de acção e da presença física, senão alguns núcleos resistentes, mas fragmentados. Também em fase de morte lenta.

Eu nunca assumirei alguém como meu representante, como jovem, que não sabe que o CNJ sempre manifestou publicamente e por escrito as preocupações da juventude moçambicana, sem, contudo, uma resposta desejável do Governo. E se durante todos esses anos não houve resposta, julga, Petersburgo, que desta vez será possível? Tentar passar certificado de incompetência aos que já passaram pelo CNJ é um exercício inútil e desprovido de sentido.
Hoje, porque a resposta demora, a juventude tem de tomar uma posição única e forte no sentido de pressionar o Governo a fazer algo por nós. E a pressão não deve ser feita por simples rascunhos, mas por aquilo que o Parlamento Juvenil, uma organização cujos objectivos sempre questionei, está a fazer. Os políticos devem passar a apresentar os seus manifestos eleitorais a juventude para que esta possa avaliá-los e, em função disso, escolher o melhor.

Creio ter chegado o tempo de votar em função do projecto político e não das simpatias políticas. Pois, é isso que nos coloca sempre na situação de desfavorecidos, quando somos a maioria em Moçambique. Temos de seguir, a partir deste ano, os modelos ocidentais e americanos, em que os políticos são responsabilizados pelos seus erros e pelo seu desempenho e são votados em função dos seus projectos políticos. Obviamente, tem de ser alguém que nos apresente um projecto alicerçado na nossa realidade, e com orgulho de ser moçambicano.

3. O Chefe do Estado, Armando Guebuza, disse, na sua mensagem, à juventude, esta semana, que “Os jovens foram, são e serão os motores de todos os processos sociais e políticos nesta pátria de heróis e, por isso, deverão ser os primeiros mobilizadores de todos os eleitores para a sua afluência massiva para os locais de votação”. Muito bem. Mas também a juventude não pode ser a primeira a ser desmobilizada quanto se trata de receber os benefícios resultantes do esforço que fez para mobilizar os eleitores. Ou seja, se “os jovens foram, são e serão os motores de todos os processos sociais e políticos e deverão ser os primeiros mobilizadores dos eleitores”, também devem ser dos primeiros contemplados pelos programas do Governo.

Hoje, a maioria dos jovens não possui residência próprio, nem sequer um terreno para erguer no futuro a sua residência. Se há jovens com terrenos próprios, adquiriram-nas aos terceiros a preços proibitivos. Compraram a terra, porque a terra se vende neste país, não obstante a Constituição da República proibir. Os que vendem a terra são, na sua maioria, pessoas com poder de decisão sobre a atribuição da mesma terra. Não queremos casas, porque sabemos que o Governo não dispõe de fundos para as construir, mas apenas terra.

Em Moçambique, o mais difícil é até a obtenção de espaço para erguer algo do que construir uma palhotinha. Que o digam professores, polícias, militares, incluindo jornalistas, serventes, entre outras. Muitos jovens, hoje em dia, se não vivem, mesmo casados, em casa dos seus pais, residem em casas arrendadas. Grande parte das casas arrendadas nas cidades estão ocupadas pelos jovens, algumas sem mínimas condições de habitabilidade. São esses jovens que hoje são chamados de forma carinhosa para mobilizar indivíduos economicamente estáveis para deixarem o seu luxo e irem votar em alguém que pouco os ajuda.

Essencialmente, nós precisamos de uma juventude irreverente, uma juventude que imponha respeito à semelhança da Juventude do ANC. Precisamos de um líder da juventude “arrogante” e que age em função da razão e não da disciplina partidária à semelhança de Julius Malema, presidente da Liga Juvenil da ANC. Temos de aceitar sermos sacrificados por causa da razão e não vivermos à custa do sacrifício da razão.

Nós temos de obrigar os políticos, sejam eles arrogantes ou não, endeusados ou não, a ajoelhar a nós, jovens, a pedir apoio e não o contrário. Nós temos também de reduzir à insignificância e ao mínimo a juventude que se revela perigosa para as nossas pretensões. Jovens como MC Roger (ainda é jovem?), Petersburgo, Rui de Sousa, entre outros, constituem cancro para o futuro e para o bem estar deste país, pelo que urge erradicá-los. Um jovem político ou umbilicalmente ligado a determinado partido político tem de agir em obediência a sua consciência e não violá-la por disciplinas partidárias.

Nós temos de estar livre de pensar, de nos expressar e de nos movimentar à semelhança de Jorge Ribelo, António Frangoulis, Jacinto Veloso, Graça Machel, e outros, que dizem o que pensam, como pensam e por que pensam, sem receios de disciplinas. Aliás, as disciplinas partidárias não podem acorrentar as mentalidades dos seus membros sob pena de coarctar o seu direito.
Nós os jovens, sobretudo as organizações juvenis, como OJM, Liga Juvenil da Renamo, do MDM, CNJ, temos de conquistar o nosso espaço e influenciar, de forma decisiva, as políticas partidárias e, consequentemente, governamentais.
Essas organizações juvenis, mais do que servirem de reprodutores e caixas de ressonância de partidos políticos, têm que criar debates e produzir ideias que deverão ser abraçadas pelos respectivos partidos. Isso será possível se tivermos pensamento e ideias próprias. Aliás, têm de ser os próprios jovens e influenciar os seus partidos políticos a incluir nos seus manifestos eleitorais interesses dessa camada à semelhança do que acontece na África do Sul, em que a Liga de Juventude do ANC é uma autoridade. Pela força que tem chega a sufocar todas as organizações partidárias e independentes, o que faz com que todo o jovem, independentemente da sua cor partidária, se sinta representado por ela.

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quarta-feira, agosto 12, 2009

A Propósito da Ponte Armando Emílio Guebuza

(Resposta a Carlos Nuno Castel-Branco)

Obed L. Khan

Num texto bastante longo, repetitivo, cansativo, zangado e que, pela sua extensão, revela que o autor teve falta de tempo para escrever pouco, Carlos Nuno Castel-Branco, parodiando um Dom Quixote dos trópicos, arremessa grotescamente contra moinhos de vento, a propósito da Ponte Armando Emílio Guebuza. O texto escrito por Castel-Branco é tão confuso que, por exemplo, confunde socialismo científico com socialismo democrático, ao ponto de, demagogicamente, declarar que no socialismo democrático, o tal patrão não deve existir” pois em tal democracia socialista a “soberania é dos cidadãos trabalhadores da República socialista democrática e não dos patrões”. Que democracia é esta, de que fala Castel-Branco que exclui importantes parcelas da sociedade, para só beneficiar o proletariado? Que democracia é esta que exclui os intelectuais, os estudantes, os proprietários e outras camadas sociais? Provavelmente, nesta democracia excludente Castel-Branco teria lugar por ser um intelectual revolucionário! É o que dá escrever tendo como mira uma vasta plateia da qual se esperam vibrantes aplausos.

Na “carta” de Castel-Branco a figura do Chefe de Estado, a quem ele chama “PR de ocasião” é tratado com uma linguagem própria de arruaceiro despeitado, tudo na vã tentativa de negar méritos a Armando Emílio Guebuza. Por exemplo, a governação de Guebuza, inegavelmente marcada por um forte compromisso com a promoção da cidadania e da participação democrática para regiões que, durante séculos, viveram excluídas do mercado e da modernidade é considerada por Castel-Branco de “mandato de uma governação absolutista”. Será, na verdade, absolutista um Presidente que, durante o seu mandato, lançou as bases para o desenvolvimento integrado com epicentro no distrito? Será absolutista um Presidente que drenou recursos para os distritos e tomou as necessárias medidas para que esses recursos circulassem nos distritos e servissem de alavanca para o surgimento de produtores e proprietários virados para o mercado (os tais que a democracia socialista de Castel-Branco pretende de novo excluir)? Será absolutista um Presidente que apostou fortemente no reforço e consolidação dos Conselhos Consultivos Locais, autênticos fóruns de aprendizagem e de participação democrática? Será absolutista o Presidente que, na esteira da filosofia da FRELIMO de Unidade Nacional, promoveu impetuosamente o sentido de pertença a este belo país, por de parte de moçambicanos oriundos das mais diversas partes desta pérola do Índico?

É verdadeiramente espantoso como, não obstante os reconhecidos atributos de Guebuza como promotor do desenvolvimento nacional, da Unidade Nacional, da participação democrática, da expansão das infra-estruturas viárias, ferro-portuárias, de energia, hidráulicas e outras, Castel-Branco insiste em ensinar-nos que não vê “nada que justifique a atribuição do nome de Armando Emílio Guebuza à ponte”. Sintomaticamente, o zangado articulista não avança nenhuma sugestão de nome, numa clara demonstração de que qualquer nome MOÇAMBICANO que fosse dado àquela majestosa ponte seria por ele rejeitado. A propósito, na sua truculenta prosa, Castel-Branco informa-nos que, na única(?) sessão do Conselho de Ministros não presidida pelo PR “foram rejeitadas opções claramente mais neutras e unificadoras sem qualquer justificação aceitável...”. Já agora, pode Castel-Branco informar-nos quais foram essas outras opções apresentadas na sessão? Quem apresentou essas outras opções que foram rejeitadas? E tem mesmo a certeza de que o Presidente da República esteve presente em todas as outras sessões do Conselho de Ministros, para além daquela que deliberou o nome da ponte?

Num exercício demagógico e populista, Castel-Branco traça um perfil epopeico da travessia do Zambeze pelos combatentes da luta de libertação nacional, do qual tenta desesperadamente dissociar Guebuza. Diz o zangado articulista que a “travessia do Zambeze pelos guerrilheiros da FRELIMO foi um dos marcos fundamentais na construção da vitória sobre o colonialismo”. Talvez recordar a Castel-Branco que Guebuza, ainda adolescente, se envolveu na luta contra o colonialismo como dinâmico, esclarecido e respeitado líder estudantil. Como parte da doirada e heróica juventude dos inícios da década 60, Armando Guebuza foi um destemido lutador clandestino, enfrentando diariamente o perigo da delação, da prisão, da tortura e do assassinato pelas forças repressivas coloniais, racistas e fascistas. Ávido duma participação mais activa na eliminação dos obstáculos à nossa independência, Guebuza engajou-se na acção directa, nos primórdios do desencadeamento da Luta Armada de Libertação Nacional. Ele foi um importante factor de coesão interna na Frente de Libertação, de elevação da moral combativa e do sucesso da luta de libertação nacional. Guebuza é parte indissociável do processo da travessia do Rovuma, do Lúrio, do Lugenda, do Luenha, do Messalo, do Luambala, do Munduzi, do Licungo, do Zambeze e de todos os outros rios da nossa libertação. Ele e os seus companheiros, apenas por estes feitos impossíveis de serem emulados de novo, merecem que os seus nomes honrem hoje e sempre as avenidas grandiosas que continuaremos a construir, as pontes majestosas que continuaremos a construir, as cidades de futuro que nos propomos fundar, as universidades da nossa libertação. Não posso, pois, concordar com Castel-Branco quando diz que para essas grandiosas obras não serve o nome de nenhum moçambicano, vivo ou morto. Diferentemente de umas poucas pessoas a quem falta o sentido de auto-estima, a maioria dos Moçambicanos orgulham-se do Moçambique que se vislumbra e eles vêem nos espelhos que se formam nas lagoas, riachos, rios e lagos deste belo país. E o Moçambique que muitos de nós vemos não é abstracto. Eu próprio corporizo esse Moçambique. Castel-Branco é parte desse Moçambique. As minhas obras, os meus fracassos são constitutivos desse Moçambique. A “carta” zangada de Castel-Branco revela esse Moçambique diverso. E muitos de nós temos imenso orgulho em tudo isso. E para manifestar esse orgulho seleccionamos algumas das nossas melhores obras e os seus principais impulsionadores para serem o símbolo da nossa grandeza de hoje e de amanhã. Essas acções e esses homens podem e hão-de continuar a emprestar os seus nomes às inúmeras pontes que continuamos a construir. Queremos, apesar de vocês, imortalizar nossa história com obras moçambicanas, com nomes moçambicanos.

Julgo importante destacar algumas linhas de força patentes na “carta” de Castel-Branco. A primeira toma forma num mal disfarçado azedume, quiçá filho de despeito, em relação à figura de Armando Emílio Guebuza e suas opções de governação. É um azedume tão cego e injusto que, apesar de bastante longo, o seu artigo não faz a mínima tentativa de fundamentar. A segunda é o recurso a alegações infundadas para patentear a sua manifesta falta de consideração com a figura do Chefe de Estado. Uma dessas alegações é a de que Guebuza está a enveredar pela via do culto de personalidades. O Culto da Personalidade ou Culto à personalidade é uma estratégia de propaganda política baseada na exaltação das virtudes - muitas vezes supostas - do governante. O culto inclui cartazes gigantescos com a imagem do líder, constante bajulação do mesmo por parte de meios de comunicação e perseguição aos dissidentes do mesmo. Guebuza não precisa de inventar virtudes porque tem obra feita. A maioria dos jornais e outros órgãos de comunicação estão prenhes de críticas à governação de Guebuza. O facto de Castel-Branco ter publicado sua carta dissidente nos blogues, no Canal de Moçambique, no Magazine Independente e continuar tranquilamente a exercer as suas actividades de docência, investigação e consultoria é prova bastante de que a dissidência não é perseguida em Moçambique. Em minha opinião o que há em Moçambique são processos de análise da vida política centrados na personalidade do governante. A própria carta de Castel-Branco é um exemplo de como se avalia um governo pela pessoa do político. E isto é negativo. Não se avalia um governo pela pessoa do político. Para avaliar um governo, é preciso deixar de lado as características pessoais e verificar a que interesses estas políticas atendem e a quem atendem principalmente. E, para avaliar estas políticas, temos parâmetros: o projecto de sociedade que queremos construir, as políticas que podem ser feitas para levar a este projecto. O nosso critério não é “Guebuza” ou “Chissano” ou “Samora”. Quem usa este critério pratica o velho “culto à personalidade”. Ou o “ataque à personalidade” que não é uma prática menos viciosa que a primeira.

Mostrando desvelo e preocupação pelo futuro político de Guebuza, Castel-Branco sentenceia que “politicamente, ele (Armando Guebuza) perde mais com isto do que ganha” e expessa, por fim, o seu ardente desejo de que a FRELIMO perca as eleições e o poder. Podemos tranquilizar e, ao mesmo tempo, desiludir o zangado articulista informando-o que a imagem e o prestígio de Guebuza e da FRELIMO estão bastante bem protegidos. A imagem de Guebuza combatente, a imagem de Guebuza promotor de um desenvolvimento integrado centrado no distrito, a imagem de um Guebuza apostado em resgatar o moçambicano da aldeia mais remota da abjecta miséria para a modernidade está na memória do povo.

Fonte: Semanário Magazine Independente


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terça-feira, agosto 11, 2009

Vem Aí as Eleições

Um dos temas mais recorrentes na blogosfera (e não só) nos últimos tempos é a juventude e o seu papel e influência no desenvolvimento do país e na tomada de decisões.

Eu próprio falo de algo como A Voz da Juventude lá na subversividade de ideias.

Não podia ser de outra forma. As últimas aparições de jovens em espaços de debate tem demonstrado algum desnorte; alguma falta de clareza sobre os reais problemas da classe, bem como sobre as possíveis soluções.

Vem aí as eleições.

Deverão ser meros difusores de manifestos políticos ou, antes, inseridos nas organizações existentes em prol da juventude devem estes apresentar as suas ideias e definir uma agenda para o próximo quinquénio?

A questão fundamental é: temos consciência do nosso papel, da nossa força e da necessidade sermos mais do que meros cantores e animadores de campanha?

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quinta-feira, agosto 06, 2009

PONTE ARMANDO GUEBUZA SOBRE O RIO ZAMBEZE

PONTE ARMANDO GUEBUZA - MOÇAMBIQUE
ARMANDO GUEBUZA BRIDGE - MOZAMBIQUE

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sexta-feira, julho 17, 2009

Discurso do Presidente Obama no Gana

Centro Internacional de Conferências de Acra, Gana


O PRESIDENTE: (Som de trombeta.) Gosto muito. Obrigada. Obrigada. Acho que o Congresso precisa de uma trombeta. (Riso.) Muito bom som. Faz lembrar o Louis Armstrong. (Riso.)


Boa tarde a todos. É para mim uma enorme honra encontrar-me em Acra e dirigir-me aos representantes do povo do Gana. (Aplauso.) Estou profundamente grato pelas boas-vindas que recebi, assim como a Michelle, a Malia e a Sasha Obama. A história do Gana é rica, as ligações entre os nossos países são fortes e estou orgulhoso do facto de esta ser a minha primeira visita a África subsaariana como Presidente dos Estados Unidos da América. (Aplauso.)


Desejo agradecer à Exma. Presidente do Parlamento e a todos os membros da Assembleia de Representantes o facto de nos receberem hoje. Desejo agradecer ao Presidente Mills pela sua excepcional liderança. Aos Presidentes anteriores — Jerry Rawlings, ex-Presidente Kufuor – Vice-Presidente, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça – obrigado a todos pela vossa extraordinária hospitalidade e pelas admiráveis instituições que criaram no Gana.


Dirijo-me a vós no fim de uma longa viagem. Comecei na Rússia, numa Cimeira entre duas grandes potências mundiais. Viajei para Itália, para um encontro entre as economias mais fortes do mundo. E vim aqui ao Gana por uma simples razão: o século XXI será influenciado não só pelo acontecimentos em Roma, Moscovo ou em Washington, mas também pelo que acontece em Acra. (Aplauso.)


Esta é a pura verdade numa era em que as fronteiras entre os povos não resistem à força do que nos liga. A vossa prosperidade pode aumentar a prosperidade da América. A vossa saúde e a vossa segurança podem contribuir para a saúde e segurança mundiais. E a força da vossa democracia pode contribuir para o avanço dos direitos humanos em todo o mundo.


Portanto, não vejo os países e os povos de África como um mundo à parte. Vejo África como uma parte fundamental do nosso mundo interligado — (aplauso) — como parceira da América em prol do futuro que queremos para todos os nossos filhos. Essa parceria deve ter como base a responsabilidade e o respeito mútuos. E é sobre isso que quero falar-vos hoje.


Devemos partir do simples princípio de que o futuro de África depende dos africanos.


Digo isto com plena consciência do trágico passado que por vezes tem ensombrado esta região do mundo. O facto é que corre sangue africano dentro de mim e a história da minha família — (aplauso) – família reflecte, quer as tragédias, quer os triunfos, da história mais ampla de África.


Alguns de vós sabem que o meu avô era cozinheiro de ingleses no Quénia e, embora fosse um ancião respeitado na sua aldeia, os patrões chamaram-lhe rapaz durante quase toda a sua vida. Ele estava na periferia das lutas pela libertação do Quénia mas, mesmo assim, naquela época repressiva, esteve preso durante um curto período de tempo. No seu tempo, o colonialismo não se resumia à criação de fronteiras anti-naturais ou de regras de comércio injustas – era algo vivido pessoalmente, dia após dia, ano após ano.


O meu pai cresceu a pastorear cabras numa pequena aldeia, a uma distância impraticável das universidades americanas que viria a frequentar. Tornou-se adulto num momento de extraordinária promessa para África, quando as lutas da geração do seu próprio pai davam origem a novas nações, um processo que começou aqui mesmo, no Gana. (Aplauso.) Os africanos estavam a educar-se e a afirmar-se de novas maneiras e a História avançava.


Mas, apesar do progresso realizado – e tem havido um progresso considerável em muitas regiões de África – também sabemos que grande parte dessa promessa ainda não se tornou realidade. Países como o Quénia que, quando eu nasci, tinham uma economia per capita mais importante do que a da Coreia do Sul, foram já largamente ultrapassados. A doença e os conflitos dizimaram regiões do continente africano.


Em muitos locais, a esperança sentida pela geração do meu pai deu lugar ao cinismo e, mesmo, ao desespero. É fácil apontar o dedo e atribuir a culpa por estes problemas aos outros. Sim, um mapa colonial que fazia pouco sentido contribuiu para gerar conflitos. O Ocidente tem muitas vezes tratado África com paternalismo, ou como fonte de recursos, e não como parceiro. Mas o Ocidente não é responsável pela destruição da economia do Zimbabué na última década, nem pelas guerras em que crianças são utilizadas como combatentes. Durante a vida do meu pai, foram em parte o tribalismo, o favoritismo e o nepotismo num Quénia independente que durante muito tempo destruíram a sua carreira, e sabemos que este tipo de corrupção é ainda hoje um facto corrente da vida diária de demasiadas pessoas.


Claro, também sabemos que há outros factores. Aqui, no Gana, vemos uma face de África demasiadas vezes ignorada por um mundo que apenas vê a tragédia ou a necessidade de caridade. O povo do Gana tem trabalhado arduamente para estabelecer a democracia em bases sólidas e procedeu a várias transferências pacíficas de poder mesmo depois de eleições muito disputadas. (Aplauso.) E deixem-me dizer que a minoria merece tanto crédito por esse facto como a maioria. (Aplauso.) E, com uma governação melhorada e uma sociedade civil emergente, a economia do Gana demonstrou índices de crescimento notáveis. (Aplauso.)


Este progresso pode não ter a espectacularidade das lutas de libertação do séc. XX, mas uma coisa é certa: em última análise, terá resultados mais significativos, pois se é importante deixar de ser controlado por outras nações, é mais importante ainda construirmos a nossa nação.


Assim, acredito que este momento é tão promissor para o Gana – e para África – como foi aquele momento em que o meu pai atingiu a maioridade e em que nasciam novas nações. Este é um novo momento de grande promessa. Só que, entretanto, aprendemos que não serão grandes vultos como Nkrumah e Kenyatta que determinarão o futuro de África. Na verdade, esse futuro será determinado por vós – homens e mulheres no Parlamento do Gana — (aplauso) — e as pessoas que representais. Serão os jovens – a transbordar de talento, energia e esperança – que poderão reclamar o futuro que tantos outros, em gerações anteriores, nunca chegaram a realizar.


Mas para que essa promessa se cumpra precisamos, em primeiro lugar, de reconhecer a verdade fundamental que no Gana se tornou uma realidade visível: o desenvolvimento depende da boa governação. (Aplauso.) É esse o ingrediente que falta, há demasiado tempo, em tantos locais. É essa a mudança que pode despoletar o potencial de África. E essa é uma responsabilidade que apenas os africanos poderão assumir.


No que respeita à América e aos países ocidentais, o nosso envolvimento deve ser medido por mais do que apenas os dólares que gastamos. Comprometi aumentos substanciais em ajuda a países estrangeiros, o que vai de encontro aos interesses de África e aos interesses da América. Mas o verdadeiro sinal de sucesso não é se somos uma eterna fonte de ajuda que permite a mera sobrevivência das pessoas – é se somos realmente parceiros no desenvolvimento de capacidades que possibilitem a implementação de uma mudança transformadora. (Aplauso.)


Esta responsabilidade mútua deve constituir a fundação da nossa parceria. Hoje centrar-me-ei em quatro temas que são cruciais para o futuro de África e de todas as regiões do mundo em vias de desenvolvimento: democracia, oportunidade, saúde e a resolução pacífica de conflitos.


Em primeiro lugar, devemos apoiar governos democráticos fortes e sustentáveis. (Aplauso.)


Como afirmei no Cairo, cada nação dá vida à democracia de uma forma específica e de acordo com as suas tradições. Mas a história oferece-nos um veredicto claro: os governos que respeitam a vontade do seu povo, que governam pelo consentimento e não pela coerção, são mais prósperos, mais estáveis e mais bem-sucedidos do que os governos que não o fazem.


Trata-se de algo que vai para além da simples realização de eleições – tem a ver com o que se passa no período entre eleições. (Aplauso.) A repressão pode manifestar-se de diversas formas e em demasiadas nações, mesmo aquelas que realizam eleições, são afligidas por problemas que condenam os seus povos à pobreza. Nenhum país cria riqueza se os seus líderes exploram a economia para se enriquecerem a si próprios — (aplauso) – ou se a polícia – se a sua polícia é passível de ser comprada pelos narcotraficantes. (Aplauso.) Não há empresa que queira investir num local onde o governo, à partida, retém 20 por cento dos lucros, — (aplauso) — ou onde o director das Autoridades Portuárias é corrupto. Ninguém deseja viver numa sociedade em que o Estado de direito é preterido a favor da brutalidade e do suborno. (Aplauso.) Isso não é democracia; isso é tirania, mesmo se de vez em quando se realiza uma ou outra eleição . E chegou o momento de pôr cobro a este tipo de governação. (Aplauso.)


No séc. XXI a chave do sucesso são as instituições competentes, fiáveis e transparentes – parlamentos fortes e forças policiais honestas; juízes e jornalistas independentes; — (aplauso); uma imprensa independente; um enérgico sector privado; uma sociedade civil. (Aplauso.) São estes os factores que dão vida à democracia porque são eles que têm importância na vida diária das pessoas.


Uma e outra vez, o povo do Gana escolheu a lei constitucional em vez da autocracia e evidenciou um espírito democrático que permite que a energia do vosso povo se faça sentir. (Aplauso.) Vemos esse espírito em líderes que aceitam a derrota com dignidade – o facto de os opositores ao Presidente Mills estarem a seu lado ontem à noite para me dar as boas-vindas quando saí do avião foi um gesto muito representantivo do espírito que se vive no Gana — (aplauso); vencedores que resistem aos apelos para fazer valer o seu poder contra a oposição de formas desonestas. Vemos esse espírito em jornalistas corajosos como Anas Aremeyaw Anas, que arriscou a sua vida para contar a verdade. Vemo-lo em agentes da polícia como Patience Quaye, que ajudou a processar judicialmente o primeiro traficante de pessoas do Gana. (Aplauso.) Vemo-lo nos jovens que levantam a voz contra o favoritismo e participam no processo político.


Por toda a África, temos visto muitos exemplos de pessoas que tomam as rédeas do seu destino e iniciam o processo de mudança a partir da base. Vimo-lo no Quénia, onde a sociedade civil e o sector empresarial se juntaram para ajudar a pôr fim à violência pós-eleitoral. Vimo-lo na África do Sul, onde mais de três quartos do país votou nas eleições recentes – as quartas desde o final do Apartheid. Vimo-lo no Zimbabué, onde a Rede de Apoio às Eleições enfrentou corajosamente uma repressão brutal na defesa do princípio de que o voto é o sagrado direito de cada um.


Não tenhamos dúvidas: a História está do lado destes corajosos africanos e não daqueles que fazem golpes de Estado, ou alteram as Constituições, para se manterem no poder. (Aplauso.) África não precisa de indivíduos poderosos mas, sim, de instituições fortes. (Aplauso.)


A América não procurará impor qualquer sistema de governo a qualquer outra nação. A verdade essencial da democracia é que cada nação determina o seu próprio destino. Mas o que a América fará é aumentar a ajuda a indivíduos responsáveis e instituições responsáveis e o nosso foco é o apoio à boa governação – aos parlamentos, que fazem frente aos abusos de poder e asseguram que as vozes da oposição sejam ouvidas — (aplauso);; ao Estado de direito, que assegura uma administração de justiça igualitária; à participação cívica, de forma a que os jovens participem; e a soluções concretas que contrariam a corrupção, como a contabilidade forense e a informatização dos serviços — (aplauso) –, o reforço de linhas directas (hotlines) e a protecção de delatores, de modo a promover a transparência e a responsabilização.


E oferecemos este apoio. Incumbi a minha Administração de dar mais ênfase à corrupção nos nossos relatórios sobre os Direitos Humanos. Todas as pessoas, em qualquer parte do mundo, devem ter o direito de abrir um negócio ou de obter uma educação sem ter que subornar ninguém. (Aplauso.) Temos a responsabilidade de apoiar aqueles que agem de forma responsável e de isolar os que não actuam dessa forma, e é exactamente isso que a América fará.


Esta questão conduz-nos directamente à nossa segunda área de parceria: apoiar o desenvolvimento que abre oportunidades a mais pessoas.


Não tenho dúvidas de que, com uma melhor governação, África oferece a promessa de uma base mais alargada de prosperidade. Veja-se o extraordinário sucesso dos africanos no meu país, a América. Estão a sair-se muito bem. Têm o talento, têm o espírito empreendedor. A questão que se coloca é: como podemos assegurar que também tenham sucesso nos seus países de origem? O continente é rico em recursos naturais e, desde empresários de telefonia móvel aos pequenos agricultores, os africanos têm demonstrado a sua capacidade e o seu empenho em criar as suas próprias oportunidades. Mas há também que quebrar os velhos hábitos. A dependência de produtos básicos – ou de um único artigo de exportação – tende a concentrar a riqueza nas mãos de uns poucos e deixa os países demasiado vulneráveis aos períodos de declínio económico.


No Gana, por exemplo, o petróleo traz grandes oportunidades e o povo do Gana tem sido muito responsável na sua preparação para as novas receitas. Mas como muitos ganenses bem sabem, o petróleo não pode simplesmente transformar-se no novo cacau. Da Coreia do Sul a Singapura, a história mostra que os países se desenvolvem quando investem no seu povo e na sua infra-estrutura – - (aplauso); quando promovem múltiplas indústrias de exportação e desenvolvem uma mão-de-obra especializada e quando criam espaço para pequenas e médias empresas criadoras de emprego.


À medida que os africanos tentam realizar este potencial, a América estenderá a mão de uma forma mais responsável. Reduzindo os custos que acabam nas mãos de consultores e administradores, queremos colocar mais recursos nas mãos daqueles que precisam deles, formando-os simultaneamente para serem mais auto-suficientes. (Aplauso.) É por essa razão que a nossa iniciativa de mil milhões de dólares para a segurança alimentar, se centra em novos métodos e novas tecnologias para agriculturores – e não apenas no envio de produtores americanos ou de mercadorias para África. A ajuda não é um fim em si mesmo. O objectivo da ajuda estrangeira deverá ser a criação de condições que levem a que esta deixe de ser necessária. Quero ver os ganenses tornar-se não só auto-suficientes em termos de alimentação; quero ver-vos a exportar produtos alimentares para outros países e a ganhar dinheiro. Vocês são capazes. (Aplauso.)



Por outro lado, a América também pode ser mais activa na promoção do comércio e do investimento. As nações ricas devem, de uma forma mais significativa, abrir as portas aos produtos e serviços provenientes de África. Esta administração empenhar-se-á nisso. E, onde existe boa governação, podemos aumentar a prosperidade através de parcerias públicas e privadas que invistam em melhores estradas e em electricidade; no desenvolvimento de capacidades que ensinem as pessoas a iniciar os seus próprios negócios; e em serviços financeiros que cheguem não só às cidades mas também às zonas pobres e rurais. Isto vem também ao encontro dos nossos interesses – pois se as pessoas conseguirem sair da situação de pobreza e criar riqueza em África, sabem o que acontece? Abrem-se novos mercados para os nossos produtos. Portanto é bom para ambos.


Um sector que implica um perigo inegável ao mesmo tempo que oferece uma extraordinária promessa é o da energia. A África produz menos gases de estufa do que qualquer outra região do mundo mas é o continente mais ameaçado pelas mudanças climáticas. O aquecimento do planeta levará ao alastrar de doenças, à diminuição de recursos hídricos e à fragilização das colheitas, criando condições que produzem mais fome e mais conflito. Todos nós – em particular o mundo desenvolvido – temos a responsabilidade de reduzir o ritmo destas tendências – quer através de uma diminuição, quer de uma mudança, no que respeita à utilização de energia. Mas também podemos cooperar com os africanos com vista a transformar esta crise numa oportunidade.


Juntos podemos colaborar em prol do nosso planeta e da prosperidade, bem como ajudar países a aumentar o acesso à energia evitando, saltando sobre a fase mais suja do desenvolvimento. Pensem nisto: em toda a África há uma abundância de energia eólica, solar e geotérmica, bem como de biocombustíveis. Do Vale Rift aos desertos do Norte de África; da costa ocidental às colheitas da África do Sul – os recursos naturais ilimitados de África podem gerar energia para o próprio continente e, ao mesmo tempo, este poderá exportar energia verde lucrativa para o estrangeiro.


Estes passos implicam mais do que simples números de crescimento num balanço financeiro. Determinam se um jovem com formação consegue um emprego que lhe permita sustentar a família; se um agricultor pode transportar os seus produtos para o mercado; ou se um empresário que tem uma boa ideia pode formar uma empresa. Têm a ver com a dignidade do trabalho. Têm a ver com a oportunidade que deve existir para os africanos do séc. XXI.


Tal como a governação é um elemento vital para a oportunidade, também é crucial para o terceiro tema de que quero agora falar – o reforço da saúde pública.


Nestes últimos anos houve um enorme progresso em certas regiões de África. Tem vindo a crescer o número de pessoas que têm uma vida produtiva apesar de sofrerem de VIH-SIDA e que obtêm os medicamentos de que necessitam. Acabei de visitar uma clínica e um hospital maravilhosos dedicados sobretudo à saúde materna. Mas ainda há demasiadas pessoas que morrem de doenças que já não deviam matá-las. Quando há crianças que morrem devido a uma picada de mosquito, e mães que morrem durante o parto, sabemos que há ainda mais progresso a realizar.


No entanto, devido aos incentivos – - frequentemente oriundos de nações doadoras – - Demasiados médicos e enfermeiras de África vão para o estrangeiro, o que é compreensível, ou trabalham para programas centrados numa única doença. Este facto cria falhas nos cuidados primários e na prevenção básica. Por outro lado, as pessoas de África também têm que dar a sua contribuição. As pessoas devem fazer opções responsáveis que evitem a propagação da doença e promovam a saúde pública nas suas comunidades e nos seus países.


Assim, por toda a África vemos exemplos de pessoas que enfrentam estes problemas. Na Nigéria, uma iniciativa inter-religiosa de cristãos e muçulmanos deu um exemplo de cooperação para o combate à malária. Aqui no Gana, e por toda a África, vemos surgir ideias inovadoras com vista a preencher lacunas nos cuidados médicos – - por exemplo, através de iniciativas E-Saúde que permitem aos médicos das grandes cidades dar apoio aos médicos que vivem em cidades pequenas.


A América apoiará estes esforços através de uma estratégia de saúde abrangente e global, porque no séc. XXI somos chamados a actuar de acordo com a nossa consciência e também com os interesses que temos em comum pois quando uma criança morre em Acra de uma doença que se pode evitar, esse facto diminui-nos em todo o mundo. E quando a doença não é controlada em qualquer local do planeta, sabemos que pode propagar-se através de oceanos e continentes.


É este o motivo pelo qual a minha Administração consignou 63 mil de milhões de dólares para responder a estes desafios — $63 mil milhões. (Aplauso.) Tendo como base os esforços significativos do Presidente Bush, continuaremos a luta contra o VIH/SIDA. A nossa meta é por fim à morte devido à malária e à tuberculose, assim como nos esforçaremos para erradicar a poliomielite. (Aplauso.) Lutaremos – - lutaremos contra as doenças tropicais negligenciadas. E não combateremos doenças isoladamente – investiremos em sistemas de saúde pública que promovam o bem-estar e focaremos a nossa atenção na saúde de mães e crianças. (Aplauso.)


Ao trabalharmos em parceria em prol de um futuro mais saudável devemos também pôr fim à destruição que resulta não da doença, mas da acção dos seres humanos – - e, deste modo, o último tema de que passo a falar é o conflito.


Deixem-me ser claro: África não se resume à simples caricatura de um continente perpetuamente em guerra. Mas, se formos honestos reconhecemos que para demasiados africanos o conflito faz parte da vida, tão constante como o sol. Há guerras em torno de terras e guerras por recursos. E ainda é muito fácil para aqueles que não têm consciência manipular comunidades inteiras e levá-las a combater entre tribos e crenças religiosas diferentes.


Estes conflitos são uma pedra à volta do pescoço de África. Todos nós temos várias identidades – tribais, étnicas, religiosas e de nacionalidade. Mas definirmo-nos por oposição a outra pessoa que pertence a uma tribo diferente, ou que presta culto a um profeta diferente, é algo que não tem lugar no séc. XXI. (Aplauso.) A diversidade de África deveria ser uma fonte de riqueza e não um motivo para divisões. Somos todos filhos de Deus. Todos nós partilhamos aspirações comuns – viver em paz e em segurança; ter acesso à educação e à oportunidade; amar as nossas famílias, as nossas comunidades e a nossa fé. É isto que constitui a nossa humanidade comum.


Por isso mesmo devemos levantar-nos contra a desumanidade praticada entre nós. Nunca é justificado – - nunca é justificável alvejar inocentes em nome de uma ideologia. (Aplauso.) Obrigar crianças a matar em guerras é a sentença de morte de qualquer sociedade. É um sinal irrevogável da criminalidade e da cobardia condenar as mulheres à violentação sistémica e implacável. É nosso dever prestar testemunho ao valor de todas as crianças em Darfur e à dignidade de todas as mulheres no Congo. Nenhuma fé, nenhuma cultura deve perdoar as brutalidades exercidas contra elas. Todos nós devemos lutar pela paz e pela segurança necessárias ao progresso.


Os africanos estão a lutar por este futuro. Também aqui, no Gana, vemos como ajudam a apontar para a direcção do caminho em frente. Os ganenses devem estar orgulhosos das suas contribuições para a manutenção da paz, do Congo à Libéria e ao Líbano — (aplauso) –, e pelos esforços feitos no sentido de combater o flagelo do narcotráfico. (Aplauso.) Congratulamo-nos com os passos que estão a ser dados por organizações como a União Africana e a CEDEAO que visam uma melhor resolução dos conflitos, a manutenção da paz e o apoio aos necessitados. E encorajamos a visão de uma arquitectura de segurança regional forte, apoiada por forças transnacionais eficazes.


A América tem a responsabilidade de colaborar convosco como parceira no sentido de fazer progredir esta visão, não só com palavras, mas com um apoio que reforce as capacidades de África. Quando se pratica o genocídio em Darfur, ou existem terroristas na Somália, estes não são problemas apenas africanos – são desafios à segurança global que exigem uma resposta a nível global.


E é por esse motivo que estamos prontos a colaborar por meio da diplomacia e de assistência técnica, e de apoio logístico, e apoiaremos os esforços para punir os criminosos de guerra. E serei claro: o nosso Comando para África tem como foco não o estabelecimento de uma base de operações no continente, mas sim o combate a estes desafios comuns com vista a aumentar a segurança da América, da África e do mundo. (Aplauso.)


Em Moscovo falei sobre a necessidade de um sistema internacional que respeite os direitos universais dos seres humanos e se oponha às violações desses direitos. Tal sistema deverá ter como base o compromisso em apoiar os que resolvem pacificamente os conflitos, sancionar e impedir aqueles que não o fazem, e ajudar aqueles que sofreram. Mas, em última análise, serão as democracias sólidas, como o Botswana e o Gana, que reduzirão as causas de conflitos e farão avançar as fronteiras da paz e da prosperidade.


Como afirmei há pouco, o futuro de África depende dos africanos. Os povos de África estão prontos a reivindicar esse futuro. E no meu país, os afro-americanos – entre estes muitos imigrantes recentes – têm tido sucesso em todos os sectores da sociedade. Fizemo-lo apesar de um difícil passado e fomos buscar forças à nossa herança africana. Sei que com instituições sólidas e uma grande determinação os africanos podem viver os seus sonhos em Nairóbi e Lagos, Kigali, Kinshasa, Harare e aqui mesmo em Acra. (Aplauso.)


Sabem, há cinquenta e dois anos os olhos do mundo concentravam-se no Gana e um jovem pregador chamado Martin Luther King viajou até aqui, a Acra, para ver a Union Jack descer e a bandeira do Gana ser hasteada. Isto ocorreu antes da marcha até Washington e antes do sucesso do movimento de direitos civis no meu país. Perguntaram ao Dr. King como se sentira ao ver nascer uma nova nação. E ele disse: Renova a minha convicção no irrevogável triunfo da justiça.


Agora esse triunfo tem que ser alcançado mais uma vez e tem que ser ganho por vós. (Aplauso.) Dirijo-me em particular aos jovens em toda a África e aqui no Gana. Em países como o Gana os jovens reprensentam mais de metade da população.


E eis o que devem ter em mente: o mundo será aquilo que dele fizerem. Têm o poder de responsabilizar os vossos líderes e de formar instituições que sirvam o povo. Podem servir as vossas comunidades e canalizar a vossa energia e educação para criar nova riqueza e construir novas ligações ao mundo. Podem ganhar a luta contra a doença, e pôr fim aos conflitos, e accionar a mudança a partir das bases. Podem fazer tudo isso. Sim, podem — (aplauso) — porque, neste momento, a história está a avançar.


Mas tudo isso só poderá ser feito se todos assumirem a responsabilidade pelo vosso futuro. Não será uma tarefa fácil. Exigirá tempo e esforço. Haverá sofrimento e contrariedades. Mas posso prometer-vos o seguinte: a América estará do vosso lado em cada etapa – - como um parceiro, como um amigo. (Aplauso.) No entanto, a oportunidade não virá de nenhum outro lugar – terá que originar das decisões que todos vós tomarem, daquilo que realizarem e da esperança que existe nos vossos corações.


Gana, a liberdade é a vossa herança. Agora, cabe-vos a responsabilidade de construir algo alicerçado nessa liberdade. E se o fizerem, no futuro olharemos para locais como este e diremos que este foi o momento em que a promessa foi cumprida – este foi o momento em que a prosperidade foi forjada, que o sofrimento foi superado e em que foi iniciada uma nova era de progresso. Este pode ser o tempo em que somos, uma vez mais, testemunhas do triunfo da justiça. Sim podemos. Muito obrigado. Deus vos abençoe. Obrigado. (Aplauso.) Obrigado.

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