domingo, julho 06, 2008

Jovens ainda não estão prepardos - Antonio Hama Thai

Segue-se o excerto da entevista que o semanário Magazine Independente concedeu ao General António Hama Thai, onde faz referência à Juventude.
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JOVENS AINDA NÃO ESTÃO PREPARADOS


Antonio Hama Thai
Entrevista conduzida por Lourenço Jossias

Magazine Independente(MI):Em termos filosóficos não acha que já chegou o tempo de os antigos combatentes deixarem os jovens dirigirem os destinos do País ?

António Hama Thai (AHT): O problema não é tanto deixar porque nós, dese a luta de libertação nacional, nunca paramos de formar. Se está lembrado do centro 8 de Março. O Processo tem que ser dinâmico. Por exemplo, o Jossias (Editor do MI) é jornalista há 26 anos e não estou a ver se uma pessoa que sai hoje da Escola de Jornalismo pode conseguir fazer o que o Jossias faz hoje. Esse é que é o problema. Não é que o Jossias está a negar que possa ficar no seu lugar. É preciso estarmos sossegados de que os jovens já assumiram o legado patriótico.

Esta coisa de gestão não se dá, conquista-se e essa forma de conquistar é através de mérito, cmpetência e experiência. Se verificar no processo de eleições internas no Partido temos uma quota fixa para jovens, é por isso que encontramos jovens na Assembleia da República e no Comité Central do Partido. Quer dizer, na nossa estrutura interna há já um caminho aberto para os jovens, o que nós queremos é que os jovens assumam o legado. Se levo um jovem que está a sair da escola agora e o nomeamos director da escola do Partido Frelimo, como é que vai dirigir a escola, se calhar nunca leu os estatutos da Frelimo, nem conhece o Programa do Partido e dizem que é preciso entregar o País aos jovens. Que tal se eles venderem o País? É preciso ter cuidado com isto, porque é preciso ter a certeza de que ele já estácomprometido com a nossa causa. Porque veja o que acontece no País, sobretudo aqui em Maputo. Alguns jovens ocupam-se muito com situações que os desviam . Quando visitei a cadeia central da Machava senti-me escandalizado, porque 80 por cento da população reclusa era constituída por jovens, que não tinham 30 anos, e durante entrevistas, alguns diziam que foram parar ali porque esfaquearam por causa do telemóvel, outros diziam que mataram por causa de um carro... quer dizer, os jovens não estão a ter a visão de que é preciso trabalhar, não importa se é pesca de magumba, se produzir batata ou tomate. O fundamental é que têm que ter em mente que é preciso trabalhar para este País, não há forma de resolver os problemas, qualquer que seja, sem esforço e essa é a grande dificuldade.

Se der uma volta há-se ver que os jovens só pensam em fazer competição para acabar grades de cerveja, garrafas de whisky. Agora é a este jovem que querem que a gente entregue o País? Jovem que só estão preocupados com garrafa de whisky?

Queremos que os jovens assumam que a pátria custou caro, que construir uma pátria exige sacrifício, exige dedicação, coragem, espírito de entrega de entreajuda, unidade nacional, esses factores devem ser assumidos pela juventude.

Portanto, nós não estamos a negar dar oportunidade aos jovens. Nós fazemos tudo para enquadrá-los, para ele assumirem o valor da pátria, que custou caro a reaver a terra; por ela morreram companheiros, não estou a falar de um ou dois, de que a gente fale, de vez em quando. São muitos.

Quando me lembro dos bobardeamentos que eram feitos nas zonas libertadas, morreu muita gente para conseguirmos esta independência. Então, estes graus de Partiotismo não podem ser dispersados e volto a sublinhar: os jovens são necessários e indispensáveis ao processo, mas devem desdenhar, devem repugnar-lhes todos estes actos de alcoolismo, de droga, de crime. Não podem alinhar com este tipo de situações, porque não vão conseguir ficar com o País nestas condições. Eu gosto de ver Jovens com responsabilidade, pelo menos, moral, prque se não tem essa responsabilidade moral, nós vamos morrer, porque somos personagens e as personagens passam, mas o Estado não passa.

O Presidente Samora dizia que o Povo nunca morre, o que morre são as pessoas e isso é verdade, desde 1498 que os Portugueses chegaram a Moçambique até agora estamos aqui. Podemos não ser exactamente os mesmos que eles encontraram em 1498, mas estamos aqui. Então o poblema dos jovens não é a Frelimo, nós estamos abertos e queremos os jovens, mas é necessáio que ele façam esforço para contribuir para o País que temos. É preciso fazer sacrifícios, renunciar a certas coisas, não se pode fazer sacrifício no ar condicionado, como os jovens querem, não se pode fazer sacrifício com AKM, à procura de uma viatura para assaltar.

Fonte: MAGAZINE INDEPENDENTE 25/06/2008

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2 comentários:

Anónimo disse...

curiosa desculpa...
Será que os jovens moçambicanos são todos assim?
Então para explicar o motivo de não se passar a "pasta" aos jovens, alega-se que os jovens são reclusos, bêbados e maus carácter?
E todos os outros que não o são? Esses não servem? Porquê? Porque são inteligentes? E, consequentemente, inconvenientes?
Ou será porque, no entender desse Senhor, não existem?
Bem, é que se não existirem então importava apurar responsabilidades aos governantes que estão há 33 anos à frente duma sociedade e que pactuaram com o crescimento duma geração que, de acordo com este Senhor, é toda futil, medíocre e mau caracter...
(O Observador)

Alexandre disse...

Adolescentes de 13 anos tornam-se pais

Um fato que chega a ser bastante freqüente em outros países causa sensação na Suíça: uma adolescente de 13 anos ganhou um bebê antes do Natal, conforme informou o hospital de Solothurn (centro do país). Ela chegou ao hospital no dia 19 de dezembro com suspeita de estar com apendicite. Mas logo os médicos descobriram que eram dores do parto. Detalhe: nem a adolescente nem seus familiares tinham notado qualquer sinal da gravidez. Ela deu à luz um bebê completamente saudável. No dia anterior ao parto, ainda tinha freqüentado a escola secundária. Segundo informações não confirmadas, o pai do bebê tem a mesma idade da mãe: 13 anos. A jovem mãe, no momento, recebe assistência psicológica.

Casos de gravidez de adolescentes com essa idade são extremamente raros na Suíça – o último tinha ocorrido em 2004. Mas, apesar das aulas de educação sexual nas escolas, em 2007, 122 suíças com menos de 16 anos engravidaram e fizeram aborto. Leia mais sobre gravidez na adolescência.